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com tornozeleira eletrônica

Humberto Martins substitui prisão de Marcelo Crivella por domiciliar

Em liminar deferida na noite desta terça-feira (22/12), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, substituiu a prisão preventiva do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), pela prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica.

Crivella poderá cumprir domiciliar com outras medidas cautelares
Tomaz Silva/Agência Brasil

Além disso, o prefeito está proibido de manter contato com terceiros; terá que entregar seus telefones, computadores e tablets às autoridades; está proibido de sair de casa sem autorização e proibido de usar telefones.

As medidas cautelares são válidas até que o ministro Antonio Saldanha Palheiro, relator do habeas corpus impetrado pela defesa de Crivella, analise o mérito do pedido – o que deverá acontecer após o fim das férias forenses.

Acusado de envolvimento em esquema de propinas na prefeitura, Marcelo Crivella foi preso em casa na manhã desta terça por ordem de uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que também o afastou do cargo.

O ministro Humberto Martins afirmou que a decisão da desembargadora fundamenta a necessidade de restringir a liberdade do político, mas não justifica a prisão preventiva.

"Não obstante o juízo tenha apontado elementos que, em tese, justifiquem a prisão preventiva, entendo que não ficou caracterizada a impossibilidade de adoção de medida cautelar substitutiva menos gravosa, a teor do artigo 282, parágrafo 6º, do Código de Processo Penal", comentou o ministro, ressaltando que, segundo a jurisprudência do STJ, a prisão preventiva só não deve ser substituída por medidas cautelares diversas quando se mostrar imprescindível.

Martins mencionou que Marcelo Crivella integra o grupo de risco da Covid-19 e que também por esse motivo pode ter a prisão preventiva substituída pelo regime domiciliar, como orienta a Recomendação 62 do Conselho Nacional de Justiça.

Presidente do STJ, ministro Humberto Martins entendeu que TJ-RJ não fundamentou a necessidade da prisão
Luiz Silveira/Agência CNJ

Fim de mandato
No pedido de Habeas Corpus, a defesa afirmou que a ordem de prisão é "teratológica" e pretende impor uma "punição antecipada" ao político, pois não fundamenta a necessidade da medida extrema, limitando-se a tecer considerações sobre o suposto envolvimento do prefeito nos crimes investigados. Além disso, os advogados lembraram que, como não foi reeleito, Crivella deixará o cargo em 1º de janeiro.

Esses fatos, para a defesa, tornam a prisão desnecessária, seja como garantia da ordem pública ou por conveniência da instrução penal. Alegaram ainda que a desembargadora que decretou a prisão não teria competência para tal ato, pois o TJ-RJ já estaria em recesso, cabendo ao presidente daquela corte decidir a respeito.

Segundo o presidente do STJ, a defesa não comprovou ilegalidades na atuação da desembargadora.

"Verifica-se que não foram trazidos aos autos elementos concretos que evidenciem que não estava a relatora em pleno exercício de suas funções no Primeiro Grupo de Câmaras Criminais de forma a autorizar a sua atuação em pleno recesso forense", comentou Martins.

QG da Propina
Marcelo Crivella foi uma das seis pessoas presas nesta terça-feira após investigações sobre um suposto "QG da Propina" na prefeitura do Rio.

Segundo o Ministério Público estadual, empresários pagavam propina para conseguir contratos com o município e também para receber mais facilmente os valores devidos pelos cofres públicos.

As investigações tiveram origem na colaboração premiada de um doleiro preso em um dos desdobramentos da "lava jato" no Rio. O MP aponta o prefeito como líder da suposta organização criminosa, e o acusa ainda dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Com informações da assessoria de imprensa do STJ.

Clique aqui para ler a decisão
HC 636.740




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Revista Consultor Jurídico, 22 de dezembro de 2020, 22h10

Comentários de leitores

6 comentários

Incrível a velocidade.

Saul Godman (Advogado Associado a Escritório - Criminal)

Liminar concedida às 22:30 da mesma noite da data da prisão, inclusive, ao que parece, com mitigação da súmula 691, já que se tratava de decisão singular de desembargadora relatora.
A jurisprudência defensiva das Cortes Superiores só serve para barrar os pobres, pretos, descalços e descamisados.
O Brasil não é uma República.

NOJO

Flávio Marques (Advogado Autônomo)

Acho interessante a eficiência e presteza com que liminares são deferidas quando se trata da verdadeira escória e homicidas do país, que muito mais vidas ceifam do que aqueles do art. 121 do CP. Isso só demonstra o quão repugnante é o judiciário com a sua (podre) estrutura que visa a resguardar a elite, apadrinhados, "costas-quentes" e afins. NOJO!!!

Como se faz

BASILIO (Advogado Sócio de Escritório)

para ter uma liminar em meia hora, se a denuncia tem 450 páginas? Procurei no RISTJ e não achei.
Desconfio que a Liminar foi em decorrência de tratar-se de crime de bagatela.

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