Consultor Jurídico

Corrupção no Congresso

Leia a íntegra da defesa de José Dirceu nas CPMIs

Por 

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA – Correto.

O SR. JOSÉ EDUARDO CARDOSO (PT-SP) – Como é que Marcos Valério soube dessas reuniões?

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZAIsso eu não perguntei a ele. Tive essa informação na hora em que perguntei sobre como ia ser – eu estava preocupada com esse financiamento –, como ia pagar. Estou preocupada com a minha vida, com a minha família. E ele falou: “Olha, não preocupa, porque o José Dirceu sabe, já teve reuniões sobre isso”. E pronto. Foi a informação que ele me deu. Ele não falou datas, não falou período, não falou o assunto, e ele falou que ele não participou. Como a informação chegou a ele, também eu não sei te informar.

(...)

O SR. CARLOS SAMPAIO – (PSDB – SP) – Porém, eu confesso que, para minha surpresa, salvo engano, a senhora respondendo a pergunta...

A SRª RENILDA MARIA SANTIAGO FERNANDES DE SOUZA Quero deixar só uma coisa clara – desculpe “interrompê-lo – que o Marcos não participou dessas reuniões” (os grifos são dos signatários).

Em reforço, no depoimento da CPMI da Compra de Votos, prestado em 9 de agosto do corrente ano, o próprio Sr. Marcos Valério negou que tivesse participado desta suposta reunião:

O SR. JOSÉ ROCHA (PFL – BA) Me permita, Presidente, eu tenho uma pergunta relevante. Eu queria que V. Sª confirmasse para esta Comissão e para todos aqueles que ainda estão a nos assistir se a reunião que existiu entre o Sr. José Dirceu, ex-Ministro, e o Banco Rural, em Belo Horizonte, no Hotel Ouro Minas, e com os diretores do BMG, em Brasília, se nesta reunião o ex-Ministro José Dirceu avalizou os empréstimos realizados por essas agências com as empresas de V. Sª?

O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZACom toda objetividade, a informação do que o Dr. Delúbio quando me confirmou que haveria um jantar no Ouro Minas com a direção do Banco Rural iria ali ser tratada a garantia de empréstimo com a direção do Rural e idem com a direção do BMG. Eu não participei de nenhum jantar e nem do encontro com o BMG.” (os grifos são dos signatários).

Por qual razão, agora, vem o relatório parcial afirmar que “a Sra. Renilda Souza, esposa do Sr. Marcos Valério, confirmou que seu marido participou de reuniões com o então Ministro José Dirceu e diretores do Banco BMG”? É chocante tamanho descompromisso com a verdade, devendo o relatório parcial corrigir prontamente suas equivocadas e inverídicas conclusões sobre tal prova testemunhal.

6. Bancos Rural e BMG:

Como se não bastasse a canhestra interpretação do depoimento da Sra. Renilda de Souza, o relatório parcial também ignorou que representantes dos Bancos BMG e Rural já se manifestaram sobre as reuniões mantidas com o ex-Ministro Chefe da Casa Civil. Ambos negaram qualquer tipo de encontro ou contato com o Requerente para discutir empréstimos.

Em nota pública e oficial, o Banco Rural informou que manteve reunião com o Requerente com a única finalidade de discutir a liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. Esclareceu que nesta oportunidade não se mencionou qualquer espécie de empréstimo e tampouco houve a presença do Sr. Marcos Valério.

O Banco BMG também se manifestou publicamente, afirmando que seus representantes mantiveram contato com o ex-Ministro Chefe da Casa Civil, mas nunca para discutir empréstimos. O advogado do Banco BMG, Dr. Sérgio Bermudes, que inclusive foi citado no relatório parcial, foi enfático nesse sentido:

“Não foi conversado nada absolutamente a respeito de empréstimo algum.” (os grifos são dos signatários).

A conclusão do relatório parcial sobre a participação ou ciência do Requerente nos empréstimos contradiz os próprios trabalhos das CPMIs, além de ser categoricamente desmentida pelas partes envolvidas.

7. O depoimento de Marcos Valério Fernandes de Souza:

Em continuidade de seu descompromissado exercício de interpretação, o relatório parcial incorre em idêntico deslize ao afirmar que “Marcos Valério confirmou, na CPMI, a ciência do ex-ministro quanto aos empréstimos e sua liberação a parlamentares e partidos” (os grifos são dos signatários).

