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Voz da experiência

Temer defende empenho do governo federal na preservação da vida

É fundamental que o governo federal empenhe suas forças para a preservação da vida neste momento de epidemia do novo coronavírus. A melhor medida a ser adotada é de centralização de matérias para haver uniformidade no país e não gerar conflitos de diversas naturezas. 

Temer chegou a dar sugestões para Bolsonaro, que não as seguiu
Marcos Corrêa

A sugestão é o ex-presidente Michel Temer, que participou do seminário virtual Voz da Experiência, nesta segunda-feira (5/4). O evento foi organizado pela TV ConJur e apresentado por Nelson Jobim, ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça.

"É preciso enaltecer o valor-vida. Os governos devem voltar todos os olhos para o combate à pandemia. As coisas estão sendo feitas, o governo federal destinou bilhões que estão sendo aplicados para cuidar dos vulneráveis e pequenas e médias empresas", afirmou. 

Em sua análise, os governos estaduais têm feito seu papel e o Poder Judiciário, também. Temer elogiou a decisão do Supremo Tribunal Federal que garantiu que estados e municípios também têm competência para cuidar de assuntos

O ex-presidente defendeu que o trabalho do presidente da República seja feito com base em valores constitucionais. "É fruto da nossa história a ideia de que o presidente manda, mas não é isso que acontece. Quem governa é o Executivo com o legislativo", afirmou. 

De acordo com o emedebista, Jair Bolsonaro atacou o que chama de "velha política" e achou que poderia governar sem diálogo com o Congresso. No entanto, essas foram algumas das causas para a crise que vivencia atualmente em seu governo. A ideia vai de encontro com que afirmaram os ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso.

"Será que é da velha política o combate à inflação? Ou o prestigiamento da indústria brasileira? É da velha política a lei de responsabilidade fiscal? A queda do juros? A moralização das estatais?", questionou Temer.

Sem desabafos
Sobre o episódio em que Bolsonaro atacou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF — que suspendeu a nomeação para chefia da PF —, Temer afirmou que o presidente não pode desabafar, mas sim "deve demonstrar ter temperança".

Ele também saiu em defesa do Supremo, dizendo que as decisão buscam amparo constitucional e fundamento jurídico. Segundo ele, "não dá para dizer nunca que Supremo pratica decisões de natureza política. O STF pratica decisões jurisdicionais".

O ex-presidente contou que chegou a ligar para Bolsonaro para lhe dar palpites. O primeiro foi o de decretar isolamento social com a epidemia do coronavírus, e o segundo, de que não falasse com a imprensa diariamente, como faz em frente ao Palácio da Alvorada.

De acordo com Temer, embora Bolsonaro tenha parecido ouvir os conselhos, não o seguiu. Para ele, o atual presidente tem feito a pauta do país, pois faz uma declaração pela de manhã e passa o resto do dia tendo que se explicar.

Além disso, criticou o fato de que Bolsonaro tem participado de manifestações que "geram certo ódio e raivosidade no país, que não é típica do brasileiro". "O povo não quer saber de política, quer saber de como se livra da pandemia e, mais adiante, como vai conseguir emprego", disse.

O evento foi promovido pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa no (Iree) e pela Aliança de Advocacia Empresarial.

Assista abaixo ao seminário:

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Revista Consultor Jurídico, 4 de maio de 2020, 17h24

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