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O veredicto

Suzane e Daniel pegam 39 anos e seis meses de prisão

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Suzane von Richthofen e os irmãos Christian e Daniel Cravinhos foram condenados na madrugada deste sábado (22/7) por homicídio triplamente qualificado. Os três foram denunciados pelo assassinato dos pais de Suzane, Marísia e Manfred von Richthofen.

Daniel e Suzane foram condenados a 39 anos e seis meses de prisão e Christian a 38 anos e seis meses. Nenhum dos condenados poderá recorrer em liberdade. Como nenhuma pena isoladamente ultrapassa 20 anos, nenhum dos réus tem direito a novo Júri.

O ex-casal de namorados pegou 19 anos e seis meses de reclusão pela morte de Manfred e a mesma pena pela morte de Marísia. Suzane e Daniel também foram condenados por fraude processual a 6 meses de prisão e multa de 10 salários mínimos. Christian foi condenado a 18 anos e seis meses pela morte de Marísia e o mesmo tempo pela morte de Manfred. Por furto, deve cumprir um ano de reclusão e dez dias multa. Por fraude processual, o mesmo que seu irmão.

Segundo o promotor Nadir de Campos Júnio, como os réus cumprirão a pena integralmente em regime fechado, eles só têm direito a pedir a liberdade depois de cumprir dois terços da pena. Os irmãos Cravinhos cumprirão a pena no Presídio de Tremembé, em São Paulo, enquanto Suzane volta para o presídio de Rio Claro, onde já estava detida.

O julgamento mais concorrido do ano durou mais de 50 horas e chegou ao final depois da sentença do juiz Alberto Anderson Filho, que, para decidir, avaliou 58 quesitos votados pelos sete jurados.

Christian, Daniel e Suzane foram julgados desde segunda-feira (17/7) pelo assassinato dos pais dela – Marísia e Manfred von Richthofen. Eles foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e com impossibilidade de defesa da vítima. Christian Cravinhos também respondeu por furto. O crime aconteceu em outubro de 2002.

A acusação, feita pelos promotores Roberto Tardelli e Nadir de Campos Júnior e pelo advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, defendeu a condenação de cada um dos acusados a 50 anos de prisão — 25 anos por cada homicídio. Sustentaram a tese segundo a qual Suzane arquitetou o crime e os irmãos executaram. Tardelli classificou o caso como o cérebro e a coragem.

Os advogados de Suzane, Mauro Octávio Nacif, Mário Sérgio de Oliveira, Denivaldo Barni e Eleonora Nacif afirmaram que ela não planejou o crime, simplesmente porque não teria motivo para isso. “A ré sempre foi uma menina rica. Tinha tudo o que queria. Nunca teve nenhum motivo para cometer qualquer crime.”

Mauro Nacif levantou dois pontos que considerou principais para a absolvição de sua cliente: a questão da dúvida, já que não ficou claro quem planejou o crime; e o fato de, em fevereiro de 2003, os irmãos Cravinhos terem pedido a Suzane, na carceragem do fórum, no intervalo de uma audiência, que dissesse que o pai abusava sexualmente dela e do irmão, Andreas.

A defesa dos Cravinhos, representada pelos advogados Geraldo e Gislaine Jabur, afirmou o contrário: tudo foi planejado por Suzane, que queria se livrar dos pais e desfrutar livremente da herança. Christian só soube dos fatos na tarde do crime e, portanto, só poderia ser condenado por ter dado os golpes com as barras de ferro na mãe de Suzane. Daniel era pressionado psicologicamente. “Só fez o que o amor da sua vida lhe pediu”, afirmaram os advogados.

Eles também disseram que não houve crime por dinheiro. No dia do crime, os irmãos levaram R$ 22 mil reais da casa dos Richthofen, com o qual Christian comprou uma moto no dia seguinte. Gislaine sustentou que o motivo da compra da moto por Christian era para “esconder” o dinheiro tirado de dentro da casa. Uma espécie de investimento, que Suzane teria o orientado a fazer. “Daniel e o irmão não eram criminosos até o dia dos fatos. A compra da moto só mostrou a ingenuidade do Christian”, sustentou a advogada.

Dia a dia

O julgamento começou na segunda-feira (17/7). Os três acusados divergiram da versão apresentada na fase de instrução do processo. Daniel afirmou que sua ex-namorada arquitetou o plano e que ele sozinho matou o casal. Christian confirmou a versão, com algumas contradições. Suzane desmentiu tudo. Disse que ela só soube que os pais seriam mortos no dia dos fatos.

