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Máfia das flores

Condenada quadrilha que agia no serviço funerário em SP

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A chamada máfia das Floriculturas, formada por Ignazio Gandolfo, ex-superintendente do Serviço Funerário de São Paulo, e outros funcionários do órgão, além do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, Toninho da Barcelona, foram condenados a penas de 15 a 17 anos de reclusão pelos crimes de concussão e formação de quadrilha. Carlos Eduardo Giosa, funcionário do Servico Funerário acusado de participar do grupo, foi absolvido. A decisão é do juiz Dácio Tadeu Viviani Nicolau, da 29ª Vara Criminal da Capital. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça paulista e os réus podem apelar da sentença em liberdade.

No entendimento do juiz, os réus praticaram oito crimes de concussão e devem responder, também, pelo crime de formação de quadrilha ou bando, pois agiram de forma organizada, durante vários anos, dividindo as tarefas.

A máfia das floriculturas se formou depois que a prefeitura de São Paulo criou um consórcio de floriculturas para facilitar a vida dos usuários do serviço funerário do município.

Com o sistema instituído, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, o usuário munido da certidão de óbito dirigia-se a uma das agências do serviço funerário da capital paulista para providenciar o transporte do corpo, velório e enterro. Na agência funerária, os funcionários públicos apresentavam aos usuários vários “pacotes” para a compra de caixão, flores, coroas e arranjos.

Os preços referentes aos “pacotes” eram tabelados pelo próprio serviço funerário e aprovadas pelo superintendente do órgão. Um funcionário do serviço funerário por telefone ou fax pedia a uma central de atendimento do “consórcio das flores” a confecção de arranjos, coroas ou enfeites para o funeral. Na central, os pedidos eram distribuídos entre as 24 floriculturas cadastradas no consórcio.

O consórcio foi criado pelo decreto 30.699/91 e o Serviço Funerário recebia 10% sobre o preço da venda tabelada dos produtos vendidos pelos agentes funerários.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público no período de 1993 a 1999 os réus se associaram em quadrilha ou bando para cometer crimes contra a administração pública. “A partir da gestão de Paulo Maluf a quadrilha encabeçada por Ignazio Gandolfo criou um complexo esquema de arrecadação criminosa, obrigando os representantes das floriculturas a pagar mais 32% sobre o preço final de venda ao consumidor”.

Ainda de acordo com a denúncia, 10% era destinado ao superintendente do Serviço Funerário e seus subordinados Carlos Eduardo Giosa e Ronaldo Polido Padilha. O MP acusou Raul Marceno, responsável pela Central de Chamadas de se apropriar de 5% da arrecadação, 15% eram diluídos entre os funcionários intermediários sendo arrecadado por Agnaldo Augusto dos Santos e Valdemir Caetano da Silva. Os 2% que sobravam iriam para integrantes do Tribunal de Contas do Município que não foram identificados.

“O sofisticado esquema arquitetado pela quadrilha contava com a efetiva participação de Antonio Oliveira Claramunt, vulgo Toninho Barcelona, que recebia os valores cobrados das floriculturas”, afirma a denúncia. Para o MP, as floriculturas superfaturavam os arranjos e pagavam, por fora, aproximadamente 32% de seu faturamento para o Serviço Funerário em troca de favorecimento nas indicações às famílias dos mortos.

Na época, a cada ano, 70 mil sepultamentos eram realizados nos cemitérios municipais de São Paulo, o que rendia cerca de R$ 1,7 milhão às floriculturas. Funcionários de floriculturas e do serviço funerário confirmaram em depoimento a existência do esquema.

O favorecimento se daria, segundo as investigações, por intermédio da central de chamadas Rei Administração de Condomínios. A essa central estariam ligadas 24 floriculturas, que seriam indicadas pela central às funerárias que telefonavam atrás de arranjos para seus clientes.

Texto retirado em 26/11/2008 por ter sido publicado indevidamente

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 24 de fevereiro de 2006, 15h24

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