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Gherardo Colombo

Zanin se encontra na Itália com procurador da operação "mãos limpas"

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O advogado Cristiano Zanin, responsável pela defesa de Lula, foi recebido no sábado (15/2) pelo ex-juiz da Suprema Corte da Itália Gherardo Colombo, um dos procuradores responsáveis pela operação mani pulite (mãos limpas), que investigou casos de corrupção no país europeu durante a década de 1990. 

Encontro ocorreu de modo informal em Milão
Arquivo Pessoal

O encontro, que durou aproximadamente 2 horas, ocorreu de modo informal em Milão. Conversaram, entre outras coisas, sobre a “lava jato”, os excessos cometidos pelo ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, e sobre a prisão de Lula em 2018.

Zanin aproveitou para entregar ao ex-procurador um exemplar do livro “Lawfare: uma introdução”, escrito por ele, pela também advogada Valeska Teixeira, e pelo jurista Rafael Valim.

“Entendo que é impossível comparar a ‘mãos limpas’ com a ‘lava jato’, sobretudo após essa conversa”, disse Zanin à ConJur. O advogado também afirmou que Colombo pareceu chocado ao saber que Moro autorizou a interceptação do principal ramal do escritório de Zanin durante 23 dias. A informação foi obtida com exclusividade pela ConJur em março de 2016.

“A operação anticorrupção ocorrida na Itália pode ser criticada sob alguns aspectos, sobretudo pela exposição dos acusados à imprensa para que chegassem desgastados ao julgamento. Mas a ‘lava jato’ foi muito além: grampeou advogados; teve o principal juiz coordenando a acusação nos bastidores e tramando contra o principal acusado e sua defesa; foi alimentada pela cooperação informal e ilegal com promotores dos Estados Unidos; e foi instrumento do lawfare, que é o uso estratégico do Direito para fins de deslegitimar, prejudicar ou aniquilar um inimigo”, diz. 

Ainda segundo ele, a “lava jato” fez uso justamente das características mais questionáveis da operação italiana, “em especial, o uso da mídia para enfraquecer o acusado e a defesa”. 

“Na ‘mãos limpas’ provaram a culpa do principal acusado, o Bettino Craxi. Na ‘lava jato’, inventaram um enredo para impor culpa artificial ao principal acusado, o ex-presidente Lula, e buscaram colocar essa versão em pé com delações mentirosas que deram benefícios substanciais aos que efetivamente praticaram atos ilícitos." 

Luigi Ferrajoli
No dia anterior, Zanin e Lula foram recebidos em Roma pelo jurista Luigi Ferrajoli, um dos mais importantes teóricos do garantismo na Itália, além de fervoroso crítico da “lava jato” e de Moro. 

Em carta publicada na ConJur em 2018, Ferrajoli expressou preocupações com o “singular traço inquisitório do processo penal brasileiro” e a confusão “entre o papel julgador e o papel de instrução”. 

“A impressão que este processo [contra Lula] desperta em extenso setor da cultura jurídica democrática italiana, é aquela de uma ausência impressionante de imparcialidade por parte dos juízes e procuradores que o promoveram”, afirmou na ocasião.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2020, 15h10

Comentários de leitores

8 comentários

Choque cultural

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A reportagem, e respectivos comentários, são bem um retrato do choque entre a cultura brasileira e a do mundo civilizado. Desde há muitos anos o Brasil vem recebendo a contribuição de vários juristas e sociólogos italianos, que afirmaram e demonstraram que a "Lava Jato" nada tem a ver com a "Operação Mãos Limpas" desenvolvida na Itália, uma vez que na "Lava Jato" foram utilizados métodos da Inquisição objetivando um resultado específico, independentemente da culpa dos réus. Mas não é só. Vários estudiosos italianos demostraram aqui a "Operação Mãos Limpas" foi um completo e monumental desastre, que levou a Itália a uma grave crise. Mas, e nesse ponto é possível se verificar as diferenças culturais, enquanto os italianos escutam, analisam e eventualmente exaram alguma consideração, aqui no Brasil as pessoas sequer escutam, e sem qualquer análise já lançam longas considerações (que são na verdade apenas delírios pessoais). Claro, somos muito mais espertos, inteligentes e conhecedores de tudo do que italianos, alemães, americanos ou japoneses, até mesmo porque são eles que estão em profunda crise, e não nós.

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Desnecessária

G.Z. (Outros)

Como bem sinalizado pelos demais comentaristas, essa notícia do Conjur infelizmente vai de encontro à imparcialidade e fere a credibilidade desse veículo de informações. Não tenho nenhum interesse em saber sobre o que fulano anda fazendo da vida e não gostaria de ficar sabendo disso por aqui. De fato, as colunas sociais são desnecessárias e nada bem-vindas. Sugiro que o Conjur retorne à imparcialidade que esperamos.

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Enquanto a caravana passa...

José R (Advogado Autônomo)

O CASAL 20 desperta ira e despeito na turba reacionária... O esperneio é convulsivo nas hostes “boçonárias”.

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