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Eleições 2020

Segundo turno consolida derrota de Bolsonaro e PT

Se no primeiro turno das eleições municipais o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi considerado dos grandes derrotados, neste segundo turno, a esquerda foi quem não obteve resultados expressivos. O maior partido do campo político, o PT, venceu apenas 4 das 15 disputas em que participava. O Psol elegeu apenas o ex-prefeito pelo PT Edmilson Rodrigues, em Belém, mas perdeu por quase 20 pontos percentuais a capital paulista para o tucano Bruno Covas.

Prefeito Bruno Covas e governador Doria
Reprodução/Twitter

O partido do ex-presidente Lula, pela primeira vez desde 1985, não leva uma capital. Perdeu em Vitória e no Recife neste domingo (29/11). Das 15 disputas deste domingo, levou apenas por pequena margem Diadema (SP), Mauá (SP), Contagem (MG) e Juiz de Fora (MG).

Já o presidente Jair Bolsonaro viu o fortalecimento do governador João Doria (SP), seu atual desafeto, tendo o PSDB ficado com quase metade dos votos do eleitorado do estado mais populoso do país. Seu aliado Celso Russomanno (Republicanos) ficou em quarto lugar no primeiro turno. No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) teve pouco menos de 36% dos votos válidos diante de Eduardo Paes (DEM) 

Segundo o cientista político e professor da FGV Sérgio Praça, Bolsonaro se caracterizou ao longo de sua trajetória política como um outsider. "Nunca foi tradição do ex-deputado fidelidade partidária ou grande afinco por eleições majoritárias, a não ser a que ele disputou em 2018. Creio que sua situação não é tão desconfortável para uma tentativa de reeleição em 2022. Vai depender da fragmentação dos rivais. Vejo o campo da esquerda em situação mais delicada."

Em duas capitais nordestinas, siglas mais à esquerda obtiveram importantes vitórias. Na capital cearense, uma ampla aliança entre PDT, família Gomes, PT, entre outros, garantiu a eleição de José Sarto. Mas o triunfo em Fortaleza não foi tranquilo sobre Capitão Wagner, que obteve pouco mais de 48% dos votos.

No Recife, o clã Arraes fez um segundo turno tenso, de agressões verbais, e o filho do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em 2014, tornou-se o mais jovem prefeito de capital do país, ao bater a prima Marília Arraes (PT). João Campos, 27, obteve pouco mais de 56% dos votos válidos.

As mulheres, aliás, tiveram pouco brilho nesta eleição. Apenas Palmas (TO) reelegeu Cinthia Ribeiro (PSDB). A vice na chapa de Fernando Haddad (PT) nas últimas eleições presidenciais, Manuela d'Ávila (PC do B), acabou derrotada por Sebastião Melo na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre.

O cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, por outro lado, não considera o resultado um fracasso total do campo da esquerda. "Guilherme Boulos (Psol) ir ao segundo turno na capital paulista foi um fortalecimento, uma novidade. Mas o grau dessa competitividade em 2022 vai depender basicamente de dois fatores: o desempenho do governo Bolsonaro nos dois últimos anos de mandato e o grau de coordenação da oposição em diferentes estados, num momento em que a lei eleitoral vetou a coligação dos cargos majoritárias com os legislativos."

Cortez também não viu uma vitória da "moderação" sobre o "radicalismo". "A eleição municipal de 2020 foi basicamente a manutenção do status quo, não necessariamente de esquerda ou direita, mas em geral de nomes que davam sinal de continuidade."

A disputa deste domingo em 18 capitais foi de poucas surpresas, com a virada de candidatos que estavam em segundo lugar e acabaram vencendo a eleição apenas em Manaus, com David Almeida (Avante), Cuiabá, com a reeleição do atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), e JHC (PSB), que ficara em segundo no primeiro turno em Maceió, por diferença de pouco mais de mil votos.

