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Conduta criminosa

Alexandre de Moraes mantém prisão preventiva de Roberto Jefferson

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Por entender que a prisão domiciliar — mesmo com a aplicação de medidas cautelares diversas — é insuficiente para interromper a conduta criminosa do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, manteve a prisão preventiva do ex-parlamentar.

Alexandre lembrou que não existe nenhuma evidência conclusiva sobre o estado de saúde de Jefferson para justificar a concessão de prisão domiciliar ao político
Carlos Moura/SCO/STF

No pedido de concessão de prisão domiciliar, a defesa de Jefferson alega que ele se encontra debilitado por motivo de doença grave e possui comorbidades que podem ser "fatais diante da insalubridade do sistema prisional" e a crise sanitária provocada pela Covid-19.

Na decisão, o ministro do STF afastou as alegações ao argumentar que, antes da prisão, Jefferson desempenhava intensa atividade política. "Não há quaisquer provas conclusivas sobre a condição de saúde do custodiado, que até a data da prisão exercia plenamente a presidência de partido político, realizando atividade política intensa — sem respeitar qualquer isolamento social —, inclusive com diversas visitas em gabinetes em Brasília, distante de sua residência no interior do estado do Rio de Janeiro; a demonstrar sua aptidão física para viagens de longa distância", destacou o ministro.

Alexandre ainda aponta que Jefferson, reiteradamente, postava em suas redes sociais vídeos atacando os Poderes da República e o Estado democrático de Direito, muitas vezes com arma de fogo em punho, além de "didática e criminosamente" ensinar pessoas a agredir agentes públicos.

O ministro constata que as alegações sobre o estado de saúde do aliado do presidente Jair Bolsonaro só surgiram após a decretação da prisão preventiva e o oferecimento de denúncia pelo MPF.

"Não bastasse isso, consta dos autos que Roberto Jefferson, ao ser preso, obstruiu diretamente a Justiça, revelando ter desaparecido com provas que interessariam à presente investigação, desfazendo-se de seu celular, e debochando da equipe policial que estava em sua residência", pontuou o julgador.

Por fim, Alexandre cita carta divulgada por Jefferson em que ele afirma que "não aceitará cumprir prisão domiciliar com tornozeleira", se eventualmente o benefício lhe for concedido e nega o pedido.

Clique aqui para ler a decisão
Pet 9.844




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 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 31 de agosto de 2021, 14h48

Comentários de leitores

8 comentários

Lindo de ver

JCCM (Outros)

O sujeito desafiou um dos Poderes da República, incitando o ataque armado, crime imprescritível e grave, que o mesmo, com a vivência de parlamentar e de advogado não pode alegar desconhecer.

Assim, aqueles que tentam diminuir a GRAVIDADE da conduta daquele parasita, caso tivesse prosperado seu intento, com certeza, estariam no momento seguinte cobrando das Autoridades ações pretéritas que por ventura não tivessem sido tomadas.

Pois bem, está de parabéns o Ministro Alexandre de Moraes, de quem tenho divergências em alguns pontos, por ter estancado um processo de fúria que germinava para a bandalheira sem medida.

Aguardemos que o criminoso contumaz, desta feita, permaneça por longo tempo enjaulado.

Parabéns, Ministro Alexandre!!!

Mauro Jose Mendes de Almeida (Promotor de Justiça de 1ª. Instância)

Parabéns, Ministro! A Justiça tem que ser respeitada por esses meliantes, que estão usando a liberdade de expressão para transformar-se em liberdade para cometer crimes!! É vendo o Sol Nascer Quadrado que esses Bolsominions, covardes, metidos a valentões, fazem xixi nas calças!!! Cadeia é pouco pra essa gente....

A justiça de Polemarco

Alexandre Guimarães Molinaro (Oficial da Marinha)

O que vige atualmente no Brasil é a justiça de Polemarco que asseverou que se deve devolver os favores aos amigos e as ofensas aos inimigos. Essa visão míope da Lei é o que muitos ditos bacharéis em Direito e cidadãos empáticos com discursos fofos e politicamente corretos comemoram. Esquecem que se ficarem sob o arbítrio de uma vontade pessoal poderão ser considerados inimigos ao menor descontentamento. E o nosso querido xerife supremo pode gritar: Cortem as cabeças !! e esta ser a sua. Alguém conseguir listar os crimes cometidos pelo paciente ? O que ele fez foi falar a realidade e o ofendido/ juiz/acusador foi lá e o prendeu em Bangu de onde vários criminosos foram soltos para não serem contaminados. Se isso não é uma Ditadura não se assuste. Trata-se apenas de uma pequena confusão semântica: bem vindo " Estado democrático de Direito ".

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