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Caixa Econômica omite gastos com seu novo sistema de loterias

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Anunciado como uma engenhosa saída para reduzir os gastos com a operação das loterias e serviços bancários, o novo sistema da Caixa Econômica Federal (CEF) poderá custar mais do que cobrava a Gtech, a multinacional norte-americana que lhe presta esses serviços desde 1994. Ou seja, confirmada a previsão, o alto custo, principal argumento da longa disputa judicial entre as duas empresas, vai por água abaixo.

O fato é que a instituição licitou quatro etapas dos serviços e divulga apenas os custos correspondentes a esses lotes. Não são revelados os gastos com requisitos fundamentais do processo, como os supercomputadores (mainframes), softwares, coordenação e gerenciamento do sistema, call centers, entre outros itens.

A questão foi apresentada à Caixa pela revista Consultor Jurídico, no início de março e, apesar da insistência, não foi esclarecida pela direção da CEF. Num primeiro momento, a revista quis saber o valor do contrato com a Politec -- uma fábrica de software de Brasília -- que seria responsável pela integração do sistema. Como a Politec não tem contrato para desenvolver esse serviço, a resposta foi negativa e seca.

Ficaram no ar, assim, os gastos totais que serão despendidos para a integração do sistema, os quais se somarão aos custos da compra de bobinas de papel, transporte, serviços de telecomunicações e 25 mil terminais -- insumos e serviços já contratados pela Caixa junto a quatro fornecedores diferentes em leilões realizados até o início de março passado.

A assessoria de comunicação da Caixa não esconde que, com o novo modelo, os gastos poderiam ser mais elevados. Corre entre os funcionários da instituição a idéia de que vale a pena gastar mais tendo o controle do sistema do que pagar menos, mas alheando-se do comando em virtude de sua completa terceirização. Mas, até agora, a Caixa só revelou os valores obtidos com os leilões.

Na ponta do lápis, esses insumos e serviços já contratados custarão cerca de R$ 170 milhões anuais para a Caixa. Além deles, o estabelecimento oficial de crédito fez um investimento fixo de R$ 54,3 milhões em grandes computadores da marca IBM -- os chamados mainframes necessários para girar o sistema que, em momentos de pico, chega a processar em tempo real mais de mil transações por segundo.

No entanto, essas enormes máquinas só funcionam com programas de computador especialmente desenvolvidos para as funções que deverão realizar. Não se encontram esses programas em prateleiras, dizem especialistas. Além disso, a Caixa deverá gastar com a contratação de técnicos ou terceirização do serviço e, nesta segunda hipótese, jogaria por terra a idéia de manter “em casa” o controle desejado.

Outros gastos que a empresa não conta se referem à implementação do centro de comunicações -- o call center fundamental para resolver eventuais problemas de emergência comuns nas cerca de 9 mil casas lotéricas que se encontram na ponta do sistema.

Também não estão somados aos valores já divulgados os custos de mão de obra especializada em tarefas de desenvolvimento e inovação, o que ocorre freqüentemente pela via de um novo tipo de loteria ou de novos convênios firmados com prestadores de serviços públicos e prefeituras interessadas em se integrar ao sistema para ampliar os pontos de recebimento das contas nos terminais lotéricos.

Para fazer todos esses serviços -- centro de processamentos, call center e desenvolvimento do sistema -- a Gtech emprega aproximadamente 200 especialistas. Pelo serviço completo, a empresa recebe cerca de R$ 310 milhões anuais. Como o novo modelo já está consumindo cerca de R$ 220 milhões -- entre insumos, serviços contratados e mainframes -- resta saber se a Caixa conseguirá implantar todo o sistema com mais R$ 90 milhões. Teria só mais esse espaço para gastar com pessoal e equipamentos e ficar abaixo do dispêndio com a Gtech.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 4 de abril de 2005, 17h58

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