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Evento eleitoralista

Barroso diz que voto impresso no Brasil "seria uma confusão infernal"

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A adoção do voto impresso pelo Brasil, além de não conferir aos eleitores elemento extra para auditoria das eleições, causaria uma confusão infernal no país, com discurso generalizado de fraudes e judicialização da votação.

Ministro Barroso falou em evento do Cesa sobre segurança do sistema de votação
Fellipe Sampaio/STF

A opinião é do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, que nesta segunda-feira (16/8) participou de evento promovido pelo Centro de Estudos das Sociedade de Advogados (Cesa) que abordou o tema "Segurança, transparência e auditabilidade do sistema de votação eletrônico brasileiro".

Nele, repisou os argumentos e manifestações recentes sobre a confiabilidade do sistema com uso de urnas eletrônicas no país. O Congresso chegou a discutir proposta de emenda à Constituição para implementar o voto impresso, mas a proposta foi rejeitada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados e não teve votos suficientes para avançar no Plenário.

"Algumas pessoas se queixam: mas isso seria mais um elemento de auditoria para calar a boca dos que acham que há fraude. Não. Seria exatamente o contrário. Seria uma confusão infernal, um discurso generalizado de fraude", afirmou, durante a palestra.

"Não há solução para um problema que é um dos nossos grandes temores: que um candidato que sabe que vai perder incitasse seus seguidores a dizerem que votaram no Candidato A na urna, mas no voto impresso apareceu que votou no Candidato B. Aí você paralisa uma eleição", acrescentou.

Barroso ainda esclareceu que, ao contrário do que tem sido acusado, não se ofereceu para ir ao Congresso para discutir o tema. A visita aconteceu em 9 de junho, por convite do presidente da Câmara, Arthur Lira, para participar de comissão geral sobre assuntos eleitorais. "Pelo contrário: eu relutei", disse.

"Atendi ao convite para um debate público de qualidade, diga-se de passagem. Em que as pessoas expuseram seus argumentos com respeito, como a vida deve ser vivida. Se as pessoas se convenceram que [o voto impresso] ia trazer mais problemas, assim é a vida democrática. As pessoas colocaram os argumentos na mesa, todos deliberaram livremente. Não tenho verbas orçamentárias, nem tropas. Eu só tenho argumentos", afirmou.

Ao responder perguntas dos participantes, o presidente do TSE ainda afirmou que o número de vezes que tem sido perguntado sobre a hipótese de golpe de Estado no Brasil o deixa preocupado. Mas que crê na solidez das instituições democráticas.

"Nenhum país está livre do populismo extremista, autoritário e golpista. Portanto, as instituições e pessoas devem estar atentas. Gosto de achar que não há risco para democracia. Não há nem em nome do que se dar um golpe. Falar em perigo comunista é risível no Brasil de hoje. Não há uma causa que legitime um golpe", concluiu.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 16 de agosto de 2021, 20h18

Comentários de leitores

22 comentários

Sra. Rejane, data venia

Gustavo Mantovan Silva (Funcionário público)

Importa sim se seu candidato venceu, porque isso deslegitima a narrativa de fraude do processo eleitoral alegada por quem... venceu!

Ora, se nem o candidato derrotado suscitou dúvidas sobre o escrutínio eletrônico, por que razão o candidato vitorioso as arguiria, e ainda sem provas?

Uma PEC não justifica a falsa percepção que você e outros tantos têm sobre as eleições de 2018.

Nada lhe ampara a "percepção" de que Bolsonaro venceria no primeiro turno em uma eleição tão polarizada.

Você não tem uma pesquisa eleitoral que aponte isso, e nem a história das eleições presidenciais lhe favorece, pois desde que instituídas as urnas eletrônicas em caráter nacional (ano 2000), nenhum presidente foi eleito no primeiro turno.

Logo, toda esta percepção é um falso pretexto para tumultar as próximas eleições por quem está atrás nas pesquisas.

E esta falsa percepção de amplíssima popularidade é que tem que se ajustar à realidade, e não ajustar o processo eleitoral à percepção de alguns milhares de fanáticos.

Isto não é científico. Se gosta de percepções, perceba então o quão ridícula é a proposta de voto impresso.

Sr. Mantovan

Rejane G. Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Respeito a sua opinião e espero que respeite as opiniões em contrário. O fato éque, mesmo que todas as suas afirmações fossem verdadeiras, se fossem provadas, ainda assim o voto impresso é inegavelmente mais seguro do que o sistema exclusivamente eletrônico que, se ainda não foi fraudado, está muito vulnerável para que seja. Ademais, deve prevalecer a vontade popular e não a vontade de quem controla o processo eleitoral, o que, por si só, já levanta grande suspeição. Mais uma vez, eu e muitos brasileiros não encaramos esta questão como "ganhar ou perde eleição", portanto, para nós essa lógica e seus desdobramentos são irrelevantes. Interessa-nos, e muito, a segurança e idoneidade das eleições e saber que quem nos governa é o eleito da maioria.

A voz do povo é a voz do congresso.

