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"Obtusidade córnea"

Celso defende lockdown como medida sensata e necessária para vencer a Covid

O sucesso de Araraquara (SP), no combate à Covid 19, levou o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, a manifestar, para amigos, seu pensamento a respeito da calamitosa omissão do governo federal, em relação ao quadro caótico vivido pelo país.

O ministro aposentado Celso de Mello
STF

Segundo o relato, o ministro citou a experiência de Araraquara como "um exemplo notável para o Brasil e para o seu Presidente". E continuou: "Araraquara, importante município paulista, seguiu as recomendações sensatas e apoiadas em relevantíssima orientação fundada em respeitável conhecimento científico emanadas da OMS (ONU), da Opas, dos EUA, da Itália, da França, da Alemanha, do Reino Unido e de outros países governados por políticos responsáveis que repudiam as insensatas (e destrutivas) teses negacionistas".

"Hoje, em nosso País, o Presidente da República (que julga ser um monarca absolutista ou um contraditório 'monarca presidencial") tornou-se o Sumo Sacerdote de uma estranha religião que desconhece tanto o valor e a primazia da vida quanto o seu dever ético de celebrá-la incondicionalmente!"

A arbitrária recusa de Bolsonaro em decretar o "lockdown" nacional (como ocorreu em países de inegável avanço civilizatório), comentou Celso de Mello, "equivale a um repulsivo e horrendo 'grito necrófilo' (que faz relembrar o conflito entre Miguel de Unamuno, reitor da Universidade de Salamanca no início da Guerra Civil espanhola, em 1936, e o General Millán Astray que, seguidor falangista fiel ao autocrata Francisco Franco, "Caudilho de Espanha", lançou o grito terrível "¡Viva la Muerte; abajo la inteligencia"!).

Ainda segundo o relato, o ex-decano do STF fuzilou "o gesto insensato do Presidente, opondo-se ao 'lockdown' nacional, em clara demonstração própria de quem não possui o atributo virtuoso do 'statesmanship'. De outro lado, essa conduta negacionista torna imputável ao Chefe de Estado, em face de seu inegável despreparo político e pessoal para o exercício das altas funções em que investido, a nota constrangedora e negativa, reveladora daquela 'obtusidade córnea' de que falava Eça de Queirós, em 1880, no prefácio da 3ª edição de sua obra 'O Crime do Padre Amaro', no contexto da célebre polêmica que manteve com o nosso Machado de Assis".




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Revista Consultor Jurídico, 7 de abril de 2021, 20h11

Comentários de leitores

5 comentários

Poderia se aposentar de comentar também...

Cleber (Advogado Autônomo)

É impressionante como pretendem um lockdown num país de dimensões CONTINENTAIS como o nosso! Onde isso ocorreu? Como é possível pretender comparar lockdown na França, Alemanha com o Brasil que é maior que os três juntos? É preciso enfrentar o tema com lucidez. Lockdown no Brasil é impossível, impraticável, algo insano.

Maldade

orestesnn (Advogado Autônomo - Civil)

Sem muita delonga! Senti arrepios de indignação ao ler o texto!!

relato entre amigos

Patricia Ribeiro Imóveis (Corretor de Imóveis)

é curioso que, num breve relato entre amigos, o Min. aposentado cit até a edição das obras que menciona...

Mais estranho

Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)

Mais estranho que continuam vivendo no mundo de Alice, sem dar nenhuma contribuição, Legislativo e Judiciário ainda não cortaram nem o auxilio paletó, ao contrário , estão criando mais uma polícia, fora do art. 144, da CF (ora, para que CF, se temos STF), ou seja, mais despesas.

Estranho!!!!!

jose roberto santana (Advogado Autônomo - Criminal)

Estranho e a sua observação sobre o texto, quando haveria de observar os comentários de Celso de Melo sobre uma pessoa que se afirma ser um Presidente da República, res pública , mas que só faz fofocar.
Eu gostaria de saber que horas dentre as 24 do dia que esse senhor trabalha em prol das pessoas necessitadas deste país, pois eu só vejo notícias sobre viagens, cercadinhos, livre, e por aí afora.
Triste tempos Triste pais, Triste povo a aguentar tudo isso.

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