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Tiroteio nas redações

Caiu o tabu: jornalista agora processa jornalista

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Jornalista sempre falou mal de jornalista. Mas sempre pelas costas. O corporativismo nunca permitia que as brigas passassem das maledicências de um editor contra o outro, proferidas na intimidade das redações. Ultimamente este cenário vem mudando. O bate-boca editorial ganhou as páginas de jornais e as linhas dos blogs e foi parar nas barras dos tribunais. Não é que tenha crescido o número de ações de entre colegas, mas caiu o tabu de que jornalista não processa jornalista.

Primeiro foi Milton Neves contra Jorge Kajuru, dois polemistas da imprensa esportiva. Depois foi todo mundo contra Milton Neves e contra Kajuru. Em seguida a bola saiu da área esportiva. Todo mundo contra Diogo Mainardi, o Milton Neves da grande imprensa.

E mais Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Franklin Martins, Leonardo Attuch,— todos soltaram o verbo e dispararam ações na Justiça contra coleguinhas.

O colunista da revista Veja, Diogo Mainardi é o preferido para criar e ser desafeto de jornalistas. Sua mais recente condenação aconteceu em novembro do ano passado. Junto com a Editora Abril, foi condenado a pagar R$ 35 mil de indenização por danos morais para o jornalista Mino Carta, que é dono da revista CartaCapital.

Mainardi escreveu em sua coluna na revista Veja que Mino Carta era subordinado a Carlos Jereissati para fazer reportagens contra Daniel Dantas. Além disso, afirmou que Mino se equipararia aos “mensaleiros”.

Mainardi disse também que em CartaCapital havia mais anúncios do governo do que da iniciativa privada, o que configuraria dependência. A condenação do colunista foi imposta pela juíza Camila de Jesus Gonçalves Pacífico, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, em São Paulo.

Mainardi é processado também pelo jornalista Paulo Henrique Amorim por injúria e difamação. Amorim se sentiu ofendido por texto publicado pelo colunista da Veja na primeira semana de setembro de 2006.

No artigo intitulado A voz do PT, o colunista associa Paulo Henrique Amorim ao lulismo que, segundo Mainardi, “tomou a Brasil Telecom de Daniel Dantas”. “Paulo Henrique Amorim e Mino Carta se engajaram pessoalmente na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”, escreveu Mainardi.

Não é só isso.

Daniel Dantas está mais para banqueiro do que para jornalista, embora se especule que ele estaria interessado em entrar em campo com a aquisição da revista IstoÉ. Mas mesmo antes de se sentar na cadeira de editor — se é que isto vai mesmo acontecer — Dantas se tornou o pivô de seguidas intrigas editoriais.

Em torno dele gira boa parte das contendas provocadas por Mainardi e por causa dele, a Veja também foi condenada a pagar R$ 17,5 mil de indenização por danos morais ao jornalista Leonardo Attuch, da revista IstoÉ Dinheiro. A determinação foi do juiz Régis Rodrigues Bonvicino, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, São Paulo.

Motivo: a revista publicou texto, em 22 de fevereiro de 2006, afirmando que Attuch era “negociante de notícias”, “pessoa fraudulenta”, “autor de um livro indecoroso” e “quadrilheiro”.

“O fato de Attuch ser mencionado em processos, como por exemplo, nos da empresa Kroll, não autorizam a ré a qualificá-lo como negociante de notícias, pessoa fraudulenta, autor de um livro indecoroso e quadrilheiro porque a revista Veja, com todo o respeito, não é o Supremo Tribunal Federal do país e tampouco tem qualquer jurisdição”, disse o juiz.

Defesa pessoal

Embora também não seja jornalista, foi no cargo de quem tem por obrigação lidar com a imprensa que Luiz Gushiken resolveu encarar uma briga com vários e destacados profissionais da mídia. Ao tempo que era secretário de Comunicação do governo Lula, Gushiken pediu ao diretor da Polícia Federal para investigar jornalistas que têm o mau hábito de publicar notícias que não são de seu agrado. O pedido foi reiterado no mês passado, quando ele já havia deixado o cargo. A PF não só confirmou o recebimento do pedido como informou que já há um delegado investigando jornalistas sobre a suposta operação em curso que “envolveria escutas ilegais e divulgação de informações falsas, com a finalidade de atingir a honorabilidade” da pessoa do ex-ministro.

As informações e a correspondência à PF foram divulgadas pelo site Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim. Entre os profissionais acusados por Gushiken estão Leonard Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi. Os três são alvos de ação judicial.

Gushiken processa Lauro Jardim por ter publicado na coluna Radar a seguinte nota: “Gushiken revelou-se requintado... serviu-se de uma garrafa de Grand Vin de Chateau Latour, safra 1994, um tinto apreciadíssimo. Depois, o “China” acendeu um charuto cubano... Total da brincadeira: 3.500 reais. A conta foi paga em dinheiro vivo”.

O ex-ministro interpela Mainardi por um comentário publicado 24 de janeiro de 2007, sobre o assalto que ele e a família sofreram em dezembro. Ao falar sobre o roubo, o colunista perguntou quanto teria sido subtraído da casa do ex-ministro. “Nos últimos anos, os petistas se acostumaram a lidar com grandes valores, 315.000 dólares? ... Por falar em China, quanto ele tinha em Indaiatuba? 3.150.000 dólares?”. Segundo o ex-secretário de Lula, o colunista “sugere maliciosamente que os recursos financeiros em reais que os ladrões roubaram sofreram sonegação fiscal por ação deliberada de minha parte; sugerindo também que os recursos em dólares roubados na mesma ocasião poderiam alcançar cifras elevadíssimas”.

