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Procurador da "lava jato" deve parar de criticar políticos e partidos, diz CNMP

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A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público recomendou ao procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da “lava jato” no Paraná, que deixe de expressar opiniões sobre políticos, partidos e investigados pela operação. O objetivo é preservar “a integridade, a solidez, a isenção e a credibilidade como valores” de integrantes do MP.

A recomendação se deu em reclamação disciplinar movida pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. De acordo com o petista, Santos Lima quebrou o decoro da profissão e violou a honra e a imagem dele ao criticá-lo em sua página no Facebook, por duas vezes, em junho.

No primeiro dos textos, o procurador explicou como, no âmbito da “lava jato”, havia diversas organizações criminosas parcialmente autônomas. Assim, segundo ele, existia o grupo do PT, o do PMDB no Senado, o do PMDB na Câmara dos Deputados, entre outras. E a do PT, conforme Santos Lima, era comandada por Lula.

“Assim, por exemplo, Alberto Youssef tinha sua própria organização criminosa, com objetivos, permanência e pessoal. Entretanto, essa organização prestava serviço de lavagem de dinheiro àquela do Partido Progressista essencialmente, mas também eventual serviço para as organizações criminosas das empreiteiras. Assim, Alberto Youssef era sob um aspecto líder, mas sob outro, subordinado. Mas a própria organização criminosa dentro do Partido Progressista era subordinada a outra maior, dentro do governo do PT, cujo ápice estava o ex-presidente Lula”, opinou.

Na segunda publicação, o procurador da República disse que o ex-presidente usa a estratégia de acusar os integrantes da força-tarefa da “lava jato”. “Temer foi leviano, inconsequente e calunioso ao insinuar recebimento de valores por parte do PGR. Já vi muitas vezes a tática de ‘acusar o acusador’. Lula faz isso direto conosco. Entretanto, nunca vi falta de coragem tamanha, usando de subterfúgios para dizer que não queria dizer o que quis dizer efetivamente. Isso é covardia e só mostra que não tem qualificação para continuar no cargo.”

Porém, o promotor de Justiça de Goiás Lucas Danilo Vaz Costa Júnior, auxiliar da Corregedoria do CNMP, entendeu que não houve, nos textos de Carlos Fernando dos Santos Lima, manifestação de preferência ou ojeriza dirigido especificamente a um político ou partido. Assim, ele não exerceu atividade político-partidária, prática proibida a integrantes do MP, avaliou Costa Júnior.

Além disso, o membro da Corregedoria apontou que o procurador da “lava jato” não usou palavras ofensivas contra Lula. Logo, não agiu com falta de decoro. Os textos de Santos Lima, para Costa Júnior, configuram “exercício legítimo e constitucional da manifestação do pensamento, sem o condão de atacar, de forma dirigida e pessoal, o reclamante [Lula]”.

Ainda assim, o auxiliar da Corregedoria do CNMP afirmou ser “oportuno e necessário” recomendar ao procurador da República que “se abstenha de emitir juízos de valor, por meio de redes sociais e na esfera privada, em relação a políticos, partidos políticos e pessoas investigadas e/ou acusadas pela referida força-tarefa, fundamentalmente em ordem a preservar a integridade, a solidez, a isenção e a credibilidade como valores reitores no escorreito exercício das funções ministeriais”.

Na visão de Costa Júnior, essa medida tem especial relevância devido ao fato de Santos Lima atuar na “lava jato”, o que também lhe dá mais visibilidade.

Clique aqui para ler a íntegra da decisão.
Reclamação Disciplinar 1.00659/2017-01

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 3 de janeiro de 2018, 17h03

Comentários de leitores

9 comentários

Razão da incongruencia da manchete com o texto da materia

Silva Cidadão (Outros)

A incongruência da manchete da matéria, em relação ao texto da matéria, só pode se explicar, pelas relações das pessoas, apontadas pelo jornalista Luis Nassif no link abaixo em 18/09/17. Acesse e leia se há alguma novidade.
https://jornalggn.com.br/noticia/agencia-publica-expoe-relacao-de-gilmar-e-dono-do-conjur-com-patrocinadores

Juízes e Procuradores, devem falar somente nos autos

Carlos Castilho Alves (Advogado Assalariado - Civil)

Ainda que a manchete não corresponda ao conteúdo, o que importa é a mensagem. Todos entenderam o que queria informar. Basta. O resto é procurar pelo em ovo. Quanto ao dito procurador da lava-jato, deve ser invocada a máxima: "à mulher do rei, não basta ser honesta, tem de parecer honesta". Que exerce funções de estado deve manter-se nos limites da decência. Não é ilegal procurado manifestar-se sobre pessoas e inquéritos em que atua, mas a decência recomenda que se evite. Se ele - procurador - e o juiz moro não estão satisfeitos com o que fazem, com certeza a globo os contratariam, porque nem artistas gostam tantos dos holofotes como esses dois. Se eles forem, por certo Gilmar Mendes não ficará no STF.

Conexão

Silva Cidadão (Outros)

O título desta matéria, incongruente , de fato, com o texto, só se explica pela CONEXÃO DIRETA COM AQUELA PUBLICADA SOBRE OS PARCEIROS DO IDP no JORNAL "GGN" pelo jornalista LUIS NASSIF EM 18/09/17. Acesse a publicação no Link do jornalggn.com.noticia/agencia- publica-expõe-relação-de Gilmar e dono do Conjur com patrocinadores do IDP.

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