Consultor Jurídico

Colunas

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Coluna do LFG

Europa tem mais carros e mata menos no trânsito

Por 

Enquanto as mortes no trânsito voltaram a aumentar no Brasil, atingindo um crescimento de 3,5% entre 2009 e 2010, na União Europeia a taxa média anual de redução do número de mortes se aproxima de 5% ao ano (período de 2000-2009).

Espantosamente, em números absolutos, a Europa possui aproximadamente cinco vezes mais carros que o Brasil e ainda assim mata menos no trânsito!

Em 2010 chegamos ao total de quase 39 mil mortes no trânsito, enquanto a estimativa para a União Europeia é de 32.786 mortes.

Entre os anos de 2000 e 2008 o Brasil teve um crescimento de 32% nas mortes no trânsito, com um ritmo de crescimento de 2,9% ao ano; ritmo que estatisticamente nos permite afirmar que em 2060 o Brasil alcançará 173 mil vítimas fatais, totalizando um aumento de 496% em relação ao ano de 2000.

Se considerarmos então o novo crescimento, entre 2009 e 2010 (3,5%), a situação tende a ser ainda mais drástica.

Ao mesmo tempo, na Europa, o número de mortes viárias que era de 54 mil em 2001 diminuiu para 34.500 no ano de 2009.

Essa disparidade se justifica pelo programa de educação e conscientização no trânsito que ajuda a União Europeia a alcançar um índice de redução anual bastante significativo (5%), desde o final da década de 1990.

E se esse ritmo europeu permanecer estável nos próximos 50 anos, estima-se que em 2060 o número de vítimas fatais na Europa cairá para aproximadamente 2.500, totalizando uma redução de 95% em relação também ao ano de 2000.

Tudo porque as campanhas de segurança viária nos países europeus vêm se utilizando de métodos inovadores e interessantes, investindo fortemente em vídeos publicitários chocantes que parecem realmente tem despertado a população.

Outra novidade são os controladores viários, que se diferem dos radares comuns porque não apenas medem a velocidade instantânea do veículo, possibilitando que o motorista a dissimule, mas calcula sua velocidade media enquanto trafega entre dois pontos distintos.

Esses métodos contribuem de forma significativa para a constante redução do número de mortes no trânsito europeu e devem servir de exemplo para o Brasil quando da implementação de sua política estrutural de segurança viária, tão necessária e urgente.

Somente com investimentos maciços em educação, engenharia, fiscalização, primeiros socorros e punição (EEFPP) é que o cenário brasileiro pode se alterar.

** Mariana Cury Bunduky é advogada e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

 é doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri e mestre em Direito Penal pela USP. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), juiz de Direito (1983 a 1998) e advogado (1999 a 2001). É autor do Blog do Professor Luiz Flávio Gomes.

Revista Consultor Jurídico, 1 de setembro de 2011, 12h35

Comentários de leitores

3 comentários

CHEGAREMOS LÁ....

Ademilson Pereira Diniz (Advogado Autônomo - Civil)

Data vênia, um estudo (!!???) que absolutamente não leva a nada: é a comparação de situações incomparáveis, teno por móvel comum tão somente o uso dé automóveis...muito pobre. O processo civilizatória na Europa é (ou foi) outro, sem considerar que há várias EUROPAS, como há vários BRASIS. Parece que no BRASIL quer se culpar tão somente o motorista pelos acidentes no trânsito, hoje quase considerado como um INIMIGO PÚBLICO, e se desconsidera a precariedade da sinalização nas vias urbanas e estradas, a qualidade mesmo das estradas (não falo somente dos "buracos", mas de sua própria concepção, obras de engenharia chinfrim que seriam reprovadas na "EUROPA" ou EEUA), limites de velocidades que têm em vista as mesmas medidas (KM) de segurança da década de 50, do século passado (80 km. na maioria das rodovias)ignorando as novas tecnologias incorporadas aos veículos que, hoje, em mesmo em velocidades maiores oferecem mais seguranças que os daquela época, etc. Se for para comparar, devemos mirar outros progressos vistos na EUROPA, e não ficar com esse complexo de inferioridade comparando grandezas distintas --- aliás, acho que o número de fatalidades no trânsito no BRASIL, é ainda baixo se se considerar que só há muito pouco tempo abandonamos o trasporte à base de tração animal (carroça de burros, cavalos e carro-de-boi). Quanto à EUROPA, ainda CHEGAREMOS LÁ!

Comparativo

Flávio Souza (Outros)

No meu ponto de vista as informações estão incompletas, até porque a Europa não é um país, portanto, não vejo como lançar uma comparação com o Brasil que tem aprox. 192 milhões de pessoas para qual número de veículos automotores (motos + caminhões + ônibus + carros leves e semi-leves). Quanto as multas, creio que é um meio legal e tb educativo. A pessoa quando não respeita a lei a que ser penalizada pelo bolso, no caso, a multa. Agora, as sinalizações de trânsito no Brasil é uma aberração, seja nas vias urbanas quanto nas rodovias/estradas, sem falar na sofrível malha viária nalguns trechos Brasil afora. Ha, faltou falar ainda na educação dos pedestres e ciclistas. Será que eles tb respeitam o trânsito? No todo não.

P/ O GOVERNO, O NEGÓCIO É ARRECADAR.

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Para o que se propõe a política de 'segurança no trânsito' aqui no Brasil,(MERA ARRECADAÇÃO POR MEIO DE MULTAS) os padrões de acidentes até que são coerentes. É a contrapartida entre o "custo X benefício" (maior arrecadação implica na instalação de radares camuflados,limites de velocidade incoerentes , sinalização imprópria e ardilosa) e isso envolve um risco maior, aumentando o número de ocorrências. Contudo, no cômputo final, compensa. Afinal, o que se quer é RECEITA.

Comentários encerrados em 09/09/2011.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.