JusBarômetro

Maioria da população confia no Judiciário paulista, aponta pesquisa

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17 de maio de 2021, 12h48

O grau de conhecimento sobre o Judiciário é o principal fator formador de opinião dos cidadãos sobre esse serviço público. Quanto mais próximos do sistema de Justiça, melhor é a avaliação de sua eficiência. Essa é uma das conclusões da primeira Edição da pesquisa "JusBarômetro: A visão da sociedade sobre a Justiça".

Reprodução / TC ConJur
Presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, apresentou evento de lançamento da pesquisa “JusBarômetro: A visão da sociedade sobre a Justiça” na TV ConJur
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Os resultados do levantamento foram apresentados em seminário virtual promovido pela TV ConJur em parceria com a Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) nesta segunda-feira (17/5).

 O evento foi apresentado pela presidente da Apamagis, Vanessa Matheus, e teve participação do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Geraldo Pinheiro Franco, do ministro do STJ, Luís Felipe Salomão, da presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Renata Gil, do ex-presidente e coordenador do Núcleo de Pesquisa da Apamagis, Jayme de Oliveira Neto e do presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antonio Lavareda.

A primeira edição da pesquisa ouviu 1 mil pessoas entre os dias 26 e 30 de abril no estado de São Paulo. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, destacou que um dos principais pontos revelados pela pesquisa é que a maioria das pessoas confia em todas as instituições que compõem o sistema de Justiça no âmbito estadual. 

"Vamos desde 60% que confia na OAB até 49% no Judiciário. O importante é que o percentual de pessoas que confia na OAB, na Defensoria, nos juízes, desembargadores e no Poder Judiciário de São Paulo como um todo é maior do que aquele de pessoas que não confiam", afirmou.

Segundo a pesquisa, 60% dos paulistas confia na OAB-SP, 32% não confia e 9% não souberam opinar.  59% confia na Defensoria Pública de SP, frente a 30% dos que não confiam.11% dos que não soube opinar. 

Em relação ao Ministério Público bandeirante, o percentual dos que confiam é de 59%, 30% não confiam e 11% não souberam opinar. A confiança em relação ao Judiciário de SP como um todo é de 49%, frente 41% dos que não confiam. 11% dos pesquisados não souberam avaliar. 

O levantamento apontou que 53% das pessoas se informam sobre o Poder Judiciário por notícias e declarações de ministros do STJ e do Supremo Tribunal Federal. Em segundo lugar, por notícias sobre juízes e desembargadores de São Paulo.

Outro dado aponta que as pessoas com renda de até dois salários-mínimos não têm referência exata sobre o Poder Judiciário. 14% das pessoas se dizem bem-informadas sobre o Poder Judiciários, 38% mais ou menos informadas e 52% reclamam da escassez de informação sobre o esse poder.

Entre os principais meios pelos quais cidadãos se informam sobre o Poder Judiciário aparecem em primeiro lugar a televisão, seguido por sites, blogs e portais, redes sociais, conversas entre familiares e amigos, jornais impressos e rádio.

Em sua fala, Jayme de Oliveira Neto apontou que a pesquisa conseguiu separar a opinião das pessoas que se utilizaram do Judiciário de São Paulo daqueles que nunca usaram o sistema de Justiça. "Um dado interessante é que a visão daqueles que se utilizaram do Poder Judiciário é muito melhor que dos que nunca usaram", afirmou.

O sociólogo e autor do estudo sobre a imagem do Judiciário brasileiro encomendado pela AMB, Antonio Lavareda, chamou atenção para o fato de que metade das pessoas ouvidas reclama da escassez de informações sobre o Poder Judiciário. "Dado relevante é que entre os usuários deste poder, 71% têm menções positivas ao comportamento dos juízes", ressalva.

Os cinco principais pontos nos quais o Judiciário Paulista precisa melhorar, segundo a pesquisa, são: a diminuição de prazos e simplificação de procedimentos, a melhoria do atendimento à população (a maioria não é usuário do Sistema de Justiça), a simplificação da linguagem jurídica, a redução das custas e a melhora da comunicação do Judiciário paulista com a população.

Em sua fala, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Geraldo Pinheiro Franco destacou a importância do levantamento. "Precisamos entender como nós somos vistos pela sociedade e sempre ouvir o que o servidor tem a nos dizer sobre a instituição. Isso é importante porque ele participa ativamente da prestação dos serviços e têm expertise sobre que caminhos devemos percorrer internamente", sustenta.

O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, destacou a evolução das associações da magistratura. "Chama muita atenção o papel das associações dos magistrados com pesquisas como essa. Um evento como esse é um retrato muito grande da maturidade das associações", disse.

"Quanto maior a proximidade do cidadão melhor a avaliação do Judiciário. Isso é uma vitória. É algo para se comemorar nessa pesquisa", defendeu. Ele também apontou a necessidade de simplificação da linguagem utilizada pelos magistrados como fundamental para melhorar ainda mais a imagem do Poder Judiciário.

A presidente da AMB, Renata Gil, falou sobre a importância de pesquisas como a promovida pela Apamagis para construção da Justiça do futuro. "Como líderes associativos é fundamental que atuemos para aproximar a sociedade da magistratura. Que participemos ativamente do debate público e que tenhamos cada vez mais iniciativas como essa pesquisa para entregar a sociedade o que ela espera de nós", sustentou.

Os resultados completos da pesquisa poderão ser acessados no site da Apamagis.

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