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"Cenoura ou porrete"

Moro diz que empresário precisa lucrar com sistema prisional brasileiro

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Ministro disse que sistema prisional é oportunidade de lucro para empresários
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, decidiu subir o tom ao tratar da questão dos presos integrantes de facções criminosas.

Durante palestra no Fórum de Investimentos Brasil, evento promovido pela Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), disse que os presos têm que fazer uma escolha básica entre “cenoura ou porrete”.

A declaração foi dada quando ele tratava da redução de benefícios de progressão de pena para presos que integram facções criminosas e faz parte do “pacote anticrime” enviado pelo Ministério da Justiça ao Congresso Nacional em janeiro deste ano.

Além de endurecer o discurso, o ex-juiz da "lava jato" criticou a ação de improbidade do Ministério Público Federal no Pará, que obteve liminar para afastar do cargo de coordenador da intervenção federal em presídios no estado, Maycon Cesar Rottava.

A ação do Ministério Público Federal do Pará conta com a assinatura de 17 dos 28 procuradores da República que atuam no estado e aponta que as torturas vão do empalamento à perfuração dos pés dos presos por pregos. Além dos procuradores, foram recolhidos testemunhos de presos e de agentes penitenciários.

Na última terça-feira (8/10), o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão subordinado ao Ministério da Justiça, divulgou uma nota em que diz que não reconhece as acusações de tortura generalizada durante o emprego da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) em 13 prisões no Pará.

Mercado do cárcere
Durante a palestra desta sexta, Moro também defendeu a participação do setor privado no sistema prisional brasileiro. Afirmou que os investimentos no sistema oferecem uma oportunidade de lucro para o  empresários.

“Nós precisamos do investimento privado para várias iniciativas e passamos a identificar aqueles setores em que o investimento privado possa agregar. Para que isso seja possível, é preciso conciliar o interesse do governo com o interesse do empresariado. O empresário não vai realizar o investimento se ele não tiver o retorno, se não tiver o lucro. Nós analisamos que isso é bastante possível”, disse.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 11 de outubro de 2019, 19h59

Comentários de leitores

4 comentários

Pacote antifascismo

Guilherme G. Pícolo (Advogado Autônomo - Civil)

Também precisamos urgentemente de um pacote de lei antifascismo, contra gente que se insurge contra os direitos fundamentais, as instituições democráticas e a ordem constitucional sob o pretexto de "tolerancia zero ao crime", que, no Brasil, significa tolerância zero somente contra os crimes dos inimigos políticos e, de lado oposto, condescendência com os crimes dos partisans et famiglia...

22% de redução de mortes violentas ...

Paulo H. (Advogado Autônomo)

... esse ministro é mesmo um horror!
De resto, alguém poderia imaginar a participação de empresas nesse setor por caridade?

666

José R (Advogado Autônomo)

Seu número é 666!
(vide decreto de expulsão de estrangeiros e todo o resto da obra)

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