Colunas
12 abril 2012
Coluna do LFG
Presas poderiam receber penas alternativas
*Dentre os 513.802 presos existentes no Brasil, conforme os dados do InfoPen (Sistema Integrado de Informações Penitenciárias) de junho de 2011, 35.596 são mulheres. Desse montante, 5.152 presas cumprem pena não superior a quatro anos de reclusão.
Neste grupo, 1.519 detentas (ou 4% do total) respondem por delitos que não envolvem violência ou grave ameaça à pessoa, quais sejam: furto simples (1.194 detentas), apropriação indébita (19 detentas) e receptação (306 detentas), todos crimes patrimoniais.
Tratam-se de casos em que, observados os critérios subjetivos (antecedentes, conduta social e personalidade) e a não reincidência em crimes dolosos, conforme o disposto no artigo 44 do Código Penal, a condenada tem o direito à substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos (alternativas).
Contudo, na prática, o que impera é a prisão. Penas alternativas ainda são vistas como sinônimo de impunidade; são, por isso, menos incentivadas. O espírito de revolta e de vingança, sustentado pelo populismo penal, traz a satisfação social apenas quando o criminoso está atrás das grades, ainda que seu crime seja de menor potencial ofensivo.
Nos últimos dez anos, o número de presas mulheres no Brasil cresceu 252%, uma taxa de crescimento duas vezes superior à dos homens, que foi de 115% (veja: Mulheres presas: aumento de 252% em dez anos).
O incentivo à maior aplicação de penas alternativas no Brasil é um dos caminhos para a melhoria das condições nos presídios, para a diminuição da criminalidade, bem como uma potencial reconstrução de vida dos diversos detentos que respondem por crimes de menor potencial ofensivo no país.
*Colaborou Mariana Cury Bunduky, advogada e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.
Luiz Flávio Gomes é advogado e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG, diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Acompanhe meu Blog. Siga-me no Twitter. Assine meu Facebook.
Revista Consultor Jurídico, 12 de abril de 2012
Arquivo
Leia também
- 04/04/2012 Coluna do LFG: Em crimes de estupro, ação é pública incondicionada
- 29/03/2012 Coluna do LFG: Maus tratos a idoso não geram responsabilidade solidária
- 22/03/2012 Coluna do LFG: homens massacram mulheres e mulheres massacram crianças
- 15/03/2012 Coluna do LFG: Remição pelo trabalho no regime aberto: Por que não?
- 08/03/2012 Coluna do LFG: Drogas são responsáveis por 21% das prisões de homens
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Nem toda estatística é a expressão da verdade!
Salve o brasil
Juristas na Torre de Marfim sempre esquecem das vítimas!
O ilustre Articulista como humanista que é continua na contramão dos direitos das vítimas. Do que se trata menor potencial ofensivo? PIMENTA BEM ARDIDA NOS OLHOS DA VÍTIMA É REFRESCO! Para quem? Sim, a CONSTITUIÇÃO (Leis das leis; Carta Magna; Lei Maior etc.) não permite a prisão perpétua nem a pena de morte legal (Sim, com a mais ampla defesa e o DEVIDO PROCESSOS LEGAL; é o processo brasileiro que não tem fim e com a famosa "prescrição à brasileira"... porém, estando o réu preso, talvez se transforme em prisão perpétua para o culpado já julgado e condenado, podendo, assim, recorrer "ad eternum"). Por outro lado o nosso Estado não quer se envolver. Logo, cada qual que se cuide e busque sobreviver o mais tempo possível, se possível! Não podemos esquecer também dos agentes policiais que estão amalgamados com o crime e com os criminosos... todos soltos e aprontando para valer, sem serem incomodados. A IMPUNIDADE NO BRASIL é ampla, geral e irrestrita. Os criminosos cuja maioria é de contumazes na arte da esperteza (estelionatários etc.) e da violência e que estão soltos e satisfeitíssimos com o nosso sistema de impunidade (Os sabidamente culpados respondem em liberdade... os exemplos estão aí!). Enfim, os criminosos comuns e os da corporação policial com ou sem farda não têm queixa. O BRASIL É O PAÍS DO FUTURO! Da Humanidanidade? Reconstrução da vida civil de criminosos condenados? São raríssimos os casos de ex-criminosos recuperados para a vida em sociedade. Os exemplos são exceções. Em suma: O Brasil que já não é país sério (Tal qual a Itália no continente europeu) teve sua situação muitíssima agravada no governo do PT, cujo governo do PT veio para ficar PARA SEMPRE e o povo imbecializado está feliz com os detentores do Poder.Amém!
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 20/04/2012.