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8 agosto 2005
Tráfico na baixada
Justiça nega Habeas Corpus e o ex-jogador Edinho continua preso
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou nesta segunda-feira (8/8), por maioria de votos, habeas corpus a favor do ex-jogador de futebol Edson Cholbi Nascimento – o Edinho, filho de Pelé. Na semana passada, o ex-jogador havia perdido o primeiro voto do recurso impetrado na Justiça paulista. Cabe recurso.
O julgamento havia sido adiado a pedido do desembargador Roberto Mortari, depois do voto do relator Mariano Siqueira pela não concessão do recurso. Siqueira argumentou que o auto de prisão não contém qualquer nulidade ou irregularidade. No entendimento do relator, há indícios da participação do ex-goleiro em associação criminosa.
O 2º juiz Roberto Mortari votou a favor da concessão do habeas corpus, mas o último voto, do desembargador Teodomiro Mendes, acompanhou a tese do relator.
A defesa foi feita pelo advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira que pleiteia o relaxamento da prisão em flagrante ocorrida em 6 de junho ou o benefício da liberdade provisória. Na opinião do advogado não há necessidade de manter Edinho na cadeia. Mariz alega, ainda, que não há prova incontestável e apta a legitimar o flagrante.
Denúncia
A Justiça de Praia Grande recebeu denúncia contra Edinho e outras 12 pessoas acusadas de tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico e porte ilegal de arma.
As penas previstas vão de 13 a 44 anos de reclusão, mais o pagamento de 150 a 1.080 dias-multa. A denúncia se sustentou na Lei de Entorpecentes (lei 6368/76) e no Estatuto do Desarmamento (lei 10.826/03).
Edinho está preso na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior do Estado. Ele está em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e tem como companheiros alguns dos bandidos mais perigosos do país, como o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho – o Marcola – e Maurício Hernandez Norambuena – líder do seqüestro do publicitário Washington Olivetto.
O prazo de permanência no RDD é de 180 dias. O ex-goleiro está jurado de morte pelo PCC por causa de sua relação com o traficante de drogas Ronaldo Duarte de Freitas. Naldinho também foi enviado a Presidente Bernardes.
Prisão
Edinho foi preso em flagrante no dia 6 de junho e autuado sob suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. O ex-goleiro negou em depoimento à Polícia Civil as acusações de associação para o tráfico, mas afirmou ser usuário de maconha e disse precisar de tratamento médico.
O ex-goleiro foi preso em seu apartamento em Santos (litoral paulista). O Denarc afirma que ele foi flagrado em conversas telefônicas com Naldinho, também preso e apontado como o chefe do tráfico de drogas na Baixada Santista.
O conteúdo das escutas não foi divulgado. De acordo com a polícia, a quadrilha movimentaria cerca de duas toneladas de cocaína por mês. O diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, disse que será pedida a quebra de sigilo bancário dos envolvidos.
Fernando Porfírio é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 8 de agosto de 2005
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