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Livro Aberto

Os livros do criminalista Paulo José da Costa Jr.

Por 

Paulo José da Costa Jr. - Spacca

O Direito e a literatura sempre andaram lado a lado. Grandes escritores também foram grandes juristas e vice-versa. Essa relação se aplica à perfeição com o criminalista Paulo José da Costa Jr.. Além de amante dos livros desde a infância, é autor de trinta e dois títulos, que vão das ciências jurídicas à literatura pura. Na Academia Paulista de Letras, onde ocupa a cadeira 21, faz companhia a outros nomes do Direito como Ada Pellegrini Grinover, Miguel Reale Jr., Ives Gandra da Silva Martins e José Mindlin, que morreu aos 95 anos no dia 28 de fevereiro deste ano, amigo pessoal de Paulo da Costa Jr.

Os livros forram as paredes das salas do escritório, que também é a casa do advogado. Ao se atentar para os títulos, a maioria é de Direito Penal, muitos em italiano. Alguns de tão antigos, estão puídos. Ao lado dos livros, estão também cavalos de madeira. Seu avô era amante das corridas de cavalo, que acabaram virando paixão de família.

Ainda na mesma sala, há um pequeno mostruário de vidro que abriga instrumentos do crime: um falso bolo de dinheiro, no qual a nota de fora é verdadeira e as de dentro são falsas; um cabide de roupas feito de palitos de fósforo que vira uma arma branca; um tamanco de madeira que abriga uma faca na sola; uma colher que de tão afiada corta como navalha.

Seu primeiro contato com os livros foi em casa: "Minha mãe exerceu papel decisivo na minha formação. Foi ela quem me ensinou a escrever, a ler e a estudar". Ele guarda muitos títulos, recados, convites enquadrados na parede, entre eles, uma folha amarelada pelo tempo com uma caligrafia que denuncia a idade. "Nesta folha, minha mãe me ensinou os adjetivos."

Ele conta que participou de uma maratona de português no estado de São Paulo. Na época, sua mãe contratou até um professor particular. Resultado: 2º colocado. De acordo com o advogado, mesmo em situações financeiras difíceis, o estudo estava em primeiro lugar. "Minha mãe comprou livros da Editora Jackson em prestações, era a coleção do Machado de Assis", rememora.

Paulo José da Costa Jr. explica que muito cedo deixou de ler suplementos juvenis partindo logo para a literatura clássica. E daí, partiu para os livros de Direito Penal, sua verdadeira paixão. Além de ler inúmeras obras sobre o tema, escreveu e traduziu muitos títulos. "É necessário que um bacharel escreva bem", afirma o advogado ao dizer que os portugueses são os que falam a língua portuguesa da forma mais correta. Ao ressaltar a importância dos livros, diz que quem não lê está perdendo "tudo".


Dom Casmurro - Machado de Assis - Divulgação

Primeiro livro
Os primeiros livros de Paulo da Costa Jr. que ele se recorda foi uma coleção de Machado de Assis que sua mãe comprou em prestações. "Eu devo ter em algum lugar as notas guardadas." O que mais chamou sua atenção na obra completa foi Dom Casmurro, mas diz que "todos os livros são muito bons".


Livros didáticos
Não há na história do criminalista um livro didático específico que o tenha influenciado, mas sim um autor: novamente, o ícone da literatura brasileira, Machado de Assis. Mas se é para escolher um entre todos que podem se encaixar na categoria didático, Paulo da Costa Jr. aponta e recomenda Memórias Póstumas de Brás Cubas.


poetas da franca - guilherme de almeida - Divulgação

Literatura e romances
Como exímio leitor, recomenda literatura de língua portuguesa, como Aluísio Azevedo que ficou famoso por retratar a vida da sociedade da sua época na clássica obra O Cortiço. O advogado também se lembra que quando era menino lia poesias de Guilherme de Almeida e as recitava na casa do então prefeito de São Paulo, Abrahão Ribeiro, que era amigo da família.


Interesse jurídico
Depois de se formar em Direito, pensou que poderia estudar fora do Brasil. E então prestou o doutorado na Itália, e por lá, também se tornou livre docente. "Sempre gostei de Direito Penal", afirma da Costa Jr. ao dizer que nunca teve dúvidas quanto à área do Direito a seguir. Entre seus penalistas preferidos, está Giuseppe Bettiol, mas neste caso indica os oito volumes do Código Penal Comentado por Nelson Hungria.


Código de Processo Penal Comentado - Tourinho Filho, Fernando da Costa - Divulgação

Li e recomendo
"Direito Penal é na Itália e na Alemanha, a Espanha compara e a França traduz, e o resto é o resto." Esse é o entendimento do advogado que afirma que apenas o Direito Penal da Itália e Alemanha são de fato a base para o que temos hoje. Fernando da Costa Tourinho Filho em Comentários ao Código Processo Penal também está entre as recomendações do advogado criminalista.

 é repórter da Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 31 de março de 2010, 12h04

Comentários de leitores

3 comentários

PAULO JOSÉ DA COSTA JR.

MAFFEI DARDIS (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

QUANTAS E QUANTAS VEZES ENCONTREI PAULO EM DELEGACIAS DE POLÍCIA, SEMPRE ASTUTO E ALTIVO NA DEFESA DOS SEUS CLIENTES.
LEMBRO-ME DE PAULO COMO TAMBEM DE PADRINHO DANTE DELMANTO UM DOS ÍGONES DA ADVOCIA NACIONAL, ENTRE OUTROS, DIFICIL DE SER COMPARADO.
A ADVOCACIA CRIMINAL É SACERDOCIO, QUE NÃO DEIXA NEHUM PROFISSIONAL FICAR RICO, SE FOR HONESTO, E DENTRO DESSE PARAMETRO TEMOS VARIOS NA PORTA DO NOSSO MISTER, O FÓRUM CRIMINAL.
PARABENS DECANO DA ADVOCACIA PENAL.

A CIENCIA DOS ADVOGADOS

Raul Haidar (Advogado Autônomo)

Sr. Oliveira: a ciência dos advogados consiste em defender a honra, a liberdade e o patrimônio das pessoas. Há idosos, não "velhinhos". Velhinhos podem ser objetos sem utilidade que ficam jogados num canto qualquer. Em países civilizados os idosos são respeitados, são reverenciados, pois transmitem sua sabedoria às novas gerações. Ao afirmar que alguem "já devia ter se aposentado" e ainda criticar seu gosto literário, o sr. comete um grande equívoco. Aposentar não é obrigatório, a não ser para funcionários públicos (compulsória) ou nos casos de invalidez. O Prof. Paulo José da Costa Jr. enriquece a vida jurídica de nosso país com sua cultura e sabedoria. Certamente o sr. não o conhece, pois saberia que ele "não fala bobagem". O sr. poderá criticar a ciência alheia quando dela tiver algum conhecimento.

Bom gosto

Jouber Turolla (Advogado Sócio de Escritório - Trabalhista)

Considero lamentável o comentário de A. Oliveira.
O Dr. Paulo José da Costa Jr, além de excelente escritor, demonstra bom gosto no tocante à literatura.
Já li dois ou três livros do Dr. Paulo. A escrita é perfeita, muita mais técnica do que as de escritores atuais.
É advogado de destaque no cenário nacional. Além disse, estudou na Itália tendo Bettiol como mestre.

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