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Lamentável o país ter ficado refém de um PGR com impulsos homicidas, diz Gilmar

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"Dadas as palavras de um ex-procurador-geral da República, nada mais me resta além de lamentar o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas. Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País. Recomendo que procure ajuda psiquiátrica." 

As declarações são do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em relação às falas do ex-PGR Rodrigo Janot, que afirmou que queria matá-lo. 

Lamentável o país ter tido um PGR com impulsos homicidas, diz Gilmar em relação a Janot

Segundo Gilmar, o combate à corrupção no Brasil — justo, necessário e urgente — tornou-se refém de fanáticos que nunca esconderam que também tinham um projeto de poder. "Dentro do que é cabível a um ministro do STF, procurei evidenciar tais desvios. E continuarei a fazê-lo em defesa da Constituição e do devido processo legal", disse. 

Na nota, Gilmar afirma que vai continuar a defender a Constituição e o devido processo legal. "Confesso que estou algo surpreso. Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Agora ele revela que eu corria também risco de morrer."

Para Gilmar, se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a "tais tentações tresloucadas", "imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do país". 

Revelação
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse nesta quinta-feira (26) ao Estado de S.Paulo que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, chegou a ir armado para uma sessão do STF com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar. “Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar”, afirmou Janot.

Leia a íntegra da nota de Gilmar:

Dadas as palavras de um ex-procurador-geral da República, nada mais me resta além de lamentar o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas, destacando que a eventual intenção suicida, no caso, buscava apenas o livramento da pena que adviria do gesto tresloucado. Até o ato contra si mesmo seria motivado por oportunismo e covardia.

O combate à corrupção no Brasil — justo, necessário e urgente — tornou-se refém de fanáticos que nunca esconderam que também tinham um projeto de poder. Dentro do que é cabível a um ministro do STF, procurei evidenciar tais desvios. E continuarei a fazê-lo em defesa da Constituição e do devido processo legal.

Confesso que estou algo surpreso. Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Agora ele revela que eu corria também risco de morrer.

Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País.

Recomendo que procure ajuda psiquiátrica.
Continuaremos a defender a Constituição e o devido processo legal.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 27 de setembro de 2019, 9h08

Comentários de leitores

7 comentários

Gilmar escreveu isso olhando para o espelho...

Dazelite (Administrador)

...nada mais.

Novidade

olhovivo (Outros)

Membros do MPF praticavam (e praticam) assassinatos da dignidade alheia (em entrevistas coletivas contra investigados antes do devido processo legal e sentença condenatória), com ares teatralizados de circunspecção, isso era público e notório. Agora, assassinatos físicos?, isso é novidade. E o cara era chefe dessa triste instituição, que abriga uns que fazem chacotas da morte de crianças e idosos... "Vade retro satana"

Vindo a desnudo

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

De início, minha solidariedade a Rodrigo Janot, desejando-lhe votos de bom ânimo e plena recuperação do equilíbrio, o que certamente ocorrerá. Por outro lado, vejo que Janot com suas sinceras declarações prestou no atual momento um dos mais relevantes serviços à Nação brasileira. Explico. Instituições são formadas por homem. E homens, em menor ou maior escala, são falhos. No entanto, alguns possuem uma forte vocação para esconder seus erros, suas falhas, suas limitações humanas e inclinações ao mal, fazendo nascer nas pessoas menos conhecedoras da natureza humana a ideia de que são melhores, que são incorruptíveis, não sujeitos a errar. Foi o que ocorreu com a chamada "Força Tarefa da Lava Jato", que criou ao redor de si uma aura de suposta superioridade, que nunca existiu: os envolvidos são pessoas comuns, com erros e acertos como todos os demais. Ao vir a público lançar essas declarações, que naturalmente terão grande alcance na sociedade, Janot deixa a desnudo que os membros do Ministério Público, apesar do esforços deles todos em criar uma imagem de incorruptibilidade, são pessoas comuns, sujeitas a erros e a desvios. Resta derrubada, para o bom entendedor, a ideia de infalibilidade que os envolvidos com a "Lava Jato" tentaram, sem sucesso, criar no sentimento coletivo da Nação.

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