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Oferta inesperada

Apple vai treinar policiais em técnicas forenses digitais

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A Apple enviou uma carta a um senador dos Estados Unidos na quarta-feira, na qual anuncia que montou uma equipe para treinar agentes das forças de segurança globalmente em técnicas forenses digitais. O objetivo é ajudar investigadores criminais inexperientes, que têm dificuldades para lidar com grandes quantidades de dados.

A empresa também anunciou que vai desenvolver, até o final do ano, um portal especial para agentes das forças de segurança, para facilitar a obtenção de dados que podem ajudar a esclarecer crimes em poder da Apple. Através desse portal, os agentes poderão submeter e rastrear requisições de dados on-line, o que vai agilizar o procedimento.

Só em 2017, a Apple recebeu 14 mil requisições de dados, dos quais 231 se referiam a “emergências domésticas”, enviadas por policiais por meios tradicionais (incluindo e-mails), desde que os pedidos sejam legais, informou a empresa em sua carta ao senador democrata Sheldon Whitehouse, de Rhode Island.

“Conforme mais dados forem disponibilizados on-line e em nossos dispositivos, haverá formas novas e mais inteligentes para as empresas de tecnologia e as forças de segurança cooperarem para resolver crimes”, disse o senador aos jornais The Washington Times e Huffington Post.

A diretora jurídica da Apple, Kate Adams, afirmou na carta que o conhecimento de sistemas digitais e sobre como acessá-los, manipular e utilizar provas digitais tem se tornado cada vez mais importante para quase qualquer tipo de caso criminal. “No entanto, o treinamento para manipular, recuperar, analisar e armazenar provas é muito limitado”, ela disse.

Uma pesquisa feita com investigadores criminais no ano passado revelou que, em média, eles tiveram apenas 12 horas de treinamento em perícia digital. A Apple está desenvolvendo para a polícia um programa de treinamento on-line que espelha o treinamento que a empresa oferece em classe de aula.

A oferta da Apple é um tanto inesperada porque a empresa tem vivido seguidos conflitos com órgãos governamentais, exatamente por dificultar os trabalhos investigativos da polícia e do FBI.

A empresa tem sido criticada por autoridades por vender iPhones equipados com recursos de segurança, que tornam difícil o acesso a provas digitais em dispositivos legalmente confiscados. Entre outras funcionalidades, o iPhone tem um sistema de criptografia que protege mensagens trocadas entre usuários que utilizam o iMessage, protocolo patenteado da empresa.

Além disso, as autoridades reclamam que a Apple permite aos usuários de seu smartphone protegê-lo com uma senha que torna muito caro, se não impossível, extrair dados de um dispositivo bloqueado.

Em 2016, o Departamento de Justiça dos EUA chegou a processar a Apple, na esperança de obrigar a empresa a ajudar as autoridades policiais a desbloquear um iPhone de um suspeito de terrorismo assassinado. Mas o governo desistiu do processo depois de gastar centenas de milhares de dólares com a contratação de uma firma de segurança para realizar o trabalho.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 7 de setembro de 2018, 11h56

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