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Encontro de interesses

Procuradora nega ter trabalhado em pedido de impeachment de Gilmar Mendes

A procuradora da República Thamea Danelon diz que não trabalhou na elaboração de pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Em mensagens de Telegram divulgadas pelo blog do jornalista Reinaldo Azevedo e obtidas pelo site The Intercept Brasil, Thamea disse ao colega Deltan Dallagnol que o advogado Modesto Carvalhosa, signatário do pedido de impeachment, pediu para ela “minutar para ele” o documento. E Deltan gostou da ideia: “Sensacional Tamis!”

O papo virou representação no Conselho Nacional do Ministério Público. De acordo com a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Thamea usou de sua função pública para atender interesses privados de um advogado de “atentar contra a atuação de um ministro do Supremo Tribunal Federal”. Thamea era integrante da força tarefa da “lava jato” na época – ela acaba de ser promovida a procuradora regional no Tribunal Regional Federal da 4ª Região – e Modesto Carvalhosa é sócio dos procuradores na repartição do dinheiro do acordo de leniência da Petrobras.

Em resposta à representação, Thamea diz que as provas de que ela trabalhou no pedido de impeachment não são idôneas e “nega toda e qualquer ilação a respeito de sua integridade no exercício da função pública”. Em uma das mensagens, ela disse a Deltan "Já estou escrevendo!!!" A procuradora é representada no CNMP pelos advogados Marcelo Knopfelmacher, Felipe Locke Cavalcanti e Marina Figueiredo Paduan, do Knopfelmacher Advogados.

De acordo com a petição enviada ao CNMP, as mensagens que demonstram a participação da procuradora na tentativa de derrubar Gilmar foram obtidas de maneira “criminosa” e, por isso, são ilegais. Ela também alega que as mensagens não passaram por perícia e, por isso, não podem ter sua veracidade atestada. A petição chama as mensagens de “supostas mensagens”, embora diversos procuradores da “lava jato” já tenham se reconhecido nos arquivos obtidos pelo Intercept.

Reclamação Disciplinar 1.00698/2019-8
Clique aqui para ler a petição inicial da reclamação disciplinar
Clique aqui para ler a resposta da procuradora

Revista Consultor Jurídico, 14 de novembro de 2019, 17h52

Comentários de leitores

3 comentários

O Estado De Direito

Jaburu (Administrador)

Vejo que a procuradora, em sua defesa, se lembrou do bom e velho Estado de Direito. Assim, só posso dizer! Que ele valha para todos. Que ele seja preservado pelos fiscais da lei. Que não se atire pedras nele. E Lembre-se. Quando alimentamos feras uma hora ela se volta contra a gente!

Metamorfose

olhovivo (Outros)

Os outrora valentões, que defendiam até mesmo o uso de provas ilícitas contra os outros, agora sofrem de metamorfose e, como coelhos acuados, invocam a garantia constitucional de vedação da prova ilícita.

Caso Toffoli

Professor Edson (Professor)

Nenhuma notícia sobre o caso Toffoli conjur?

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