Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Alternativa humanitária

Barroso defende prisão domiciliar para suprir falta de vagas em presídios

Por 

O ministro Luís Roberto Barroso defendeu o uso da prisão domiciliar como alternativa à superlotação e degradação do sistema carcerário brasileiro. De acordo com o ministro, a prisão domiciliar monitorada deveria ser usada no caso de condenados não violentos ou perigosos. Para Barroso, esses condenados só deveriam ir para o sistema prisional caso violassem as regras da domiciliar.

O posicionamento foi registrado em decisão proferida nesta terça-feira (2/12), ao negar um pedido de autorização de viagem feito por Pedro Henry, condenado na Ação Penal 470, que cumpre a pena em prisão domiciliar. O juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá havia concedido a autorização, mas o ministro não a homologou.

De acordo com Barroso, a prisão domiciliar é uma alternativa humanitária para lidar com o déficit de estabelecimentos adequados e de vagas no sistema penitenciário. Contudo, ela não perde sua natureza de pena privativa de liberdade. Segundo o ministro, a autorização só deve ser concedida em casos excepcionais. Caso contrário, poderia desmoralizar a prisão domiciliar, privando o Judiciário de utilizar essa alternativa.

“A possibilidade de condenados em prisão domiciliar viajarem livre ou regularmente, mesmo que com autorização judicial, é incompatível com a finalidade da pena. Qualquer viagem, no curso do cumprimento da pena, constitui medida excepcional, a ser deferida apenas em situações pontuais”, afirmou.

No caso, Pedro Henry pediu para viajar por três dias para participar de inauguração da Clínica Hiperbárica Santa Casa, ocasião em que iria palestrar para profissionais. “Com a devida vênia, entendo que participar de inaugurações ou proferir palestras não caracteriza a excepcionalidade aqui exigida, sendo, ao revés, incompatível com o regime prisional domiciliar”, concluiu Barroso.

O ministro explicou ainda que o exercício do direito de trabalhar enquanto se está cumprindo prisão domiciliar exige, como regra, que o trabalho seja exercido no local do cumprimento da pena. Por isso, segundo Barroso, não é aceitável “que o condenado possa viajar regularmente para participar de inaugurações ou proferir palestras em unidade da Federação diversa daquela em que se encontra em prisão domiciliar”.

Pedro Henry foi condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, a sete anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em dezembro de 2013, o condenado foi transferido para Cuiabá, onde cumpre a pena em regime de prisão domiciliar monitorada. A defesa de Henry apresentou pedido de progressão para o regime aberto, que ainda não foi decidido pelo relator.

Clique aqui para ler a decisão.

Execução Penal 21

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 5 de dezembro de 2014, 13h34

Comentários de leitores

7 comentários

... esse advogado que virou ...

Luiz Eduardo Osse (Outros)

... juiz - zás - fala demais, e porisso, diz muita bobagem! O que o Brasil precisa é de cadeia e de cadeia. A primeira cadeia refere-se a penas mais severas, e a segunda, ao prédio mesmo ...

Voltemos à aritmética.

Willson (Bacharel)

Muitos pensam: "prisão domiciliar no caso de delitos não violentos, gera impunidade." No entanto, nossas prisões geram o que? Nos nossos alçapões, um presos pacífico só pode morrer, tornar-se violento ou desmobilizar-se definitivamente como ser humano. É grave a probabilidade de especializar-se no crime e pós-graduar-se em violência, mas é pouca a de regenerar-se por mérito do sistema carcerário. Eu sei que é "doce" o anseio por vingança contra os presos do colarinho branco e autores de delitos leves, mas a eficácia do aprisionamento celular é zero. A salutar melhoria de nossas prisões exigiria investimentos continuados e estratosféricos, que superam o também necessário investimento em educação. Ou seja, melhor colocar o adereço tornozelar no aspirante, do que ser obrigado a construir inúmeras e dispendiosas prisões de segurança máxima, para abrigar os mestres. Sejamos um pouco mais pragmáticos.

Então é melhor nem processar, pois mais barato

daniel (Outros - Administrativa)

Então é melhor nem processar, pois mais barato.
Afinal, não há efetividade alguma.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 13/12/2014.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.