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Deltan e Transparência Internacional queriam influenciadores de esquerda

O procurador Deltan Dallagnol e Bruno Brandão, diretor da Transparência Internacional (TI), queriam conquistar influenciadores de esquerda para impulsionar o projetos da "lava jato". O diálogo faz parte da nova leva de mensagens enviadas ao Supremo Tribunal Federal pela defesa do ex-presidente Lula. 

Bruno Brandão, da TI, queria conquistar influenciadores de esquerda
Divulgação

O plano foi relatado a Dallagnol por Brandão em 8 de fevereiro de 2018. Na ocasião, o pacote das dez medidas contra a corrupção já havia sido anunciado pelo Ministério Público Federal de Curitiba e em dezembro de 2018 seriam lançadas as "70 medidas contra a corrupção", sob tutela da TI.

"Temos que ser muito estratégicos agora. Não podemos deixar o pacote se identificar com um MBL [Movimento Brasil Livre] da vida de saída pq [porque] aí já era, não vai ter argumento que convença. Acho que temos que fazer campanha de bastidores desde já com influenciadores de esquerda, principalmente na academia, imprensa e meio artístico, conquistar confiança mais que tudo. Depois o resto é muito mais fácil. Acho que o truque será desarmar a resistência da esquerda primeiro pra só depois entrar em campo. Vamos mapear esses influenciadores e começar a apresentar o projeto, enquanto isso, a campanha publicitária vai sendo preparada", diz Brandão. 

Em seguida, o diretor da TI diz quem pretende influenciar. "Se ganharmos a CNBB (esquerda religiosa), Pedro Abramovay (financia quase todas as ONGs do campo progressista), João Moreira Sales (publisher mais influente da intelectualidade de esquerda), [Leonardo] Sakamoto (articulista pop da esquerda) e alguns professores da USP, criamos um campo de influência pra baixar a resistência da esquerda. Temos que fazer esse pessoal referendar o pacote como impactante e, principalmente, democrático. De saída."

Dallagnol responde afirmando que pode fazer propaganda dos pacotes ao final de palestras e que o MPF o autoriza a tirar férias para participar de eventos como esses. 

"Concordo totalmente. Acho que tenho que ficar atrás do palco, nos bastidores, na medida do possível. É importante que a sociedade cresça, e nós diminuamos. Ao mesmo tempo, preciso manter coerência com o passado", diz. 

"Tenho uma planilha com inúmeros convites para palestras. Agora mesmo o TJ-RJ [Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro] me fez mais do que um convite. A juíza que tá organizando disse pra eu escolher temas e pessoas e ela vai atrás. Quero dar o foco de corrupção e eleições. Vou incluir o nome de Vcs [vocês] como preletores. Pessoal aqui me autoriza a ficar só fazendo palestras e tirar férias pra isso. Haverá inúmeras oportunidades. Nas viagens, posso me reunir com lideranças locais. Posso fazer um estrago, nisso. Mas quero contribuir e não estragar, então estou disposto a caminhar de um modo que entendam como seguro", prossegue o procurador. 

A ConJur entrou em contato com a Transparência Internacional. A reportagem será atualizada caso a organização se manifeste. 

Plataforma de candidatos
Na segunda-feira (8/3), a ConJur já havia publicado um diálogo entre Brandão e Dallagnol. Na conversa, procurador e organização atuam para criar uma plataforma eleitoral paralela com políticos alinhados ao projeto de poder da "lava jato". 

A ideia era financiar e selecionar candidatos alinhados, além de atingir políticos considerados opositores. Entre as ações orquestradas está a que foi batizada de "plano Lula", que consistia em elaborar uma série de denúncias sem materialidade apenas para "detonar um pouquinho mais a imagem do 9". "Nove" era o apelido usado para se referir ao ex-presidente, em alusão ao fato do político ter perdido um dedo em um acidente de trabalho. 

As tratativas sobre a pretensão eleitoral da "lava jato" eram feitas em um chat batizado de "10M+ a vingança", que contava com a participação de procuradores e representantes da Transparência Internacional. Em diálogo de 17 de julho de 2017, o projeto é esmiuçado por Brandão. 

