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Operação Capela

Polícia Federal deflagra Operação Capela em São Paulo

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(Notícia republicada com a versão final do Relatório da CPI da Pirataria)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (5/11), em São Paulo, a Operação Capela. A intenção é encontrar ligação de escritórios comerciais paulistas com Law Kin Chong, acusado pela CPI da Pirataria de ser o contrabandista número um do Brasil.

Até a noite desta quinta-feira (4/11), a PF dispunha de nove mandados de busca e apreensão para serem feitos em São Paulo. Mais de 200 policiais cumprem os mandados. Eles são do Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Santa Catarina e Goiás e estão em São Paulo para continuar a operação Shogum, que resultou na prisão de Law.

Law, preso sob acusação de tentar extorquir o deputado Luiz Medeiros, também foi investigado pela Operação Anaconda, deflagrada em outubro do ano passado, para investigar uma quadrilha acusada de vender sentenças judiciais.

Depois de presidir a CPI da Pirataria, que resultou na prisão do empresário Law Kin Chong em junho, o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PTB-SP) passou a ser investigado a pedido do chefe do Ministério Público Federal, Cláudio Fonteles. Medeiros é suspeito de ter achacado Law para livrá-lo das acusações no relatório final da comissão.

No dia 5 de junho deste ano, Law foi preso, sob acusação de ter oferecido a Medeiros US$ 1,5 milhão, em quatro parcelas, para ter seu nome retirado da CPI da Pirataria.

A revista Consultor Jurídico obteve com exclusividade trechos dos documentos que a PF usou para fazer a Operação Capela.

A seguir, a versão atualizada do trecho do Relatório Final da CPI da Pirataria que se refere a Law Kim Chong

CAPÍTULO VII

LAW KIN CHONG

1. O império de Law Kin Chong

Após a realização de inúmeras diligências no curso da CPI, que

culminou, inclusive, com a juntada de vários documentos, a CPI da

Pirataria pode afirmar, com tranqüilidade, que Law Kin Chong é um dos

grandes responsáveis, se não o maior, pelas atividades de descaminho,

contrabando e receptação de produtos-piratas no Brasil.

Na cidade de São Paulo, a receptação dos produtos é feita ao redor do

quartel-general do investigado, situado no sétimo andar do prédio nº 181

da Rua Barão de Duprat, Sé, São PauIo-SP, mais conhecido como

Shopping 25 de Março; nas ruas adjacentes e também nos logradouros

conhecidos como Galeria Pagé e Shopping Oriental.

É de se frisar que toda a região, estendendo-se até os bairros da Moóca

e do Brás, presta-se ao estabelecimento de depósitos onde são

armazenadas as mercadorias utilizadas no aviltante comércio.

Documentos apreendidos no escritório de Law Kin Chong dão conta de

que ele está à procura de outros locais, tais como cinemas, galpões ou

prédios antigos, para estabelecer novos pontos de venda na capital de São

Paulo, mediante o sistema de pequenas lojas, ocupadas quase sempre por

indivíduos originários da China Continental (na realidade, imigrantes

clandestinos), que se encarregam de toda a comercialização varejista dos

bens ilícitos.

Destaque-se que, em São Paulo, o comércio em questão já extrapolou

os limites do centro velho: situado na rua Augusta, nas proximidades da

Avenida Paulista, localiza-se o Shopping Promocenter, que nos mesmos

moldes dos shoppings acima, é dominado pelos chineses para o comércio

de mercadorias contrabandeadas. Aliás, a intenção de seus mentores é

estender essa prática para todo o país.

A estrutura comandada por Law Kin Chong é sólida ao ponto de tão logo

findarem as apreensões realizadas pela CPI (todas elas realizadas através

das polícias federal e estadual, dos órgãos das receitas federais e

estaduais, e do Ministério Público), os encarregados reabastecerem as

lojas com seus produtos ilegais, em uma demonstração clara de força,

destemor e organização das quadrilhas responsáveis, além de pouco caso

para com as instituições estatais.

2. A prisão de Law Kin Chong

Como amplamente divulgado pela mídia, a CPI da Pirataria conseguiu a

prisão de Law Kin Chong e de um despachante seu, Lindolfo Sarlo, pelo

crime de corrupção ativa (art. 333 do CP).

Inicialmente, Lindolfo Sarlo contactou o Deputado Medeiros em seu

gabinete, em Brasília, dizendo ter notícias relevantes para a CPI da

Pirataria. Sustentou, na ocasião, que não gostaria de conversar com o

Presidente da CPI naquela cidade, razão pela qual o encontro foi marcado

na cidade de São Paulo.

O Deputado foi acompanhado do agente da Polícia Rodoviária Federal,

Antônio Fernando de Miranda, que foi apresentado como seu homem de

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 20 de dezembro de 2004, 16h23

Comentários de leitores

12 comentários

ops! digo: visam...

Ageu de Holanda Alves de Brito (Professor Universitário - Empresarial)

ops! digo: visam...

Interessante, todas essas operações da Polícia ...

Ageu de Holanda Alves de Brito (Professor Universitário - Empresarial)

Interessante, todas essas operações da Polícia Federal visão apenas aumentar a arrecadação de impostos. É claro que são importantes, mas, não são somente esses crimes que são praticados. Gostaria muito de ver uma operação da PF contra o narco-tráfico, por exemplo.

Operação Reprise: acho que essa missa já accabo...

Paulo E. Gomes ()

Operação Reprise: acho que essa missa já accabou.

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