Colunas
9 fevereiro 2012
Coluna do LFG
Prisão provisória cresceu 944% em 20 anos
** O Depen (Departamento Penitenciário Nacional), por meio do seu sistema integrado de informações (InfoPen), constatou, em junho de 2011, a existência de 513.802 presos em todo o país. Desse total, 56% (344.727 detentos) eram presos definitivos, ou seja, já foram condenados por sentença transitada em julgado.
O restante, um total de 169.075 detentos (ou 44% do total), tratavam-se de presos provisórios; aqueles que estão encarcerados, mas ainda aguardam julgamento definitivo.
Assim, quase metade da população carcerária atual constitui-se de presos provisórios.

Em 1990, 20 anos e meio antes, a quantidade de presos provisórios representava apenas 18% da população carcerária, ou seja, eram 16.200 presos num total de 90.000 detentos.
Nesse período (1990/ jun.2011), o número de presos provisórios cresceu 944% ou 10 vezes, enquanto o número de presos definitivos cresceu 367% ou quase 5 vezes no mesmo período.
Assim, o crescimento da população carcerária tem sido vertiginoso, sendo inclusive 15,7 vezes maior que o da população nacional no mesmo período, não só em razão de detentos que já foram julgados e condenados, mas também pelos que aguardam presos sua condenação ou absolvição.
Resta saber se todas essas prisões se justificam ou se algumas delas apenas contribuem para o maior abarrotamento das penitenciárias, para as más condições de vida, de tratamento e convivência entre os presos e até para o cometimento de injustiças como é o caso de presos que são gravemente agredidos quando detidos preventivamente e, algum tempo depois, são absolvidos (Como nesse caso concreto: Folha.com).
** Mariana Cury Bunduky é advogada e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.
Luiz Flávio Gomes é advogado e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG, diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Acompanhe meu Blog. Siga-me no Twitter. Assine meu Facebook.
Revista Consultor Jurídico, 9 de fevereiro de 2012
Arquivo
Leia também
- 02/02/2012 Coluna do LFG: Brasil tem 269 presos para 100 mil habitantes
- 25/01/2012 Coluna do LFG: São Paulo é o quarto estado que mais prende no país
- 19/01/2012 Coluna do LFG: Maceió é mais violenta que o país mais violento do mundo
- 12/01/2012 Coluna do LFG: Brasil é o 20º país mais violento do mundo
- 22/12/2011 Coluna do LFG: Crime organizado é mais violento na América do Sul
Comentários
Comentários de leitores: 8 comentários
Vamos resolver o problema
Porque ninguém cobra isso de nossos governantes?????
Alguém deve tá ganhando com isso e não é o MP, a Justiça ou a Polícia.
O buraco é mais em baixo!
Pior, pela lógica do sistema do início da persecução criminal, com a investigação policial com formação da culpa, e indiciamento de suspeito, em flagrante confronto com a norma constitucional que adota o princípio do contraditório, aqui se “prende para investigar”.
Bem diferente, por exemplo, do vizinho Chile, onde a PID, tem o lema: “Investigar para Prender”.
Portanto, a questão da prisão provisória em muitos casos perdeu seu caráter cautelar para ser “instrumento” de investigação, e, muitas vezes, o “investigado” fica esquecido no cárcere enquanto se “investiga”...
Números
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 17/02/2012.