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"pacote anticrime"

Moro aproveita tuíte de Glória Perez e reforça campanha pelo seu projeto

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O ministro Sergio Moro (Justiça) segue na cruzada para tentar emplacar suas propostas para a segurança pública em propaganda paga no rádio e na televisão e também por meio de postagens de apelo "emocional" nas redes sociais.

Moro pega carona na cruzada de Glória Perez, que perdeu a filha aos 22 anos Arquivo Pessoal

Neste domingo (6/10), o ex-juiz da "lava jato" respondeu a um tuíte da autora de novela Glória Perez para promover o conjunto de propostas que nomeou de "pacote anticrime". 

"Por trás de cada crime, uma tragédia pessoal. O júri é soberano ou não no julgamento de assassinatos? Se sim, por que transformá-lo em tribunal de passagem? É normal sair andando livre na rua após ser condenado por assassinato? Chega de impunidade #PacoteAnticrime", escreveu. 

A mensagem foi uma resposta à publicação de Perez, que perdeu a filha Daniella brutalmente assassinada em 1992. A roteirista compartilhou uma notícia sobre Adriana Villela, que matou os pais e a empregada da família, foi condenada a 67 anos de prisão, mas poderá recorrer em liberdade. A autora aproveitou para defender o pacote de leis de Moro.

"Condenada a 67 anos de prisão sai livre do Tribunal! É disso que trata também o projeto anticrime #Moro “Crime da 113 Sul: Adriana Villela é condenada pelos assassinatos dos pais e da empregada da família." 

Daniella Perez foi morta aos 22 anos a tesouradas pelo colega de trabalho Guilherme de Pádua, com quem atuava em "De Corpo e Alma", da TV Globo, e fazia um par romântico na novela da faixa das 8h da noite.

Pádua foi condenado a 19 anos e cumpriu seis em regime fechado. A mãe da vítima então passou a ser uma voz cobrando punições mais duras para crimes contra a vida. 

Filha de ministro 
A arquiteta Adriana Villela foi condenada a 67 anos e 6 meses de reclusão em regime inicialmente fechado pelo assassinato do pai, José Guilherme Villela, ministro do Tribunal Superior Eleitoral, da mãe, Maria Villela, e da empregada da família Francisca Nascimento Silva, em 2009, em Brasília.

Emparedando Congresso 
Moro tem tentado sair da defensiva e ir para o ataque. Na quinta-feira (3/10) lançou em conjunto com o presidente Jair Bolsonaro uma campanha publicitária para promover seu pacote de leis. 

A propaganda de televisão relata casos reais, nos quais parentes de vítimas mostram angústia por conta dos criminosos terem tido algum benefício legal do qual discordam. 

A medida não caiu bem no Congresso, que vê uma tentativa do ministro de emparedar o Congresso e obrigá-lo a aprovar o projeto. PCdoB, PSOL e Rede foram ao Tribunal de Contas da União para impedir a campanha publicitária.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 6 de outubro de 2019, 12h19

Comentários de leitores

3 comentários

Impunidade penal!

Neli (Procurador do Município)

A impunidade penal começou com a Lei 5941/1973! A Ditadura para beneficiar um dos seus, determinou essa lei. Aí, implicitamente, o crime começou a compensar.
E o Constituinte de 1988 confundiu preso político com bandido comum e deu cidadania para aqueles.
A Constituição de 1988 é a única, dos países civilizados, a dar cidadania para bandidos comuns e constitucionalizou implicitamente o aforismo: o crime compensa. Na vigência da Constituição, em muitos julgados, o STF entendeu que a prisão em segunda instância era constitucional. E, num caso famoso passou a entender que essa prisão era inconstitucional.
Até que há uns dois anos, reformulou entendimento.
E agora, para beneficiar quem não deve ser beneficiado, vai alterar.E prejudicar a sociedade inteira! E quem padece é o Brasil real , porque suas excelências (legisladores e ministros), não vivem nele. Homicídio: vida humana nada vale no Brasil!
Penas pífias na supressão, dolosa, da vida de alguém(12 a 30 anos).
A vida que foi suprimida pouco vale!
O assassino tira a vida de alguém, condenado a 18 anos(por exemplo), cumpre um terço da pena e sai. Feliz para viver, gozando a vida. A vida que ele, como se fosse um deus, suprimiu de alguém.
E a vida de quem morreu? Não vale absolutamente nada!
Pena carcerária pífia.
Presunção de inocência?
E o Direito à vida?
Não seria mais importante?
A liberdade de um "deus"? Ou a vida de quem partiu e as consequências deixadas pela ausência em definitivo?
Por outro lado.
Sou contra o Júri!
Penso que o Juiz Togado tem muito mais capacidade para julgar um homicida do que sete jurados.
Pacote do Moro: panaceia!
Engana a quem?
Eduque a todos para respeitar o próximo.
E chega de impunidade.
Policiais Militares: existe amparo hoje(art. 23,III C P).

Marionete

Roger37 (Praça da Aeronáutica)

Me recuso a acreditar que a "excludente de ilicitude" prevista nesse pacote tenha saído da cabeça de um ex juiz de direito.

Moro tem projeto de poder e quer virar um pequeno ditador

Paulo Wach (Professor)

Moro é efetivamente um canalha que deveria estar preso.

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