19:26:51 Bruno Brandão TI Transparência — Prezados, temos que nos atualizar sobre a reunião em SP para começar o planejamento da fase 2 do nosso projeto (campanha). Sugiro alguns tópicos: 1. Modelo de governança entre os convocadores/participantes/impulsionadores da campanha; 2. Dimensão "passado" do desafio (ficha limpa): definição de critérios e justificativas 3. Dimensão "presente" do desafio (campanha com criptomoeda): plano conceitual e executivo da plataforma/soluções tecnológicas 4. Dimensão “futuro” do desafio (compromisso com 10M+): definições de narrativas e apresentações do pacote Com tudo isso, acho que precisamos de, no mínimo, um dia inteiro. Posso pedir pra nossa equipe em SP organizar um local e, se acharem conveniente, algum facilitador profissional

15:19:18 Deltan — Caros, falei com Rogério Cheker do VPR. Cheker é um cara bem ponderado, ou ao menos, assim pareceu nas vezes em que eu falei com ele. Eles têm 2 iniciativas: 1) uma lista negra (nome politicamente correto: "tchau, queridos") de políticos em quem não votar. Vão usar instrumentos de mídias sociais para fazer divulgaçao geolocalizada (raio de 100km das cidades que são seus redutos eleitorais). 2) uma frente por renovação, sem protagonista, que aglutinará entidades da sociedade civil que concordem com uma AGENDA LIBERAL, de promoção do mercado e anticorrupção. Estão desenvolvendo a agneda e juntarão uma série de entidades que apoiarão candidatos com condições de se eleger e que se comprometam com a agenda. Farão divulgação geolocalizada. Agenda tem.

Transparência Internacional
Reportagem da Agência Pública publicada em setembro de 2020 mostrou como "lava jato" e TI atuavam conjuntamente. Em alguns casos, a organização blindava a atuação dos procuradores. 

O diretor-executivo da ONG, por vezes, defendeu os métodos da autodenominada força-tarefa em veículos de imprensa. Muitas dessas manifestações de apoio à "lava jato" foram diretamente pedidas por Deltan.

Além da blindagem midiática, o executivo da ONG chegou a opinar sobre o controverso projeto de uma fundação que seria criada com parte dos fundos recuperados da Petrobras e que teria os tarefeiros em seu conselho.

"Bruno, será que a TI conseguiria soltar algo (equilibrado, como sempre) sobre liberdade de expressão até a próxima segunda?", questionou Deltan em um dos trechos revelados. 

Rcl 43.007




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Revista Consultor Jurídico, 10 de março de 2021, 14h43

Comentários de leitores

11 comentários

Ao Lourenço Augusto Mello Dias (Advogado Assalariado - Civil

Afonso de Souza (Outros)

Ofereça esse doce aos outros 8 juízes que confirmaram a condenação proferida por Moro, rapaz.

Estranho (ou não?)

Afonso de Souza (Outros)

Muita gente apoiava a Lava Jato até o dia em que ela alcançou Lula e outros políticos graúdos. Desse dia em diante, esses apoiadores viraram críticos e inimigos da Lava Jato e ainda dizem que a operação era seletiva.

Vergonha!!!

Lourenço Augusto Mello Dias (Advogado Assalariado - Civil)

Uma afronta esses agentes do Estado querendo fazer política, querendo influenciar eleições...

Que isso??

Deviam ser todos afastados e punidos.

Relembrando, ante a imbecilidade e mentiras permanentes, os documentos obtidos no âmbito da operação Spoofing foram devidamente periciados pela Polícia Federal, convalidada pelo Ministro Lewandowski.

Além disso, por favor, é princípio legal já consabido, documento ilegal não pode ser usado para condenar, mas se presta a absolvição de réu.

Discordo

Afonso de Souza (Outros)

Vergonha é soltar o bandido e querer prender o xerife. Só falta agora pedirem que devolvam ao (s) bandido(s) o dinheiro roubado por ele (s).

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