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"Lava jato" devolveu democracia aos brasileiros, diz cientista político

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A operação “lava jato” devolveu aos brasileiros o sentido da democracia após o “deserto” criado pela falta de legitimidade representativa da classe política, na opinião do cientista político e especialista em segurança pública Luiz Eduardo Soares. Por esse motivo, a operação que investiga fraude em contratos e desvio de verbas da Petrobras tem grande apoio da opinião pública.

“O que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal fizeram foi dar sentido e conteúdo democrático a boa parte das virtualidades e energia desprendida em 2013 e 2014”. Ele se referiu às manifestações de 2013 e à polarização ocorrida durante a eleição que elegeu a presidente Dilma Rousseff. “Por isso essa dose de afeto e paixão que se deposita na operação”, disse, durante palestra nessa terça-feira (28) em evento promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público que debateu a experiência italiana no combate à corrupção com a mãos limpas e as perspectivas da “lava jato”. 

Um exemplo do sucesso da operação na opinião pública, segundo o coautor da série de livros Tropa de Elite, foi um vídeo a que assistiu recentemente no YouTube em que milhares de jovens ovacionavam o juiz federal Sergio Moro em um festival de rock. O fato, para ele, tem um significado histórico porque revela que o Brasil vive um momento “precioso” e “cheio de potencialidade”. Soares classificou Moro como “um herói popular”.

O cientista político elogiou a virada da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, de permitir a prisão após uma decisão de segunda instância. Ele avalia que a mudança significou uma “aposta” e “investimento” de confiança do STF na “lava jato”. “Se não houvesse essa virada, talvez a operação não avançasse com tanta celeridade.” 

Durante a palestra, Soares fez uma homenagem ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que estava na plateia do auditório do Ministério Público Militar, em Brasília, onde ocorreu o evento. Falou que o nome do PGR “pesa” e “significa” muito para o combate à corrupção e o crime organizado atualmente no Brasil. Contou uma história que provocou risos do público para exemplificar esse respeito. Disse que sua mulher ficou preocupada ao saber que ele tinha recebido uma carta assinada por Janot. “Você nunca teve negócios com a Petrobras”, teria dito a mulher, segundo Soares, que explicou para ela que se tratava só de um convite para participar do evento. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 29 de junho de 2016, 20h41

Comentários de leitores

2 comentários

Viva a Republica de Curitiba

hammer eduardo (Consultor)

O Professor Soares é pessoa de fama ilibada no Rio de Janeiro e sua opinião pessoal sobre o lamaçal sem fim tem bastante peso.

Reparem no que sai na grande Imprensa que se , ninguém colocar as patas sujas na Operação Lava Jato , teremos talvez uma oportunidade única de tentar transformar um pouco dos escombros que transformaram o Brasil em algo vagamente parecido com um Pais.
Não interessa a cor dos envolvidos a nível de ideologia , TODOS tem que ser julgados e as penas cumpridas em sua INTEGRIDADE sem essa vagabundagem consentida de "novos entendimentos" e prisões domiciliares de ladrões de alto coturno.
O que aconteceu esta semana de um dito Ministro do STF liberar um amigão dos tempos de petralhismo é uma escarrada na cara da População que a tudo assiste apostando suas ultimas moedas em algo que ainda não se mostrou em definitivo.
Uma necessidade de primeira hora seria acabar com este CIRCO de "foro privilegiado" e prisão especial , tem que jogar na cela comum junto a outros vagabundos de infinita menor periculosidade já que no seu dia a dia não atingem tantas pessoas como estes calhordas agregados ao podre poder. A "liberação" esta semana do ex-ministro somente por acaso casado com uma senadora petralha já da engulhos e vontade de vomitar pois aquele farsante de barba sequer ruborizou quando deveria de pronto ter se declarado "impedido" como ocorre em Países de verdade. Não esqueçam que dos 11 Ministros daquela Corte , a petralhada imunda nomeou 8 e não foi por um belo curriculum e sim para "pavimentar" a solução de eventuais problemas futuros que agora se apresentam de forma preocupante , para eles é claro. Paiszinho nojento.

Prisão e Democracia - Igreja e Impunidade

J. Ribeiro (Advogado Autônomo - Empresarial)

É preciso dar respaldo político as ações de investigação criminal do MPF e PF, bem como as decisões judiciais da então chamada "república de Curitiba". Servirá de exemplo e coragem para ações pelas demais instituições.
Desde que afaste, com algumas exceções, o STF dessa questão (o abrandamento das penas e punições dos facínoras de recursos públicos), poderá o seu desfecho gerar um efeito positivo para a sociedade. O ideal seria a criação de uma nova Constituinte, pois a que ai está manterá um governo sem autoridade, cidadãos e servidores com muitos direitos e privilégios, sem deveres e obrigações (corporativismo exacerbado e o lobismo escancarado). É preciso mudar radicalmente e com urgência, sob pena do caos político, econômico e jurídico ser mantido. Isto é um verdadeiro mundo cão.

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