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8 outubro 2008
Fantasmas do restaurante
Jornalista contesta versão de procuradora sobre jantar
O jornalista da IstoÉ, Mino Pedrosa, nega que a fonte da notícia de que existiria gravação de encontro de assessores da presidência do Supremo Tribunal Federal com o advogado do banqueiro Daniel Dantas foi o ex-diretor da Abin e da PF, Paulo Lacerda. Em carta, ele responde ofício encaminhado ao chefe do Ministério Público Federal pela procuradora da República Lívia Tinôco, lotada no serviço de Controle Externo da Atividade Policial, em Brasília.
Segundo o jornalista, a informação da suposta reunião lhe foi passada pelo ex-agente do SNI, Francisco Ambrósio do Nascimento, um dos especialistas em interceptações contratados pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz para assessora-lo nas investigações sobre o banqueiro Daniel Dantas, na chamada Operação Satiagraha.
Mino Pedrosa é um dos autores de reportagem na revista IstoÉ sobre a suposta reunião num restaurante de Brasília de assessores do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, com o advogado do banqueiro Daniel Dantas. A reportagem afirma que a procuradora da República Lívia Tinoco, do Distrito Federal, estava investigando a tal reunião. Também atribui à procuradora a informação de que o delegado Protógenes Queiroz mostrou a ela fotos de um jantar, mas que não era possível identificar quem nelas aparecia.
Em resposta à reportagem, a procuradora enviou ofício ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, no qual nega que estivesse investigando a tal reunião. Afirma também que ouviu do jornalista da IstoÉ a informação de que o diretor da Abin e ex-diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda lhe havia relatado a ocorrência da suposta reunião. Ela confirma, ainda, que ouviu de Protógenes que “desconhecia a identidade das pessoas que vira conversando com o advogado Nélio Machado” (que trabalha para Daniel Dantas).
A procuradora Lívia Tinôco contesta a reportagem da revista, mas admite no ofício enviado que requisitou ao restaurante japonês, onde o tal encontro teria ocorrido, as imagens do circuito interno da casa — Clique aqui para ler o ofício da procuradora
Desmentido
O ministro Gilmar Mendes entrou com representação na Procuradoria Geral da República pedindo a apuração do vazamento das falsas informações que serviram como base para a reportagem da revista. Os assessores do ministro — que foram acusados mas não foram nomeados individualmente na reportagem — também entraram com representação similar.
Já o secretário de Comunicação do STF, Renato Parente, enviou carta à revista repudiando os termos da reportagem: “O suposto jantar de assessores do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, e advogados de Daniel Dantas – sempre suposto, pois jamais se apresentou qualquer cópia ou reprodução fotográfica da gravação – é sustentado de maneira covarde por “fontes” da revista, sem dar os nomes de quem é acusado, impedindo, assim, sua defesa e colocando uma nuvem de suspeita sobre todos os assessores diretos do ministro e mesmo sobre a secular Corte Suprema do Brasil”, afirma Parente na carta (leia a carta no final da página).
Leia a carta do jornalista:
A bem da verdade
Mino Pedrosa, jornalista da revista IstoÉ
Em resposta ao Ofício nº 40/2008 — MPF/PRDF/LT, de 29 de setembro de 2008, dirigido ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, assinado pela procuradora da República, Lívia Nascimento Tinôco, venho por meio desta narrar os seguintes fatos.
Estive reunido com a procuradora Lívia Nascimento Tinôco, acompanhado do jornalista, também da IstoÉ, Hugo Marques, a fim de obter informações acerca do inquérito que apura interceptações telefônicas do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em conversa com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.
Após ter sido apresentado à procuradora por sua assessora Jucilene Ventura, a Dra. Lívia Tinôco perguntou-me se eu poderia revelar a fonte do jornalista Policarpo Jr. da revista Veja. A procuradora ouviu de mim a seguinte frase: “fonte não se revela nunca, nem de baixo de pancada e tampouco fontes de outras pessoas”. Ela sorriu com simpatia. Voltamos a conversar. Perguntei quem até aquele momento havia prestado depoimento para ela. Respondeu-me que quase todos, inclusive Idalberto de Souza Araújo (Dada), sargento da Aeronáutica. Na seqüência, questionou-me se eu seria capaz de colocar Idalberto na capa da revista. Em resposta, disse a ela que não, pois eu tinha conhecimento que Idalberto não estava integrado à Operação Satiagraha e sim Francisco Ambrósio do Nascimento. A razão jornalística da divulgação do nome de Francisco Ambrósio do Nascimento, portanto, foi a única a presidir sua inclusão na matéria da IstoÉ.
Daniel Roncaglia é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2008
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Comentários de leitores: 14 comentários
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Caro Touché V. Sª. vai alegar que a tecnolog...
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