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Réu da "lava jato" no Rio acusa empresário de mentir para firmar delação

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Acusando-o de mentir para firmar acordo de delação premiada, o empresário Arthur Soares, o "Rei Arthur", moveu ação de indenização por danos morais contra Ricardo Siqueira Rodrigues.

Arthur Soares acusa Ricardo Rodrigues de mentir para obter delação
Reprodução

O empresário Rodrigues celebrou termo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, no âmbito da operação "lava jato" no Rio de Janeiro. Em sua delação, acusou Soares de corrupção e obstrução de justiça.

O delator disse que o empresário pagou propina de R$ 2 milhões ao delegado Ângelo Ribeiro de Almeida, dissimulada por meio de um empréstimo para a abertura de uma filial do restaurante L'Entrecotê de Paris. Segundo o colaborador, o financiamento foi feito via uma das empresas de Soares ao policial ou familiares.

No entanto, Rodrigues não soube dizer se o dinheiro foi repassado a Almeida. E alegou que, se o empréstimo foi pago, foi apenas depois da operação unfair play, para "comprovar a suposta veracidade da operação".

Além disso, o delator contou que, em 25 de agosto de 2017, estava com Soares em Lisboa. Lá, de acordo com Rodrigues, o empresário recebeu uma ligação do o ex-secretário nacional de Justiça Astério Pereira dos Santos ou pessoa ligada a ele avisando que iria ser deflagrada a operação unfair play (o que ocorreu em 5 de setembro daquele ano.). Por isso, Soares, voltou para Miami no mesmo dia ou no dia seguinte, mesmo sem ter planejado isso, narrou.

Em ação de indenização apresentada em 7 de junho à Justiça do Rio, o empresário diz que, devido às mentiras de Ricardo Rodrigues, o MPF foi induzido a erro, moveu ação penal contra ele e lhe imputou a pecha de fugitivo. Arthur Soares é considerado foragido pela Justiça brasileira desde 2017. Ele foi preso em Miami em 2019 por não portar documentos que comprovassem autorização para permanecer no país, mas foi solto logo em seguida e não foi deportado para o Brasil.

Conforme Soares, em 2014, sua empresa KB Participações concedeu empréstimo de R$ 2 milhões à mulher de Ângelo Almeida, sócia da Secret Sauce Restaurante. Esta se comprometeu a pagar o financiamento em parcelas mensais e consecutivas a partir de janeiro de 2015. Até setembro de 2016 – um ano antes da unfair play –, R$ 1,15 milhão já havia sido quitado. "Ao contrário de tudo o que afirmou o réu, o empréstimo foi uma operação foi meramente empresarial e lícita", disse Soares.

Arthur também apresentou, na ação, comprovante de que em 25 de agosto de 2017 estava em Miami, aonde tinha chegado no dia anterior, e não em Lisboa, como narrou o delator. O empresário ainda demonstrou que tinha comprado a passagem em 17 de agosto.

Dessa maneira, Soares pede indenização por danos morais de R$ 50 mil. E requer que o MPF e a Justiça Federal investiguem a conduta de Rodrigues.

Clique aqui para ler a petição




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 16 de outubro de 2020, 17h39

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