Frente a frente

Advogado vai pedir acareação entre Cravinhos e Suzane

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18 de julho de 2006, 10h42

O juiz Alberto Anderson Filho retoma nesta terça-feira (18/7) o julgamento de Suzane von Richtofen e dos irmãos Christian e Daniel Cravinhos. Há a expectativa de que o advogado Geraldo Jabur peça a acareação entre os três réus. Ele, junto com sua filha Gislaine Jabur, defende os irmãos Cravinhos e alega que Suzane mente ao afirmar que nunca planejou o crime.

Não foi só Suzane quem divergiu da versão apresentada na fase de instrução do processo. Daniel, no depoimento, afirmou que sua ex-namorada arquitetou o plano e que ele sozinho matou o casal. Christian confirmou a versão, com algumas contradições. Suzane desmentiu tudo. Disse que ela só soube que os pais seriam mortos no dia dos fatos.

Outro ponto levantado no primeiro dia do júri foi o limite do direito ao silêncio. A prerrogativa está prevista no artigo 5º, inciso 63 da Constituição Federal e foi usado diversas vezes durante os depoimentos. Christian e Daniel, por exemplo, se recusaram a responder perguntas feitas pelo advogado Mauro Octávio Nacif, um dos defensores de Suzane.

Nacif, irritado com a negativa, chegou a defender no plenário o limite do direito ao silêncio. O argumento foi rejeitado pelo juiz e pelos promotores Roberto Tardelli e Nadir de Campos Júnior. “Não existe limite para um direito constitucional”, observou o juiz Alberto Anderson Filho.

Mais tarde, foi Suzane quem usou o artifício constitucional. Ela não respondeu as perguntas formuladas pelo Ministério Público e pelo assistente de acusação Alberto Zacharias Toron.

Defesa que acusa

A sessão de segunda-feira também foi marcada por um ponto sempre presente nos júris com mais de um réu: a troca mútua de acusações. Durante as oito horas de depoimentos em plenário, os advogados de defesa trocaram insultos com o intuito de preservar a integridade e a versão de seus clientes.

Geraldo Jabur disse que Nacif, em vez de fazer perguntas, imputava acusações aos Cravinhos. O advogado de Suzane não ficou atrás. Respondia com descortesia.

Crime

Os três são acusados de planejar e matar os pais de Suzane, Manfred e Marísia von Richthofen, na casa em que a família vivia, na zona sul da capital paulista. Suzane, Christian e Daniel estão presos. Foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Christian Cravinhos, especialmente, também responde por furto no mesmo processo. O crime aconteceu em outubro de 2002.

A estratégia traçada pela defesa dos irmãos Cravinhos é de que foi Suzane quem arquitetou o plano. Os advogados da jovem afirmam o contrário: para eles, Suzane sempre foi inocente e não poderia ter planejado o assassinato dos pais, porque se relacionava muito bem com eles.

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