Palavras de paz

No 8 de janeiro, Barroso recorda atos golpistas e prega pacificação nacional

8 de janeiro de 2024, 15h01

No começo da tarde desta segunda-feira (8/1), dia em que completam um ano os atos golpistas em que foi promovido um quebra-quebra na sede do Supremo Tribunal Federal, no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, fez um discurso no Plenário da corte para marcar a data.

Presidente do STF, ministro Luis Roberto Barroso discursou no aniversário dos atos golpistas

Diante de outros integrantes do Supremo e da ministra aposentada Rosa Weber, que presidia o tribunal em janeiro do ano passado, Barroso recordou o “espetáculo de horror” que foi contemplar os estragos causados pelos vândalos na sede da corte, falou sobre o delicado (e caro) processo de recuperação das instalações do STF e deixou uma mensagem pela pacificação da sociedade brasileira.

“Jamais esqueceremos! E estamos aqui para manter viva a memória do episódio que remete ao país que não queremos. O país da intolerância, do desrespeito ao resultado eleitoral, da violência destrutiva contra as instituições. Um Brasil que não parece com o Brasil”, disse Barroso logo no início de sua breve fala.

“Em meio a tudo o que vi e ouvi, poucas coisas me impressionaram mais do que o relato de um dos nossos bravos policiais judiciais, que enfrentaram com destemor e em grande desvantagem numérica a horda de bárbaros invasores. Narrou-me ele que, após arremessarem objetos, dar marretadas nas paredes e atearem fogo aos tapetes, ajoelhavam-se no chão e rezavam fervorosamente”, relatou o ministro, que chamou os agressores do Supremo de “falsos patriotas” e “falsos religiosos que não cultivam o bem, a paz e o amor”.

Na sequência, o presidente fez um agradecimento a todos os servidores que trabalharam no processo de recuperação da corte e tornaram possível que o Plenário estivesse pronto para receber a abertura do ano judiciário de 2023 no dia 1º de fevereiro — menos de um mês depois dos atos golpístas, portanto.

“A história deixará documentado que, no dia 1º de fevereiro, realizamos regularmente a sessão solene de abertura do ano judiciário e, num gesto simbólico de reafirmação da Justiça, abraçamos o prédio do Supremo Tribunal Federal. Éramos mais três de mil pessoas presentes fisicamente, e milhões de outras que, em espírito, celebravam a vitória da luz sobre as trevas.”

Por fim, Barroso lembrou a figura de Ulysses Guimarães, símbolo da Constituição de 1988, para dar a sua mensagem sobre a importância da pacificação nacional.

“Na vida brasileira, já conhecemos o ‘caminho maldito’ da ditadura, na expressão de Ulysses Guimarães. E, no 8 de janeiro constatamos as consequências dramáticas da incivilidade, dos discursos de ódio e da desinformação. Hora de fazer diferente e retomarmos os ideais iluministas e civilizatórios da Constituição de 1988”, disse Barroso.

“Precisamos viver a verdadeira pacificação da sociedade, em que pessoas que pensam de maneira diferente possam se sentar à mesma mesa e conversarem, com respeito e consideração, sem ofensas ou desqualificações. Em busca das melhores soluções para um país melhor e maior. O Brasil merece”, encerrou o presidente do STF.

Clique aqui para ler na íntegra o discurso de Barroso

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