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JusBarômetro

Maioria da população confia no Judiciário paulista, aponta pesquisa

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O grau de conhecimento sobre o Judiciário é o principal fator formador de opinião dos cidadãos sobre esse serviço público. Quanto mais próximos do sistema de Justiça, melhor é a avaliação de sua eficiência. Essa é uma das conclusões da primeira Edição da pesquisa "JusBarômetro: A visão da sociedade sobre a Justiça".

Presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, apresentou evento de lançamento da pesquisa “JusBarômetro: A visão da sociedade sobre a Justiça” na TV ConJur
Reprodução 

Os resultados do levantamento foram apresentados em seminário virtual promovido pela TV ConJur em parceria com a Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) nesta segunda-feira (17/5).

 O evento foi apresentado pela presidente da Apamagis, Vanessa Matheus, e teve participação do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Geraldo Pinheiro Franco, do ministro do STJ, Luís Felipe Salomão, da presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Renata Gil, do ex-presidente e coordenador do Núcleo de Pesquisa da Apamagis, Jayme de Oliveira Neto e do presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antonio Lavareda.

A primeira edição da pesquisa ouviu 1 mil pessoas entre os dias 26 e 30 de abril no estado de São Paulo. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, destacou que um dos principais pontos revelados pela pesquisa é que a maioria das pessoas confia em todas as instituições que compõem o sistema de Justiça no âmbito estadual. 

"Vamos desde 60% que confia na OAB até 49% no Judiciário. O importante é que o percentual de pessoas que confia na OAB, na Defensoria, nos juízes, desembargadores e no Poder Judiciário de São Paulo como um todo é maior do que aquele de pessoas que não confiam", afirmou.

Segundo a pesquisa, 60% dos paulistas confia na OAB-SP, 32% não confia e 9% não souberam opinar.  59% confia na Defensoria Pública de SP, frente a 30% dos que não confiam.11% dos que não soube opinar. 

Em relação ao Ministério Público bandeirante, o percentual dos que confiam é de 59%, 30% não confiam e 11% não souberam opinar. A confiança em relação ao Judiciário de SP como um todo é de 49%, frente 41% dos que não confiam. 11% dos pesquisados não souberam avaliar. 

O levantamento apontou que 53% das pessoas se informam sobre o Poder Judiciário por notícias e declarações de ministros do STJ e do Supremo Tribunal Federal. Em segundo lugar, por notícias sobre juízes e desembargadores de São Paulo.

Outro dado aponta que as pessoas com renda de até dois salários-mínimos não têm referência exata sobre o Poder Judiciário. 14% das pessoas se dizem bem-informadas sobre o Poder Judiciários, 38% mais ou menos informadas e 52% reclamam da escassez de informação sobre o esse poder.

Entre os principais meios pelos quais cidadãos se informam sobre o Poder Judiciário aparecem em primeiro lugar a televisão, seguido por sites, blogs e portais, redes sociais, conversas entre familiares e amigos, jornais impressos e rádio.

Em sua fala, Jayme de Oliveira Neto apontou que a pesquisa conseguiu separar a opinião das pessoas que se utilizaram do Judiciário de São Paulo daqueles que nunca usaram o sistema de Justiça. "Um dado interessante é que a visão daqueles que se utilizaram do Poder Judiciário é muito melhor que dos que nunca usaram", afirmou.

O sociólogo e autor do estudo sobre a imagem do Judiciário brasileiro encomendado pela AMB, Antonio Lavareda, chamou atenção para o fato de que metade das pessoas ouvidas reclama da escassez de informações sobre o Poder Judiciário. "Dado relevante é que entre os usuários deste poder, 71% têm menções positivas ao comportamento dos juízes", ressalva.

Os cinco principais pontos nos quais o Judiciário Paulista precisa melhorar, segundo a pesquisa, são: a diminuição de prazos e simplificação de procedimentos, a melhoria do atendimento à população (a maioria não é usuário do Sistema de Justiça), a simplificação da linguagem jurídica, a redução das custas e a melhora da comunicação do Judiciário paulista com a população.

