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Temer diz sentir pena da figura do ex-PGR Rodrigo Janot

Em dia 17 de maio de 2017, o então procurador-Geral da República Rodrigo Janot divulgou à imprensa uma edição feita a partir de uma gravação do empresário Joesley Batista, da JBS, em conversa com o então presidente da República Michel Temer.

A partir de parte desse material, o procurador afirmou que o emedebista estimulara a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Quase três anos depois, já absolvido pelo Juízo da 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, que não viu na denúncia nada semelhante ao que o então PGR divulgou, Temer disse à TV ConJur sentir "pena" do procurador, hoje aposentado e no ostracismo.

"Tenho pena. Confesso a você quando vejo a figura do ex-procurador-geral, os azares da vida dele, em função daquele ato homicida-suicida, e outros tantos."

No fim do último mês de setembro, pouco antes de lançar seu "Nada menos que tudo" — livro em que ele conta os bastidores de enquanto esteve à frente da "lava jato" na PGR —, disse que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, chegou a ir armado para uma sessão do Supremo Tribunal Federal com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. E em seguida cometer suicídio.

"O coitado foi vítima também de busca e apreensão. Depois perdeu a carteira da Ordem [OAB]. Eu fico com pena de alguém com um cargo tão relevante em nosso país, ele conversava muito comigo, tivesse chegado a esse ponto. Lamento por ele."

No mês seguinte ao lançamento do livro, Janot pediu licença à Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Distrito Federal, e ficou impedido de advogar. 

"E lamento as demais arbitrariedades (...) Houve um repúdio àquele gesto tão arbitrário, mas que era fruto, precisamente, das coisas como elas vinham caminhando no país. Precisamos punir, punir, punir, e temos que nos apresentar como aqueles que punem. [Mas] eu acho que isso está mudando e, se Deus quiser, vai mudar nosso sistema", finaliza.

Leia aqui e aqui as entrevistas já publicadas e abaixo o sétimo vídeo da série:




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Revista Consultor Jurídico, 4 de março de 2020, 15h21

Comentários de leitores

2 comentários

Schadenfreude

olhovivo (Outros)

O colega Bruno tem toda razão. Toda generalização é burra, mas é de se observar que alguns dos integrantes da instituição, são acometidos de "Schadenfreude", uma expressão alemã que designa o sentimento de alegria ou satisfação perante o dano ou infortúnio de um terceiro. Isso ficou bem explícito quando se revelaram as pilhérias que faziam com a morte de um menino de 8 anos e de um idoso, somente pelo fato de o primeiro ser neto e o segundo um irmão de um alvo de várias ações penais por eles promovidas (algumas rejeitadas pelos juízes). Infeliz de um país que possui servidores dessa estirpe.

Seres iluminados

Bruno Castellar (Advogado Autônomo - Administrativa)

Criamos um monstro.
Os membros do Ministério Público acreditam sinceramente que são seres superiores e iluminados.
Ao passarem no concurso, acreditam que se revestem de uma aura divina de probidade e que possuem como missão curar a corrupta população brasileira.
Na visão desses seres divinos todos sofrem deste mal e todos merecem pena máxima, passando anos de suas vidas sofrendo nas masmorras para purificarem suas almas impuras.

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