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Perseguição imprudente

Responsáveis por morte de jornalista argentino durante a Copa são condenados

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Mais de um ano após o fim da Copa do Mundo, Rodrigo Fonseca e Marcelo Cavalcante foram condenados por homicídio culposo e roubo de veículo no processo sobre a morte do jornalista argentino Jorge “El Topo” López, que à época estava no Brasil para cobrir o evento. Rodrigo foi condenado a seis anos e cinco meses de reclusão, e Marcelo, a 11 anos. A sentença foi proferida pelo juiz Gláucio Roberto Brittes de Araújo, da 4ª Vara Criminal de Guarulhos (SP).

A defesa da família do argentino já declarou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça por acreditar que a pena é branda e não condiz com a gravidade do ocorrido.

“El Topo” morreu no dia 9 de julho de 2014, em Guarulhos, horas antes de a Argentina vencer a Holanda na semifinal do Mundial. O jornalista foi atingido no táxi que estava pelo carro conduzido por Fonseca e Cavalcante, que fugiam da Polícia Militar após terem roubado o veículo. A família diz que aguardava a decisão de primeira instância do caso e alguns documentos para iniciar um processo contra o estado de São Paulo pela imprudência e negligencia dos policiais, que teriam provocado a batida de carro que resultou na morte do argentino.

“É uma covardia o Estado dizer que não pode se responsabilizar pelo ato de terceiros. Foi uma perseguição desmedida, feita sem nenhum tipo de precaução, e isso resultou na morte de Jorge. Ao realizar a Copa do Mundo, o mínimo que se esperava do Estado era que proporcionasse segurança para quem viesse participar do evento”, afirma Carlo Frederico Müller, advogado que representa a família do jornalista argentino e sócio do Müller e Müller Advogados.

Sujeito aos riscos
Outro ponto lastimado por Müller é a condenação por homicídio culposo — a escolha de indiciar por esse crime já havia sido tomada quando a defesa entrou no caso. “Não conseguimos entender como o Ministério Público não viu dolo na situação. Dois sujeitos que roubam um carro e saem em perseguição em alta velocidade é claro que estão se sujeitando ao risco de praticar um homicídio. Infelizmente, não temos o que fazer nesse sentido”, explica o advogado.

A defesa de “El Topo” também avalia a possibilidade de processar a Fifa, mas Müller diz que ainda está estudando a jurisprudência existente para saber se é possível responsabilizar a instituição pelo ocorrido. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 17 de agosto de 2015, 21h44

Comentários de leitores

5 comentários

cade

Professor Edson (Professor)

Cade os especialistas agora pra falar em punitivismo Brasileiro?

Tem razão,crime doloso.

Neli (Procurador do Município)

Tem razão,crime doloso.Dolo eventual.

No brasil...

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

"EL TOPO" . No Brasil tanto faz: é na base do "top top" , sempre que se trate de bandidos, para os quais é assegurado "constitucionalmente" o direito de matar uma pessoa ao menos, sem passar um dia inteiro sequer na prisão. É a "cota morte". Cada cidadão pode assassinar o seu semelhante e, se for primário, estará dentro da cota/padrão, de forma que seu infortunado destino começará em regime "semi aberto" (isso na pior das hipóteses).

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