No segundo dia de julgamento, o juiz Alberto Anderson Filho deferiu pedido de acareação entre Suzane e os irmãos Cravinhos feito pelo Ministério Público, já que os três divergiram nos depoimentos. Então a ordem do Júri foi mudada e primeiro houve as oitivas das testemunhas de defesa e acusação. O pedido de acareação, contudo, perdeu força depois dos depoimentos das testemunhas.

Neste mesmo dia, Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, foi ouvido como informante, e negou que seu pai abusava sexualmente de sua irmã e dele. Também foram ouvidas testemunhas arroladas pelo Ministério Público e outras quatro convocadas para defender Christian.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 22 de julho de 2006, 2h20

Comentários de leitores

14 comentários

É interessante ver o impacto deste crime em nos...

Raphael F. R. (Bacharel - Internacional)

É interessante ver o impacto deste crime em nossa sociedade, em muito fomentado por uma mídia voraz, desejosa não de que seja valorizada a justiça, mas que sejam ampliados índices de audiência e vendas de produtos televisivos/jornalísticos... Para quem assiste nossos tele-jornais o crime que ocorreu nesta família é uma exceção, uma raridade, digna de provocar tal clamor.. Porém, a realidade é um tanto diversa do folhetim televisivo criado em torno do caso Richthofen.. Crimes como este ocorrem com uma freqüência consideravelmente maior do que aquela apresentada na mídia.. Pais que matam os filhos, filhos que matam os pais - além de outros crimes que ocorrem no seio familiar - não são tão raros, apenas não atraem a mídia por, em geral, envolverem famílias de condições sócio-econômicas mais modestas e por sua divulgação também poder trazer à tona discussões muito mais amplas do que a apresentada neste folhetim popular - e que seriam um tanto complexas (e não muito atraentes) para o brasileiro comum. Afinal, quem se importa com o que ocorre no seio de comunidades carentes? Quantos pais de família chegam em suas casas alcoolizados e agridem suas mulheres, filhos, irmãos, pais? Será que é algo tão incomum em nossas cidades? E quantos desses, caso aqui se aplicasse a pena capital, teriam acesso à bons defensores, teriam direito ao devido processo legal? A pena capital seria a solução mágica para a criminalidade ou esta só seria aplicada em relação aos crimes daqueles que sequer freqüentam as notas de rodapé dos jornais brasileiros? Antes de excluir outros com a pena capital, porque não incluir estes na sociedade, não com programas sociais paliativos, mas com medidas efetivas? Crimes como o da família Richthofen são uma exceção apenas por não ocorrerem nas zonas da periferia urbana e social, mas não justificam medidas de exceção. A mais valiosa garantia de um sistema é que suas regras possam ser aplicadas em relação à todos, sendo imune a clamores ditos populares - clamores estes que são provenientes de pessoas visivelmente manipuladas pela mídia, que sequer conhecem o dia-a-dia de um Tribunal, que nunca entraram em um Fórum.. Quanto a pena capital como remédio para todos os malefícios da criminalidade, veja-se o que ocorre nos Estados Unidos da América... Indíces de criminalidade continuando em ascensão... Acusados de crimes punidos com a pena capital sendo executados sem o devido processo legal - e alguns deles sequer são culpados pelos crimes a que foram condenados. Corredor da morte para os excluídos, absolvição e/ou penas brandas para os bem postados socialmente.. É isto que também queremos no Brasil? Se a pena capital fosse a solução - e não a banalização - dos problemas oriundos da criminalidade, especialmente para os crimes contra a vida, os índices de criminalidade dos países nórdicos deveriam ser dos mais altos do mundo e os mesmos índices nos EUA deveriam estar entre os menores... E lá, como aqui, os crimes estão cada vez mais brutais e sendo praticados por criminosos cada vez mais jovens...

Seria interessante ver os defensores da pena ca...

Comentarista (Outros)

Seria interessante ver os defensores da pena capital fazendo um "estágio" (campal mesmo, de preferência), a título de "experiência prática", nos países que a aplicam. Quais? Iraque, China, Afeganistão, etc. Após o "estágio", talvez tragam algum "exemplo" de como se faz justiça com a pena capital.

Pronto! Todos os nossos problemas sociais acaba...

Comentarista (Outros)

Pronto! Todos os nossos problemas sociais acabaram... Na visão de alguns, a sociedade estará livre de todos os seus males pelos próximos 39 anos! Deixemos agora os jovens cumprirem suas penas em paz, lembrando apenas do exemplo dado pelo Promotor Nadir durante os debates, onde xingou e humilhou vorazmente a acusada Suzane, embora ela estivesse algemada e sentada no banco dos réus... Assim é fácil e simples, principalmente numa republiqueta das bananas onde o povo clama por justiça. Ah!, o povo...

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