Gustavo Mantovan Silva (Funcionário público)

A vontade do povo, minha cara, ja foi feita. Ela é representativa e houve por bem rejeitar a PEC do absurdo... Conforme-se.

O devaneio do voto impresso foi morto e enterrado. Ja pode desligar os aparelhos que a mantém ligada nos tempos românticos do mapismo eleitoral de outrora...

Sr. Mantovan, houve fraude no painel eletrônico na votação

Rejane G. Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Um deputado federal de Minas Gerais postou vídeo nas redes sociais de que, no momento da votação da PEC do voto impresso, o "sistema" eletrônico não "disponibilizou"a opção VOTAR e, assim, cerca de cinquenta deputados foram "bloqueados", impedidos de votar. Coincidentemente, muitos deputados que já haviam antecipado o voto a favor pelo voto impresso. Isso, além de ser "piada digital" de mau gosto mostra bem com que tipo de gente estamos lidando. Os deputados estão tomando providências para anular a sessão de votação.
VIDE
https://www.contrafatos.com.br/sistema-de-votacao-eletronica-da-camara-joga-no-lixo-10-dos-votos/

O mito voto impresso

Gustavo Mantovan Silva (Funcionário público)

A quem interessa a questão do voto impresso, seguem algumas indagações.

Seu candidato venceu a última eleição presidencial?
Se venceu, por que desconfiar da apuração eletrônica?
Se perdeu, por que venceria em eventual apuração manual do voto impresso?

E se vigorasse o sistema proposto de urna eletrônica auditável pelo voto impresso e eventualmente ocorresse um impasse na apuração de ambos, qual contagem seria mais confiável: a eletrônica ou a manual?

Eis aí a confusão infernal.

São questões reflexivas.

PS1: nos Estados Unidos o voto é impresso e, por conseguinte, a contagem é manual, e o presidente brasileiro fez coro à fraude alegada pelo candidato que apoiava, mas que foi derrotado nas eleições americanas, evidenciando uma contradição a respeito do mito do voto impresso "auditável" (por quem?) em relação à lisura das urnas eletrônicas.

PS2. As urnas eletrônicas já passam por teste de integridade nas vésperas de cada eleição, mediante contagem paralela de voto impresso, em sessão realizada em audiências públicas, a fim de certificar a igualdade de resultados. Basta acompanhar.

PS3. Se o voto de um pudesse ser computado para outro em eventual segundo turno, então alguém teria 100% dos votos, o que não ocorre.

Dr. Gustavo Mantovan

Rejane G. Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

1) eleições americanas - acompanhei de perto os vídeos de testemunhas que trabalharam na apuração e prestaram depoimentos com detalhes como foi feita a fraude. Além desses vídeos, outros vídeos de câmeras de segurança no local onde os votos ficavam armazenados e vi vários "apuradores", trazendo votos "alienígenas" para serem computados, além de votos computados duas ou três vezes na máquina de contagem. Também assisti a entrevistas de "experts" em Informática, detalhando claramente como a fraude ocorreu. Dizer que Trump "perdeu" a eleição é só uma afirmação sem provas, uma vez que a quase totalidade das ações de Trump com as referidas provas simplesmente foram rejeitadas por vários tribunais por formalidades processuais, ou seja, não quiseram, literalmente, analisar as provas. Situação muito semelhante à anulação dos processos de Lula na Lava Jato, nos quais "montanhas de provas" foram ignoradas.
Com todo o respeito, as demais alegações sobre a eleição de Bolsonaro ou são ingênuas ou sofismáticas.
O que é insofismável é que o voto impresso traz mais segurança e transparência à apuração e a recusa e mesmo oposição agressiva do Min. Barroso levanta ainda mais suspeitas.

Fraude nas eleições dos EUA? A solução é o voto eletrônico

Gustavo Mantovan Silva (Funcionário público)

A sra. refere ter havido inúmeras regularidades na apuração dos votos impressos das eleições americanas, mas é a favor do voto impresso no Brasil! É no mínimo uma incoerência.

Se acompanhou de perto as eleições por lá, concluiu sozinha que o voto impresso é muito mais vulnerável e por conseguinte, sujeito a fraudes, e um método rudimentar, mais frágil, não pode servir como meio para aferição da validade de um método eletrônico cercado de protocolos de segurança, mais rigoroso.

É como querer calcular a distância entre o Sol e a Terra fazendo contas à mão, com lápis e papel impresso, desprezando toda tecnologia construída para tal propósito.

É como calcular a raiz quadrada de um número desprezando a calculadora eletrônica.

A solução para elidir as supostas fraudes nas Estados Unidos está na adoção das urnas eletrônicas, o que já acontece em certos lugares lá.

Voto eletrônico nos EUA já!!!!

Sr. Gustavo Mantovan -2

Rejane G. Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Foi exatamente nos vídeos com explicações de "experts" que aprendi como ocorre a fraude eletrônica.

Minha democracia

Marinheiro (Consultor)

Minha democracia é bem diferente da do Ministro-Presidente do STF: a minha tem voto facultativo e distrital, tem candidaturas avulsas e sem custeio público. Simples, assim...

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