Em sua fala, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Geraldo Pinheiro Franco destacou a importância do levantamento. "Precisamos entender como nós somos vistos pela sociedade e sempre ouvir o que o servidor tem a nos dizer sobre a instituição. Isso é importante porque ele participa ativamente da prestação dos serviços e têm expertise sobre que caminhos devemos percorrer internamente", sustenta.

O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, destacou a evolução das associações da magistratura. "Chama muita atenção o papel das associações dos magistrados com pesquisas como essa. Um evento como esse é um retrato muito grande da maturidade das associações", disse.

"Quanto maior a proximidade do cidadão melhor a avaliação do Judiciário. Isso é uma vitória. É algo para se comemorar nessa pesquisa", defendeu. Ele também apontou a necessidade de simplificação da linguagem utilizada pelos magistrados como fundamental para melhorar ainda mais a imagem do Poder Judiciário.

A presidente da AMB, Renata Gil, falou sobre a importância de pesquisas como a promovida pela Apamagis para construção da Justiça do futuro. "Como líderes associativos é fundamental que atuemos para aproximar a sociedade da magistratura. Que participemos ativamente do debate público e que tenhamos cada vez mais iniciativas como essa pesquisa para entregar a sociedade o que ela espera de nós", sustentou.

Os resultados completos da pesquisa poderão ser acessados no site da Apamagis.




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Revista Consultor Jurídico, 17 de maio de 2021, 12h48

Comentários de leitores

2 comentários

Pesquisa enganosa !

rcanella (Funcionário público)

Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira, já dizia Renato Russo. O Estado é por sua natureza incompetente e quando expande seus tentáculos artificialmente – veja o gigantismo indecente de nosso Poder Judiciário - expõe mais ainda esse lado concreto de sua desonestidade para com o cidadão tributariamente explorado. Afinal, além de ajudar a zerar o orçamento anual, o que são essas pesquisas encomendadas pelo TJ/SP - unicamente para que se sintam confortáveis com suas consciências - senão o reconhecimento de sua própria incompetência. Exercessem bem sua função na sociedade e desnecessárias seriam essas enquetes. E notem que em nenhum momento é dito o custo desse levantamento, será que houve algum tipo de procedimento licitatório? Temo que não! Essas superpessoas, membros da nossa Nomenklatura, vivem em outro mundo e não se sentem obrigados a nenhum tipo de prestação de contas a não ser para seus próprios pares num corporativismo vergonhoso. Vencimentos acima do teto constitucional, juiz tirando mais de um período de férias, salário de 600 mil reais num único mês, auxílio moradia pra trabalhar na mesma cidade onde moram, auxílio-creche, e outros auxílios de todos os tipos imagináveis, vendas de sentença, vendas de votos no plenário, prédios suntuosos, serviços nababescos, lagostas, vinhos caros etc... E a cereja no bolo da incompetência da nossa Justiça é o tão querido pela população brasileira, o nosso nobilíssimo SFT de Toffoli, Gilmar et caterva... Mas, é melhor ler essas coisas do que ser analfabeto. Pelo menos por enquanto, porque a esquerdalha, insuflada por essa gente "da justiça" já esta afiando as garras para enfim transformar essa Nação numa imensa Venezuela... O último a sair que apague a luz.

Confiar ou não confiar...

Bruno Castellar (Advogado Autônomo - Administrativa)

"Vamos desde 60% que confia na OAB até 49% no Judiciário..."

Se 49% confiam no Judiciário, logo a maioria das pessoas (51%), não confiam no Judiciário.

A partir do momento que é realizada uma pesquisa para verificar a parcela de pessoas que confiam na Justiça , OAB e Ministério Público, é porque já existe uma desconfiança por parte dos integrantes desses órgãos, que as pessoas não confiam nelas!

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