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Lucros abatidos

Justiça aceita denúncia contra dono da Boi Gordo

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O juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 1ª Vara Cível Central de São Paulo, recebeu, em parte, denúncia contra o dono das Fazendas Reunidas Boi Gordo, Paulo Roberto de Andrade. O Ministério Público queria que o dono da Boi Gordo respondesse por crimes contra a economia popular, fraudes falimentares e falsidade ideológica. O juiz recebeu os dois primeiros crimes e rejeitou a denúncia por falsidade ideológica. O interrogatório do réu foi marcado para o próximo dia 27. O Ministério Público já anunciou que vai recorrer.

Paulo Roberto de Andrade é acusado de lesar 33 mil aplicadores por meio de golpes no mercado. A empresa quebrou em 15 de outubro de 2001, quando pediu concordata. Estima-se que a dívida total com os investidores chegue ao patamar de R$ 1,5 bilhão.

Os investidores adquiriam da Boi Gordo títulos financeiros, na forma de Contratos de Investimentos Coletivos, que consistiam em empréstimos feitos à empresa criadora de gado. As aplicações podiam ser feitas tanto na engorda do boi para abate – com prazo de 18 meses –, como no crescimento do bezerro – com carência de 24 meses. A rentabilidade mínima era de 42%. Em 2 de abril de 2004, a juíza Márcia Cardoso, da 1ª Vara Cível, decretou a falência da Boi Gordo e nomeou como síndico Gustavo Henrique Saura Arruda Pinto para administrar a massa falida.

Aberta em 1988, a Boi Gordo era um sonho para investidores. Garantia uma rentabilidade de 42% em 18 meses, tempo necessário para a engorda dos bois nas fazendas. Quando começaram as dificuldades financeiras, a Boi Gordo declarou ter 100 mil cabeças de gado, quando deveria ter pelo menos dez vezes mais animais engordando no pasto de acordo com os valores recebidos de seus investidores.

Ao correr a notícia de que o negócio estava em dificuldades, milhares de investidores procuraram sair rapidamente dos negócios, ampliando de forma insustentável o buraco em que a empresa se meteu.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 5 de abril de 2006, 12h36

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