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Farra com dinheiro público

Morador de Curitiba, procurador lavajatista ganhou R$ 373 mil em diárias em Curitiba

O Ministério Público Federal pagou ao procurador da República Diogo Castor de Mattos pelo menos R$ 373,6 mil em diárias para ele atuar na "lava jato" em Curitiba, cidade em que morava. As informações são do site The Intercept Brasil.

Procurador Diogo Castor de Mattos disse à Justiça que morava em Curitiba
Divulgação

Integrantes do MPF que trabalham fora de suas comarcas têm direito a receber cerca de R$ 1 mil por dia. O valor serve para cobrir gastos com hospedagem, alimentação e locomoção.

Castor recebeu 425 diárias entre 2014 e 2019, período em que atuou na operação, segundo relatório sobre diárias pagas na "lava jato" que a Procuradoria-Geral da República enviou ao Tribunal de Contas da União.

O procurador justificou os adicionais por ter deixado sua casa em Jacarezinho, no norte do Paraná, a 386 quilômetros da capital, para trabalhar em Curitiba. Com as diárias, o salário mensal do procurador, de R$ 25 mil, recebeu acréscimo de até R$ 11 mil por mês.

Porém, durante esse período, Castor morou em Curitiba, em três apartamentos diferentes — sendo um de sua propriedade. Isso é o que ele mesmo afirmou em cinco ações que moveu em juizados especiais da cidade.

Em mensagem de 5 de dezembro de 2018 em grupo no Telegram, Castor convida seus colegas para um "churras" em sua casa: "Pessoal, happy hour de encerramento do ano na casa do Castor, rua julia wanderley, [suprimido]".

A PGR informou ao TCU que a "lava jato" em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro gastou, em conjunto, R$ 3,25 milhões em diárias de viagem — passagens não estão nessa conta. A filial paranaense respondeu por mais de 97% desse gasto: R$ 3,17 milhões — a maior parte deles para levar procuradores para trabalhar em Curitiba.

Questionamento sobre gastos
Em setembro de 2017, jornalistas questionaram as diárias pagas ao procurador Orlando Martello. Ele recebeu 457 deles, no total de R$ 461 mil.

Martello está vinculado à comarca de São Paulo e recebia diárias sempre que ia a Curitiba. Contudo, ele é casado com a procuradora Letícia Pohl Martello, que mora na capital do Paraná e ficava na casa dela na cidade. Os dois também recebiam auxílio-moradia.

Em resposta à imprensa, Martello afirmou que recebeu diárias porque oficialmente não tinha domicílio em Curitiba — diferentemente de Castor, que disse algumas vezes à Justiça ser residente da capital.

Já o ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que agora presta consultoria a empresas, fez carreira e tem família em Curitiba. Porém, no período em que atuou na "lava jato", estava vinculado a São Paulo. Dessa maneira, recebeu 377 diárias, que somam mais de R$ 361 mil.

Outro lado
O MPF disse ao Intercept que os pagamentos das diárias foram regulares e que o fato de Castor morar em Curitiba e receber adicional para trabalhar na cidade não veda o recebimento do benefício. Também declarou não saber se ele tem imóveis.

Além disso, o MPF sustentou que o sistema de trabalho adotado permitiu "a devolução de mais de R$ 5 bilhões aos cofres públicos brasileiros, bem como o compromisso contratual de devolução de outros R$ 10 bilhões, resultado esse sem precedentes em investigações brasileiras".




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Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2021, 14h14

Comentários de leitores

28 comentários

Álvaro Hiluey sócio de Hiluey & D'Amorim Advogados

Álvaro José Hiluey Filgueiras D'Amorim (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Seja da maldita esquerda ou de direita tem que haver punição sim. Que seja aberto processo administrativo para apurar possível fraude praticada pelo procurador e, caso haja, que receba a pena para o caso que se apresenta. Inclusive, com a devolução do erário público, perda do cargo e processo judicial.

Direita hipócrita

Emanuel Vieira (Advogado Autônomo - Criminal)

O nobre procurador é de direita. Porque V. Exa. só falou da maldita esquerda e não citou a maldita direita?

Corrupção institucional da elite feudal de gravata

MACACO & PAPAGAIO (Outros)

Em meio à pandemia assassina e à descoberta das trapaças para investigar, acusar, processar e condenar ex-Presidentes, ideologismos e partidarismos à parte, vê-se, com base em fatos concretos e em análises jurídico-constitucionais, sem dificuldades, que a classe política e jurídica do país é a responsável pelo que há de mais retrógrado na nossa história. O espírito vil, colonial e mesquinho da elite egoísta insiste em pseudoideias de democracia: mas não idealiza, nem muito menos materializa, ou “democratiza”, bens e riquezas. Já o social, hoje em jogo, não tem dó nem sentido. Para que se tenha o mínimo de justiça existencial, há também e apenas um símbolo, entre um povo empobrecido, os esfomeados, os desalentados e os desempregados, que mendigam doações e vouchers.
Sem perder tempo com os inúteis cultismos acadêmicos, ou com as retóricas dos 3 Poderes, membros e agentes estatais bem aquinhoados, em trabalhos fingidos, são agora os abençoados que continuam recebendo proventos e privilégios régios e fixos, à média superior a 1 mil reais/dia, enquanto que a maioria esmagadora da população não tem direito a nada; talvez, antes de morrer, a um auxílio de R$ 250,00/mês, o que representa “só” um almoço do presidente, de parlamentares, governadores, prefeitos, vereadores e de outras castas de funcionários, efetivos e comissionados, bem pagos, cujas geladeiras, cheias de comida e vinhos, brindam à demagogia institucional, longe dos castelos dos horrores e do caos da omissão estatal. Em um mundo civilizado, esta prática se repete, porém com o detalhe de que os governos patrocinam a dignidade real em favor de seus concidadãos. Das conversas das cúpulas aos caciques do lavajatismo PCC – Primeiro Comando de Curitiba, vêm à tona as ações e intenções desta "raça".

Esguichos e tapetes:

Jbrasil (Outros)

A lava-jato, por falta de pressão hidráulica, esqueceu-se de lavar e limpar os tapetes internos.
Esguichos mal aproveitados nessa farras sensacionalistas. PT. Saudacões!

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