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US$ 11,2 milhões

MPF denuncia doleiro Chaaya Moghrabi e dez pessoas por lavagem de dinheiro

O Ministério Público Federal ofereceu nova denúncia contra o doleiro Chaaya Moghrabi e outras 10 pessoas por integrarem uma extensa rede de familiares usada para ocultar e dissimular a origem de US$ 11,2 milhões mantidos em contas na Suíça.

Segundo MPF, Chaaya e familiares compunham esquema criminoso
Reprodução 

Chaaya, um dos principais doleiros de São Paulo, foi investigado pela força-tarefa da “lava jato” no Rio de Janeiro. De acordo com a denúncia, “sua mais forte atuação ocorre na geração de moeda em espécie no Brasil, indicando contas no exterior para a transferência de recursos em compensação às quantias de reais em espécie entregues a outros doleiros”.

Esses reais em espécie seriam angariados por ele de comerciantes paulistas, principalmente da Rua 25 de Março e da região do Bom Retiro, cujos comércios transacionam enorme quantidade de dinheiro “vivo” diariamente.

Seriam quantias que via de regra não ingressariam na contabilidade formal das empresas e, com claro propósito de evasão fiscal e o auxílio do doleiro, passariam a ser custodiadas no exterior, fora do controle das autoridades brasileiras, segundo o MPF.

Na última sexta-feira (18/12), a 7ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro decretou nova prisão preventiva de Chaaya, em decisão revertida pelo ministro Gilmar Mendes pela terceira vez.

Segundo o MPF, a nova cautelar foi necessária porque, em 10 de novembro, o cumprimento das medidas de busca e apreensão foi marcado por interferências dos investigados, bem como pela tentativa de ludibriar a atuação policial.

Chaaya também já responde a outras duas ações penais: uma referente à operação “câmbio, desligo” e outra por crimes contra o sistema financeiro envolvendo a corretora Advalor.

A mulher de Chaaya, Hanna Yacoby, sua irmã, Sarita Moghrabi, e seus pais, Nassim Moghrabi e Salha Moghrabi foram também denunciados por organização criminosa. Já Shamoun Cohen, cunhado de Chaaya, seu irmão Rouben Cohen e seus pais, Albert Cohen, Samha Cohen, foram denunciados por utilizar sua offshore Hakka para ocultar 4,6 milhões de dólares. Nissim Chreim, tio de Chaaya, e sua esposa, Thania Chreim, por sua vez, se valeram da conta Bendol para ocultar US$ 60 mil.

Em novembro, Chaaya e seus familiares foram alvo de outra ação do MPF, com o objetivo de desarticular a rede de lavagem de ativos que se utiliza de offshores e contas no exterior.

As investigações também demonstraram que outra forma de atuação da organização criminosa é a aquisição no exterior e posterior comercialização no Brasil de joias de elevado valor. Na residência de Sarita Moghrabi foi encontrada uma grande de joias escondidas, todas com etiquetas de venda.

Três sistemas informatizados entregues por colaboradores registram as movimentações de dólar-cabo operadas por Chaaya em conjunto com seus familiares. A denúncia apresentada pelo MPF narra recursos mantidos com o uso da offshores Excel Overseas (US$ 80,6 mil), Moa Holding (US$ 200 mil), Bendol (US$ 60 mil), Volane (US$ 155,8 mil ) e Hakka (US$ 4,6 milhões).

Também constam saldos das contas Eyesblue (US$ 2 milhões) e Lotter (US$ 4 milhões). Além da condenação dos denunciados, o MPF pede o bloqueio de US$ 11,2 milhões para reparação de danos. Com informações da assessoria de imprensa do MPF.




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Revista Consultor Jurídico, 22 de dezembro de 2020, 18h04

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