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Desembargador Thompson Flores diz não ser suspeito para julgar Lula

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O desembargador Thompson Flores, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, não acolheu pedido de suspeição feito contra ele pelo ex-presidente Lula, no processo do sítio de Atibaia. O julgador foi um dos membros da turma que confirmou a condenação do petista na segunda instância. 

Desembargador Thompson Flores diz que sua admiração pelo modo de trabalho de Sergio Moro não o impede de julgar LulaPaula Carubba/Anuário da Justiça 

Uma das alegações da defesa de Lula é que Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que recebeu uma ligação de Flores dizendo para não soltar o ex-presidente — no dia em que o desembargador Rogério Favreto determinou a soltura do petista. 

Segundo Thompson Flores, não houve ordem por telefone, tendo apenas dito que despacharia dentro de alguns minutos. 

A defesa de Lula também afirma que as demonstrações de apreço de Flores pelo juiz Sergio Moro e seu modo de trabalhar demonstram que há suspeição no caso. 

Porém, o desembargador afirma que essa consideração pelo modo como Moro trabalhava não carrega em si nenhum juízo de valor quanto ao mérito do caso. 

"Houve a manifestação de apreço com a técnica jurídica adotada pelo órgão julgador responsável pela condução daquele processo — sem pronunciamento acerca da valoração atribuída por aquele órgão julgador aos elementos cognitivos daqueles autos (mérito); e manifestação acerca dos julgamentos possíveis àquela pretensão deduzida — juízo de procedência; juízo de improcedência; e declaração de nulidade processual", afirma. 

Clique aqui para ler a decisão. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 10 de julho de 2019, 12h52

Comentários de leitores

5 comentários

Suspeição evidentemente inexistente

Marcelino Carvalho (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

A resposta do magistrado demonstra, com os fatos, que não existe suspeição nenhuma.

Elogiar a qualidade técnica de uma sentença - no sentido de a mesma incluir os argumentos de acusação e defesa, as provas de acusação e defesa e o entendimento do magistrado (e os fundamentos que achou pertinentes) quanto a aplicação da lei ao caso concreto - não significa concordar com a decisão a que chegou a sentença.

Conheço vários acórdãos em que desembargadores ou ministros elogiam bastante a sentença ou o acórdão recorrido (as vezes até elogiam o "saber jurídico" do juiz), mas discordam de suas conclusões, decidindo reforma-la.

o suspeito se declarando insuspeito

Júlio SantosAdv (Advogado Autônomo - Criminal)

talvez não exista instituição mais corporativista do que a magistratura, isso talvez explique 2000 juízes assinando em baixo as barbaridades que o juiz vaza áudio moro cometeu. Tem que mudar cpp e cpc : exceção de suspeição não pode ser apreciada por quem se está dizendo suspeito. tem que colocar três julgadores SUPERIORS ao suspeito para julgar. Com possibilidade de recurso até o STF.

Chico é francisco

José R (Advogado Autônomo)

Isso mesmo, esclarecer de todos os lados, e sem combinar antes o resultado com o Russo hein?

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