No saldo de primeiro e de segundo turno, o MDB levou cinco capitais e o DEM e PSDB, quatro cada um.

Abstenção
O país registrou 29,5% de abstenções no segundo turno das eleições neste domingo, o maior índice desde 1996. Houve aumento consecutivo de abstenções no segundo turno das eleições municipais desde os anos 2000.

O ranking de ausências é liderado pelo pleito atual, seguido por 2016 (21,6%) e com 1996 na terceira posição (19,4%). Já em 2012, o índice foi de 19,1%.

Na capital paulista, a taxa de abstenções foi de 30,81% neste ano.

Veja aqui os prefeitos eleitos nas capitas
Veja aqui os prefeitos eleitos fora das capitais neste domingo




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Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2020, 20h48

Comentários de leitores

9 comentários

Senso de ridículo

Skeptical Eyes (Engenheiro)

Em geral suplicamos que as pessoas eleitas ajam com legalidade e bom senso. Ao contrário disso, traindo nossos votos o PR JB utiliza o seu maldizer e conclamar seus seguidores, subliminarmente, ao suicídio coletivo com suas bravatas negacionistas.
No entanto sua falta de senso de ridículo ainda assim poderia ser utilizada por ele para melhorar o país enfrentando certas questões que se tem como estabelecidas mas estas sem dúvida o atingiria em ricochete pois na área econômica, já que nosso preguiçoso legislativo sob a batuta de desidiosos líderes não abraça a causa.
Por exemplo: a desindexação total e geral da economia(impostos, contratos, financiamentos diversos. etc. ) desarmando a bomba de efeito retardado armada por Roberto Campos (o avô) e Golveia de Bulhões . RC chegou a afirmar que estava arrependido do que fizera. Estamos numa fase excelente para desindexar tudo pois a inflação está baixa mas nem se fala no assunto .
Enquanto isso comentaristas econômicos que parecem não saber que não estamos mais na época de Adam Smith desconhecendo a diversidade de meios de pagamento já pregam, pagos por quem não sei, o aumento da taxa Selic sob o falso argumento de combater a inflação.
O Brasil está com um cardume enorme de traíras e a falta de senso de ridículo e a coragem que ainda tem o PR JB poderia dar um basta no cardume de piranhas que se fartam nas desgraças alheias deixadas pelo cardume de traíras.
E daí? Que se danem os escravocratas.

Brasil

Glaucio Manoel de Lima Barbosa (Advogado Assalariado - Empresarial)

No meu sentir o BRASIL perdeu milhões do Fundo partidário gasto com patetas que devia ter sido destinado a saúde, porém, os Senhores "feudais" não aceitaram. O Presidente não foi cabo eleitoral de nenhum partido e sim, como magistrado ficou olhando a "maçaranduba do tempo".

Fundo partidário combate o elitismo

Adir Campos (Advogado Autônomo - Administrativa)

1. O Fundo Partidário foi criado justamente para dar mais igualdade e equilíbrio entre os partidos e seus candidatos, aplainando o desequilíbrio causado pelo poder econômico privado.
2. Se não fosse essa e outras medidas inibitórias do poder econômico privado, por exemplo, proibindo doações ilimitadas aos candidatos, somente candidatos ricos ou financiados pelos ricos ocupariam o poder político, como era no passado, e como ainda funciona nos EUA.
3. Em um singelo juízo de proporcionalidade, se a verba que compõe o fundo (cerca de R$ 2 bilhões), como as multas eleitorais, por exemplo, fossem destinadas à saúde, educação, etc, não pesaria praticamente nada em um orçamento que ultrapassa a casa do trilhão. Representaria algo não muito maior do que 0,1%. Em compensação, o efeito positivo da verba para financiar partidos e candidatos sem recursos teria um peso bem maior. E, de fato, muitos bons candidatos foram eleitos sem recursos próprios ou doações de ricos para financiar suas campanhas.
4. Conclui-se, portanto, que atacar o fundo é um ato que visa, ainda que inconscientemente, prejudicar candidatos oriundos das camadas populares e favorecer candidatos ricos, que não precisam desse dinheiro. Portanto, é uma medida de perfil elitista e antidemocrática.

então...

