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Sítio de Atibaia

Delator da "lava jato" diz ter sido "quase coagido" a falar de Lula

Em depoimento à Justiça de São Paulo, o ex-diretor-superintendente da Odebrecht Carlos Armando Paschoal disse que foi "quase que coagido a fazer um relato sobre o que tinha ocorrido" e que teve que "construir um relato" no caso do sítio de Atibaia que envolve o ex-presidente Lula. O executivo fez acordo de delação premiada com os procuradores da "lava jato". 

Conforme reportagem do UOL, o ex-diretor da Odebrecht prestou depoimento no dia 3 em um caso de improbidade administrativa que envolve o ex-secretário-executivo do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações do governo Michel Temer (MDB), Elton Santa Fé Zacarias. 

"No caso do sítio, que eu não tenho absolutamente nada, por exemplo, fui quase que coagido a fazer um relato sobre o que tinha ocorrido. E eu, na verdade, lá no caso, identifiquei o engenheiro para fazer a obra do sítio. Tive que construir um relato", disse Paschoal. 

O executivo não deu detalhes de como se deu essa coação nem em quais pontos o seu relato no caso do sítio de Atibaia teria sido construído. 

Em novembro de 2018, em depoimento à Justiça Federal no Paraná, Paschoal disse que recebeu um pedido da cúpula da Odebrecht para "ajuda na reforma de uma casa em Atibaia, que seria, segundo ele me relatou, oportunamente utilizada pelo então presidente [Lula]".

Ele disse que esse envolvimento da Odebrecht na obra não poderia ser revelado e que não lhe foi dado nenhuma explicação sobre o motivo da tarefa. 

Revista Consultor Jurídico, 16 de julho de 2019, 12h49

Comentários de leitores

8 comentários

Sim ou não

Guilherme G. Pícolo (Advogado Autônomo - Civil)

Ou foi coagido ou não foi. "Quase coagido" não significa nada em termos jurídicos

Quase que ganhei na loteria

sebastian (Bacharel - Administrativa)

Pois é, quase que ganhei na loteria da virada do ano. Infelizmente, fiquei só no "QUASE".

Sandices à la carte, isso é duplipensar!

Artur S. (Outros)

Um sujeito faz delação, roborada por outros elementos de prova, o que conduz à certa homologação, e vem dizer que 'puseram palavras na sua boca', com uma 'quase arma' e 'quase ameaças'?

E os meios de comunicação sedizentes apartidários e deferentes à verdade dos fatos ainda replicam tamanha sandice?

Inaugura-se o novo fenômeno do 'quase coagido', que equivale ao 'quase grávidx' pelos repórteres, digo, blogueiros brisados, que fazem corar os jornalistas sérios de antanho.

Esse argumento, essa narrativa do 'delator da lava-jato', não deve nem pode ser levada a sério: foi fabricada para contrapor a declaração de próprio punho de outro delator, que enviou carta a jornal de grande circulação a fim de contestar as mentiras e distorções publicadas. Lembram?

Os leitores do Conjur tem pessoas inteligentes, honestas e sérias, que certamente levarão isso em desapaixonada análise antes de traçar conclusões e tomar partido. Oxalá o sejam.

Quem afirma que as delações são 'arrancadas' por intimidação parte de premissas frágeis, precipitadas, do mesmo quilate dos abolicionistas penais e extremo-garantistas.

Shame on you, John Galt.

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