Com uma simples passada de olhos no depoimento do Sr. Marcos Valério, percebe-se que jamais houve qualquer confirmação da suposta ciência do Requerente quanto às irregularidades relatadas. Marcos Valério foi incapaz de confirmar a participação do ex-Ministro Chefe da Casa Civil, limitando-se a alegar que teria ouvido comentários do Sr. Delúbio Soares:

“Agora, se o senhor me perguntar, com toda a sinceridade: o aval do Sr. José Dirceu foi dado a você? Eu falo que não, mas foi confirmado por mim pelo Sr. Delúbio Soares.

(...)

O SR. JÚLIO REDECKER (PSDB – RS) – O senhor tem...claro que no depoimento da sua senhora aqui, ela dá aqui uma resposta dizendo, à época, que os valores relativos aos empréstimos dados teriam a garantia do Sr. José Dirceu e que, para isso, segundo o depoimento que está aqui escrito da sua senhora, teria havido uma reunião no Hotel Ouro Minas com o Sr. José Dirceu e a direção dos bancos, e outra aqui em Brasília. O senhor confirma que, nessas reuniões, foram tratadas as garantias por meio do Ministro Chefe da Casa Civil, conforme afirma a sua esposa no seu depoimento a esta Comissão, e que o senhor presenciou que esses empréstimos teriam tido a garantia do Sr. José Dirceu?

O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZAEu confirmo o depoimento da minha esposa. Não confirmo a íntegra da conversa, mas a informação que me foi passada logo em seguida pelo Sr. Delúbio Soares é que a conversa aconteceu.

(...)

A SRª ZULAIÊ COBRA (PSDB – SP) – ... porque precisamos saber de onde surgiram esses esquemas? Alguém bolou isso, alguém arquitetou?

O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZANão, com o Ministro José Dirceu, eu não tratei sobre esse assunto. Eu vou colocar os meus encontros com o Ministro José Dirceu. Seria leviano da minha parte falar que eu tratei esses assuntos com o Ministro José Dirceu, porque eu não tratei, mas eu vou colocar para você todos os meus encontros.

(...)

O SR. PAULO PIMENTA (PT – RS) – Repito a pergunta: em alguma oportunidade o senhor tratou esse assunto com o Ministro José Dirceu?

O SR. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA – Não, porque ele não dá espaço para você conversar com ele.




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Leonardo Fuhrmann é repórter da revista Consutor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de setembro de 2005, 17h46

Comentários de leitores

5 comentários

Este partido chamado "PT", deve ser exonerad...

Vidal (Professor)

Este partido chamado "PT", deve ser exonerado, devido as más qualidades de desenvolvimento, oriundo de pessoas que vieram de asilos politicos e conviveram com o terrorismo contra a Nação, O Dirceu, como foi mostrado sua ficha, para retornar ao Brasil teve que fazer operação plástica, Genoino foi preso na guerrilha, mas através de um militar todos foram absolvidos, ainda por cima o Brasilileiro está tipo criança quando começa a andar e falar, faz tudo através dos mais velhos (pais) que vão ensinando os comportamentos e deveres e atitudes. Estas pessoas que se dizem que lutam pelo trabalho é só um espelho, este "PRESIDENTE", em comicios fez tantas declarações, que hoje está uma "NEGAÇÃO", portanto o "BRASILEIRO" não deve copiar igual aos EUA e sim olhar ao seu redor, ver; analizar; agir, nunca andar na reta, sempre verificando o seu pizar e ao subir fazer os seus galhos.

Senhores, eu votei no PT e já fiz de vontade pr...

JPLima (Outro)

Senhores, eu votei no PT e já fiz de vontade própria até, 1989, propaganda para o PT. Hoje, eu afirmo e uso no meu carro Slogan "PT nunca mais" com toda consciência do erro cometido. O sonho acabou, ou melhor acabaram com nossa esperança, o próprio PT. Acreditar que esse "Bando" que o Lula colocou no Planalto para Governar o País iria realizar as mudanças necessarias para diminuir as desigualdades foi Utopia. Concordo com o comentário do Dr. Itamar. Por fim ainda bem que o Zé Dirceu é candidato pelo Estado de SP, e não de um Estado da Região Norte ou Nordeste. Se não for cassado, eu acredito que será, vamos esperar pela Justiça dos eleitores paulista em 2006. PT nunca mais.

A peça dos advogados deve ser indeferida. Pr...

itamar (Advogado Autônomo)

A peça dos advogados deve ser indeferida. Primeiro, por excesso; quem se explica muito é porque não tem razão. Segundo, porque não esclarece por que o deputado Dirceu saiu do Ministério após o deputado Jefferson dizer: "Zé, sai daí, e sai rápido". Terceiro, por desconhecer que o julgamento político não exige prova inatacável. Quarto, por pedir depoimento na CPMI, para se defender; CPMI não é foro para se defender; foro político para se defender é a Comissão de Ética.

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