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Apoio popular ao impeachment de Trump aumentou, indicam pesquisas

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Quatro pesquisas de opinião pública, divulgadas nesta semana nos EUA, indicam que o apoio popular ao impeachment do presidente Donald Trump vem esquentando. Essa é a notícia mais relevante, em um processo de impeachment no país, para quem quer saber se um presidente vai perder o emprego ou não.

A briga entre os democratas e Trump, apoiado pelos republicanos, também está esquentando. Os parlamentares discutem, fazem discursos e declarações à imprensa. Mas, na hora de tomar decisões, respondem aos comandos de suas bases eleitorais. Assim, o sentimento da opinião pública é o único termômetro confiável, nos EUA, para se medir a temperatura de um processo de impeachment.

Veja em que pé está a opinião pública no momento, segundo as últimas pesquisas:

• Pesquisa da NBC/Wall Street Journal revelou que 55% dos eleitores acredita que as ações de Trump devem ser investigadas para fins de impeachment, em vista da seriedade dos problemas apresentados. Mas 39% acha que Trump não deve ser investigado e 6% não têm opinião a respeito. Quase um quarto dos entrevistados (24%) acha que já existem provas suficientes para removê-lo do cargo.

• Pesquisa da Quinnipiac revelou que 53% dos eleitores registrados apoia a investigação formal para impeachment. Em comparação, 43% não apoia (4% não sabe dizer). Perguntados se Trump deve sofrer impeachment e ser afastado do cargo (que são coisas diferentes), 45% diz que sim, ele deve ser afastado, e 49% se opõe à ideia. Observe-se que a Câmara dos Deputados pode aprovar o impeachment, mas o Senado vai julgá-lo e pode absolver o presidente.

• Pesquisa do Washington Post-Schar School revelou que 58% dos eleitores endossa a decisão da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, de abrir investigações para efeito de impeachment. Em comparação, 38% desaprova. A mesma pesquisa revelou que 49% dos entrevistados acha que o presidente deve ser afastado do cargo, enquanto 44% acha que não – e 7% não sabe dizer.

• Pesquisa do Politico/Morning Consult revelou que 50% dos eleitores registrados é a favor do afastamento do presidente, enquanto 43% é contra a ideia – e 7% não tem opinião. Curiosamente, 40% dos entrevistados é a favor do afastamento do cargo, enquanto apenas 38% é a favor das investigações para efeito de impeachment.

As pesquisas mostraram que 8 em 10 democratas apoiam as investigações dos atos de Trump, para efeito de impeachment. Mas aqui vêm as más notícias para eles: 7 em 10 republicanos são contrários às investigações. E enquanto quase 8 em 10 democratas são a favor do afastamento do presidente, apenas um quinto dos republicanos concorda com isso.

Uma boa notícia para os democratas é a de que 57% dos eleitores independentes (ou sem partido) apoia as investigações contra Trump. E 49% acha que ele deveria ser afastado do cargo. Outra boa notícia está no fato de que, se Trump não sofrer impeachment, a maioria dos eleitores independentes está disposta a votar contra ele nas eleições de 2020.

A melhor maneira de mostrar que o apoio popular ao impeachment está aumentando é comparar as atuais pesquisas com as de julho deste ano. Desde então, o apoio dos democratas aumentou 25 pontos, o dos republicanos, 21 pontos (o que é significativo) e o dos independentes, 20 pontos.

A diferença é ainda mais notável se comparadas as atuais pesquisas com as de abril. Enquanto a atual pesquisa do Washington Post indica que 58% dos entrevistados é a favor da abertura de investigações para impeachment e 38% se opõe, a pesquisa de abril do jornal indicou que 37% dos eleitores eram a favor da abertura de processo de impeachment e 56% eram contra.

Em outras palavras, as pesquisas mostram que o termômetro do impeachment está subindo, especialmente porque mais republicanos estão aderindo à ideia.

A mudança é lenta porque a maioria dos democratas só busca suas notícias na CNN e na MSNBC, que atacam Trump 24 horas por dia, 7 dias por semana. E a maioria dos republicanos só assiste a Fox News, que defende Trump 24/7.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 11 de outubro de 2019, 7h29

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