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1 outubro 2007
Mensalão mineiro
Mares Guia se defende: emprestimo foi prova de amizade
O ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, se defendeu das acusações de participação no chamado mensalão mineiro. Ele afirmou que não participou formalmente das finanças da campanha de Eduardo Azeredo para o governo mineiro e que só tomou empréstimo em favor de Azeredo em nome da amizade que dedica ao ex-governador..
A defesa prévia de Mares Guia (leia a íntegra abaixo) foi apresentada à Procuradoria-Geral da Republica, que estuda se denuncia o ministro. Mares Guia é defendido pelo advogado Arnaldo Malheiros Filho. Mares Guia afirma que não teve acesso aos autos que estão na PGR, já que o proceso estaria correndo em segredo de Justiça, mas que se defende com base em relatório da Polícia Federal, divulgado na internet pela Consultor Jurídico.
Segundo o advogado do ministro, o fato de o nome de Mares Guia aparecer em apenas 10 das 172 páginas do relatório da PF mostra que ele não teve uma participação relevante nos fatos apurados. Além disso, continua o advogado, o relatório pede novas diligências por considerar a investigação pouco madura. Mesmo assim, diz o advogado, interessados na manipulação política das acusações pretendem “colocar a faca no pescoço” do procurador para que apresente a denúncia logo.
Campanha de Azeredo
Mares Guia alega que participou sim da campanha de Eduardo Azeredo para o governo de Minas Gerais em 1998, mas fez isso distante da coordenação da campanha. Segundo ele, seu apoio foi apenas político, enquanto fazia sua campanha para deputado federal.
O ministro explica que não foi, em nenhum momento, coordenador de finanças da campanha. A função ficou a cargo de Cláudio Mourão. Mares Guia apenas teria usado sua experiência como engenheiro e empresário para auxiliar o amigo Azeredo. “Em mais de uma oportunidade — antes de iniciar a sua própria campanha ou depois de eleito, por ocasião dos trabalhos relativos ao segundo turno — participou de meras conversas a respeito, opinou, orçou, estimou, avaliou. Mas nada com certamente planejou ou executou, já que o comitê contava com pessoas capacitadas para isso.”
Mares Guia afirma que não participou nem da captação nem da destinação dos recursos. As anotações em que aparecem nomes e quantias e que seriam a prova de que ele comandou a distribuição de recursos durante a campanha, segundo o ministro não passam de projeções e estudos de campanha. E diz que os R$ 24.590.000 que teria distribuído não passam de invenção de Nilton Monteiro, a quem chama de “larápio”.
O ministro de Lula é tido como o negociador do contrato da campanha publicitária de Azeredo feita por Duda Mendonça. De acordo com depoimento de Cláudio Mourão, o tesoureiro da campanha, os serviços da empresa de Duda custaram R$ 4,5 milhões: “R$ 700 mil entregue em espécie e o restante pago por fora, conforme acordo estabelecido com Walfrido dos Mares Guia”. Consta do inquérito a cópia de missiva endereçada ao “Prezado doutor Walfrido”, com um orçamento entre R$ 500 e R$ 700 mil.
Sobre a proposta de marketing apresentada por Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, em nome de Mares Guia, o ministro justifica que foi encaminhada com seu nome porque ele já conhecia Duda e Zilmar. Por conhecer Zilmar, foi ele o destinatário da carta da publicitária com a proposta de campanha, mas Mares Guia afirma que encaminhou a missiva ao comitê de Azeredo, sem tomar conhecimento dos termos.
Mares Guia justificou o empréstimo tomado em nome da sua empresa, a Samos, e avalizada por Azeredo. Segundo o ministro, ele foi procurado por Azeredo, que estaria sendo executado por Cláudio Mourão, coordenador financeiro da campanha do ex-governador. Mares Guia teria tomado, então, o empréstimo de R$ 500 mil do Banco Rural e transferido para conta indicado por um assessor de Azeredo. Só depois soube que a conta era do publicitário Marcos Valério. Mais tarde, quitou esse empréstimo antecipadamente, também em nome da amizade com Azeredo. Na época não desconfiou de Marcos Valério. Nem poderia, diz, já que o empresário de publicidade que se tornaria pivô do mensalão petista, era então uma pessoa acima de qualquer suspeita.
Leia a defesa prévia
Inquérito 2.280 – STF
WALFRIDO SILVINO DOS MARES GUTA NETO, Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da Republica, vem a presença de Vossa Excelência a fim de se manifestar sobre o relatório da Policia Federal.
1. Agradecendo a Vossa Excelência a manutenção da pratica de oferecer aos Ministros de Estado envolvidos a possibilidade . de manifestarão previa, consigna o requerente que não lhe foi possível ter acesso aos autos - o que e compreensível, já que Vossa Excelencia sobre eles se debruçava - sendo-lhe, portanto, impossível conhecer o que consta contra si no inquérito.
Aline Pinheiro é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 1º de outubro de 2007
Comentários
Comentários de leitores: 8 comentários
Por que mensalão mineiro? Não seria o mensalão ...
São todos santos e vão todos para o CÉU, exceçã...
Amigão, me arranja um milhão? Pago quando puder...
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