Já Attuch foi acusado pelo ex-secretário de ter recebido suborno da Kroll Associates para “publicar matérias de conteúdo falso e altamente ofensivo” à sua pessoa.

Dono da informação

Uma das primeiras contendas da onda de embates entre jornalistas contrapôs Veja e IstoÉ, duas das três principais revistas de informação geral do país. Aconteceu em 2005 e teve como detonador as revelações do jornalista Luís Costa Pinto de que a Veja publicara, anos antes, informações sabidamente falsas e que custaram a cassação do então presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).

IstoÉ. decidiu apontar um erro publicado na Veja Costa Pinto, que era editor de Veja na época, diz que a revista recebera a informação de que Ibsen Pinheiro registrou movimento não justificado em suas contas de US$ 1 milhão. Mesmo depois de constatar que a cifra movimentada era de 1 mil e não de 1 milhão, o editor-executivo da Veja, Paulo Moreira Leite, manteve a publicação.

Além da troca de desaforos nas páginas das duas publicações, o episódio rendeu uma ação na Justiça do jornalista Adam Sun, responsável pela checagem das informações publicadas em Veja, contra Costa Pinto e Helio Campos Mello, então diretor de redação da IstoÉ. O processo corre na 23ª Vara Cível de São Paulo.

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2007, 0h00

Comentários de leitores

10 comentários

Somo 18 processos movidos contra mim, a partir ...

Lúcio (Jornalista)

Somo 18 processos movidos contra mim, a partir de 1992, pelos irmãos Maiorana, donos do grupo Liberal, que integra, no Pará, a Rede Globo de Televisão e domina o mercado de jornal. Na primeira leva, de Rosângela Maiorana Kzan, foram cinco ações, quatro criminais e uma cível (para me impedir de me referir a ela, ad aeternum). Na segunda leva, são 13, em andamento: 9 criminais e 4 cíveis, de indenização. Todas propostas por Ronaldo Maiorana e Romulo Maiorana Júnior. E somente a partir da agressão que Ronaldo, diretor-editor corporativo de O Liberal (além de presidente da Comissão Pela Liberdade de Imprensa da OAB do Pará - pasmem), praticou contra mim, pelas costas, em um restaurante, em uma área de propriedade do Governo do Estado (na qual tem sua sede a Secretaria de Cultura), com a ajuda de dois capangas, um sargento e um subtenente da Polícia Militar (da ativa!). Diz que me agrediu porque eu ofendi a família num artigo no meu Jornal Pessoal. Em várias das ações, sou acusado de caluniar, injuriar e difamar os Maiorana porque disse que fui espancado, quando não fui espancado: fui "apenas" agredido. E até pedem indenização por dano moral (e material!) por essa "confusão". Nenhum Maiorana me mandou uma única carta, no exercício do direito de resposta. Nenhum Maiorana desmentiu o que publiquei. Nenhum Maiorana publicou qualquer coisa em seu jornal ou veiculou em sua TV a respeito das minhas supostas ofensas. Simplesmente foram mandando uma ação depois da outra para a justiça, apesar de fundada num absurdo depois do outro, esperando que a justiça faça por eles o que seus capangas fazem. E esperando que, até a sentença, eu me deixe abater por todas as restrições e danos que esses sucessivos processos me causam. Todos foram recebidos e estão em instrução, em primeiro grau ou em recurso. Felizmente dois deles, de indenização, não foram acolhidos pela juíza da 4ª vara cível. Os Maiorana recorreram. Outros três, criminais, estão em fase final para sentença. Todos esses Maiorana se dizem jornalistas. Estão registrados como tal. Ah: fui condenado em 1º grau porque chamei o maior grileiro de terras do mundo, o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida, de grileiro. A sentença foi confirmada pela 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. E só subiu para o STJ e o STF através do recurso do agravo, de curso obrigatório. Se dependesse do TJE não teria subido e eu estaria condenado de pronto a indenizar um homem que quer se apropriar de CINCO MILHÕES DE HECTARES de terras do Estado do Pará e da União. Só isso. Ah: a justiça federal local determinou o desalojamento do grileiro da área.

É triste saber, Pryscila, que "o bate-boca edit...

Luciano (Jornalista)

É triste saber, Pryscila, que "o bate-boca editorial" não só "ganhou as páginas de jornais e as linhas dos blogs" mas também os punhos enfurecidos dos próprios jornalsitas. Refiro-me ao caso do jornalista Lúcio Flávio Pinto que há dois anos foi espancado num restaurante público por um dos donos de um dos maiores grupos de comunicação do norte do país, as Organizações Rômulo Maiorana. Tudo por causa de uma matéria publicada por Lúcio Flávio em seu Jornal Pessoal que mencionava a história da família Maiorana. Eu, como estudante de jornalismo, sofro de extrema indignação diante de tais brutalidades contra a liberdade de expressão.

Parabéns ao Diogo Mainardi! Vamos exemplific...

Baudelaire (Advogado Autônomo)

Parabéns ao Diogo Mainardi! Vamos exemplificar: todo mundo sabe que a maioria dos políticos, principalmente os ligados ao Poder Executivo, depois de alguns anos de "atuação", ficam muito ricos e essa riqueza não é compatível com seus rendimentos. E a Receita e demais entidades que deveriam investigar essa riqueza rápida e brutal, não fazem nada. Aí, aparece um Mainardi corajoso, fala as verdades e sofre processos. NÃO SE CALE, MAINARDI!

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