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Caso Richthofen

Mãe de irmãos Cravinhos depõe no terceiro dia de julgamento

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Recomeça na manhã desta quarta-feira (19/7) o terceiro dia do julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Christian e Daniel Cravinhos. Na terça-feira (18/7), sentaram no plenário as testemunhas arroladas pelo Ministério Público e outras quatro convocadas para defender Cristian. Neste terceiro dia, o depoimento mais esperado é o de Nadja Quissak Cravinhos de Paula, mãe dos co-réus da ação.

Depois dos depoimentos, o juiz deve fazer a acareação entre Daniel e Suzane por que os dois apresentaram versões diferentes na primeira fase do processo e se contradisseram quando foram ouvidos. Apesar de o Ministério Público ter feito na terça-feira o pedido, há a expectativa de que se desista do procedimento por que nenhum dos réus é obrigado a dizer a verdade. Além disso, há o argumento de que a acareação perdeu a força com o depoimento das testemunhas do MP.

O próprio juiz que preside a sessão, Alberto Anderson Filho, fez essa observação quando deferiu o pedido. Porém, como quer evitar qualquer argumento de nulidade, ele aceitou as alegações apresentadas pelos promotores e pelo advogado de defesa dos irmãos Cravinhos, Geraldo Jabur.

O próximo passo é a leitura do processo. Como são 14 volumes, os promotores Roberto Tardelli e Nadir de Campos Júnior vão propor que sejam selecionadas as partes mais relevantes da ação.

Segundo dia de julgamento

O segundo dia do julgamento, na terça-feira (18/7), foi marcado pela oitiva de cinco testemunhas, mais o depoimento de Andreas, irmão de Suzane. Ele falou aos jurados na condição de informante. O advogado da ré, Mauro Octárvio Nacif, chamou a atenção durante todo o dia do julgamento.

Durante um dos últimos depoimentos, o de Ivone Muss Wagner, testemunha de defesa de Cristian Cravinhos, o advogado de Suzane quis montar praticamente um cenário teatral. A intenção foi tentar provar que a uma distância de três metros é impossível ouvir o que conversam adolescentes, em uma roda de amigos. O advogado chegou a ir até a cela buscar Suzane, já que sua presença não foi aceita pela testemunha no plenário, logo no começo do depoimento.

Motivo da cena: Ivone disse que tinha "a sensação de que Suzane não era mais virgem quando começou a namorar com Daniel". Segundo ela, essa história era apresentada "pelos colegas de colégio da ré, amigos do filho da depoente, nas rodas de conversa dos amigos". Ela mesma diz que “ouviu, a poucos metros de distância, essa versão".

Assim, Nacif surpreendeu por querer inovar em uma questão. Sua intenção era a de que Suzane dissesse, no plenário, se reconhecia Ivone – postura proibida em tribunais do júri.

Ivone se irritou. "Excelência me recuso a fazer parte desse teatro", disse. O promotor Nadir de Campos Júnior também refutou a tentativa do advogado. "Vamos voltar a normalidade. Me preocupa o fato de ser feita pergunta à Suzane e não à testemunha. É a primeira vez que vejo isso", disse o promotor. Nacif rebateu: "Para tudo há uma primeira vez, doutor!".

Por fim, o juiz chamou mais uma vez a atenção do advogado, assim como fez quando o espetáculo foi criado ao redor do irmão de Suzane durante o dia.

No fim da sessão, Nacif foi procurado pelos jornalistas e comentou: "Não sou vaidoso, mas adoro dar entrevista". Ele afirmou, ainda, que vai "revelar uma bomba a sete minutos do final do julgamento".

Júri

Os três réus são acusados de planejar e matar os pais de Suzane na casa em que a família vivia, na zona sul da capital paulista. Suzane, Christian e Daniel estão presos. Foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Christian Cravinhos, especialmente, também responde por furto no mesmo processo. O crime aconteceu em outubro de 2002.

A estratégia traçada pela defesa dos irmãos Cravinhos é de que foi Suzane quem arquitetou o plano. Os advogados da jovem afirmam o contrário: para eles, Suzane sempre foi inocente e não poderia ter planejado o assassinato dos pais por que se relacionava muito bem com eles.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 19 de julho de 2006, 9h54

Comentários de leitores

4 comentários

E o show da desinformação continua....patético....

Bira (Industrial)

E o show da desinformação continua....patético...só falta a defesa solicitar trabalho humanitario para Suzane no Congo...

Do crime em si nem se fala mas o tempo passado ...

Luismar (Bacharel)

Do crime em si nem se fala mas o tempo passado desde então, a lei arcaica, o circo da mídia, o exibicionismo de alguns, etc, tudo lamentável. O rito do júri tem uma fase de admissibilidade da acusação que deveria ser repensada pois a recorribilidade da pronúncia remete o julgamento para futuro distante (réu preso), ou a perder de vista (solto). Se logo após o crime, pessoas são ouvidas, laudos periciais são concluídos, etc, por que não remeter ao plenário a instrução contraditória e o julgamento? Até mesmo por quê, se nulidades são nulidades, mesmo com trânsito em julgado, não há problemas em abreviar e simplificar.

Caro professor, há muito acompanho os seus ...

Fabrício (Advogado Autônomo)

Caro professor, há muito acompanho os seus pertinentes comentários e, mais uma vez, dou-lhe inteira razão. Só tenho a acrescentar que, infelizmente, a patuléia de pindorama ainda continua confundindo pena com castigo e justiça com vingança. Quem sabe um dia chegaremos lá.

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