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Posições públicas

Magistrada que mentiu sobre Marielle é eleita para Órgão Especial do TJ-RJ

Magistrada do TJ-RJ chegou a escrever que Guilherme Boulos deveria ser recebido 'na bala' depois do decreto do presidente Jair Bolsonaro que facilitou a posse de armas
Reprodução/Facebook

A desembargadora Maria de Castro Neves foi eleita para o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Por ter escrito que a vereadora Marielle Franco — assassinada em março de 2018 — "foi eleita pelo Comando Vermelho", a magistrada foi condenada a indenizar em R$ 6 mil cada um dos cinco membros da família que constam como autores de processo contra ela.

Formado por 25 desembargadores, o Órgão Especial do TJ-RJ irá julgar o senador Flávio Bolsonaro das acusações de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Além de acusar — sem nenhuma prova — Marielle Franco, a magistrada coleciona declarações polêmicas. Ela já escreveu mensagens de apoio ao então candidato Jair Bolsonaro em 2018 e, na última terça-feira (24/11), foi alvo de novo processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça.

Os conselheiros trataram de sete expedientes disciplinares. Em um deles, a magistrada postou uma imagem nas redes sociais dizendo que Guilherme Boulos será recebido "na bala" depois do decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que facilitou a posse de armas.

Em outro, ela ataca o próprio CNJ: "O CNJ impede o magistrado de prestar relevante serviço dentro de sua expertise. Quem perde, evidentemente, é o jurisdicionado, o cidadão. Enfim, isso é o CNJ".

A votação foi unânime. Os conselheiros concordaram com a corregedora Maria Thereza de Assis Moura, para quem as manifestações atacaram Boulos pessoalmente e, portanto, deveria haver revisão da decisão do TJ-RJ, que arquivou o processo disciplinar.

Sobre as declarações falsas sobre Marielle, a desembargadora chegou a divulgar uma nota reconhecendo que errou. Ela também afirmou à Folha de S. Paulo que desconhecia a vereadora do Rio de Janeiro até ler a notícia sobre o homicídio. O CNJ abriu investigação sobre essas declarações.

Em entrevista ao impresso no fim de janeiro, Jean Wyllys, reeleito deputado em outubro, disse que não iria tomar posse e deixar o Brasil, diante das ameaças que vinha recebendo. Uma das pessoas que ele diz contribuir para o clima de ódio e antagonismo que encontra nas ruas é a desembargadora.

Para ela, no entanto, a esquerda não tem senso de humor. Foi "brincadeira", disse a desembargadora à ConJur sobre seus comentários a respeito de Wyllys. Segundo o parlamentar, a magistrada disse num grupo no Facebook que ele deveria ser executado, por ser a favor de uma "execução profilática". "O problema da esquerda é o mau humor", se defendeu Marília.

Reclamação disciplinar: 0000273-42.2019.2.00.0000




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Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2020, 22h06

Comentários de leitores

3 comentários

Nada novo

AP Advocacia (Advogado Autônomo - Criminal)

Surpreso estaria eu se ela fosse punida pelo TJ/RJ. Como foi promovida ok, "tudo normal".

Depois que o TJ/SP arquivou mais de 40 representações contra o Siqueirinha, aquele desembargador que destratou o GM em Santos, querem o quê?

Magistratura, órgão corporativista que não tem a confiança da sociedade.

Alguma esperança?

Regina Moreira (Outros)

Podemos esperar algo do TJ/RJ? São tantas noticias de favorecimentos e venda de sentenças na mídia que uma notícia dessa só ratifica a linha da continuidade. Lamentável o descrédito do judiciário pelo cidadão. Pior que o que era pra levar a melhoria só se vê levar à impunidade.

Maximus!

Joro (Advogado Autônomo)

Excutiam Te omnes servi! Sumus corpus supremum ordinis.

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