WLStorer (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Milhões do Fundo Partidário a candidatos que sequer tiveram o seu próprio voto registrado na urna, ou seja, parece que o "Fundo Partidário foi criado justamente para dar mais igualdade e equilíbrio entre os partidos e seus candidatos", bem como, em especial, justamente também, como não poderia ser diferente, para muitas outras coisas.

Então ... (2)

Adir Campos (Advogado Autônomo - Administrativa)

WLStorer, se os desvio de finalidade fosse argumento para extinguir o fundo partidário, então também deveria ser argumento para extinguir as verbas destinadas à saúde, à educação à segurança pública e demais serviços públicos, pois em todos esses você sabe muito bem que também ocorrem desvios de destinação.

Discordo do dito por Gláucio e concordo com Adir em parte

Skeptical Eyes (Engenheiro)

Podemos dizer que a maioria da população tem um aprelho de TV funcionando e se não pode assistir na padaria ou bar da esquina.
Isto posto as TVCâmara, TVSenado e a TVJustiça assim como todas as TV´s educativas estatais deveriam por força de lei transmitirem as campanhas dos partidos em tempo integral no período pré eleitoral.
Outra medida seria a modificação da Constituição acabando com a obrigatoriedade do voto que leva milhões a fazerem mal feito aquilo que fazerem contra sua vontade.
Voto obrigatório não pode ser reconhecido como direito do cidadão enquanto estiver obrigado a votar .
Exemplo: você acerta as seis dezenas na Mega .
Não seria cômico alguém lhe dizer que estaria obrigado a receber a bufunfa?
Logo obrigando o cidadão ir votar para muitos não passa de "encheção de saco", pois lhes foi vendida a imagem de algo obrigatório e não remunerado e de benefícios invisíveis.
Devemos mudar isso com o fim do voto obrigatório e ampla divulgação da importância dele. Iria quem quisesse para fazer bem feito.
Aos poucos poderiam-se reduzir as verbas para pagamento de campanhas e evitar desvios mas nunca deixar empresas nem particulares as financiarem.

Fim do PT

Professor Edson (Professor)

Fica evidente e consolidado uma coisa, o maior cabo eleitoral do Bolsonaro sempre foi o PT com Lula, e colocando na balança um partido que foi considerado o mais poderoso da América latina, um colosso que hoje amarga o fato de não governar nenhuma capital pela primeira vez, comparações com o Deputado extremista de segundo classe, hoje PRESIDENTE DO BRASIL... são surreais, fica claro que a derrota maior é do ex líder máximo do socialismo partidário latino, hoje simplesmente um partido MORTO em nítida DECOMPOSIÇÃO, já o deputado extremista de segunda classe tem ainda dois anos para tentar reverter a sua esperada derrota em 2022.

Comentário

Afonso de Souza (Outros)

Concordo...
Razão pela qual a derrota do PT (mais meios, mais ambições) foi muito maior.

Esse título menciona derrota do Bolsonaro á troco de quê?

Adriano Barbosa de Oliveira (Administrador)

Extremista? bom, vou olhar pelo lado bom, a exemplo de um pai, que é um bom pai ao extremo, ou uma super mãe ao extremo. Agora, extremista radical, nosso presidente esta longe de ser. Mas bem que deveria ser um, afinal, pra quem viu um hoje um GCM portando fuzil em Cotia, pode se esperar que o mal maior está porvir. Temos aos montes: traficantes, estelionatários, estupradores, e criminosos diversos, uma justiça desencarceradora, um bando de vagabundos, torcidas organizadas se aliando á partidos socialistas e liberais e por ai adiante. Vamos ver até onde isso chegará. Obs: Bolsonaro 2022 na certa.

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