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Disputa do Oriente

Justiça proíbe entidade maçônica de espalhar denúncias contra rival

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A disputa entre as lojas maçônicas paulistas e a entidade nacional continua. No mais recente episódio, o juiz Rogério Murillo Pereira, da 34ª Vara Cível de São Paulo, acolheu pedido do Grande Oriente São Paulo e determinou que o Grande Oriente Brasil pare de espalhar denúncias de que a entidade paulista estaria envolvida em crimes. 

Em setembro, uma disputa por poder resultou numa tentativa de o Grande Oriente Brasil passar a administrar São Paulo. Os paulistas foram à Justiça e conseguiram evitar, sendo que tiveram confirmadas suas alegações de que seriam uma entidade completamente independente. 

Após a cisão, o Grande Oriente Brasil passou a ir atrás de membros da maçonaria paulista para convencê-los a migrar para a entidade nacional. Segundo os paulistas, um dos argumentos utilizados na tentativa de conversão era afirmar na carta de desfiliação que o instituição de São Paulo está envolvida em processos criminais. 

O juiz Rogério Murillo Pereira determinou que o Grande Oriente Brasil pare de imputar ações criminosas a São Paulo e que mude a carta utilizada para tentar desfiliações. 

O Grande Oriente São Paulo foi representado pelos advogados Ricardo Sayeg e Nelson Calandra. 

Processo 1106003-26.2018.26.0100

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 4 de novembro de 2018, 13h32

Comentários de leitores

3 comentários

Do conhecimento?

Eloisa Nascimento (Advogado Autônomo - Civil)

Não entendi o início da petição: "Como é do conhecimento de V. Excia....".? Como pode o juiz ter conhecimento do fato antes do fato chegar ao seu conhecimento, não se tratando de caso público e notório, ainda porque a maçonaria é uma entidade fechada?

O que eu sei sobre a maçonaria ? (2)

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Do ponto de vista histórico, muitos autores e replicadores atribuem à maçonaria, instituição oficialmente fundada em 1717, um projeto de derrubar as monarquias europeias, pois era um grupo formado de ricos banqueiros que tinham dinheiro e influência, mas eram plebe. Deliberaram, pois, derrubar as dinastias, as linhagens e assumir o seu lugar como senhores da terra num sistema de feudalismo. Atribuem a esse grupo o aporte de recursos financeiros e culturais para provocar rebeliões em muitos países, sendo as principais A Independência Americana, em 1776, a Revolução Francesa, em 1789, mesmo ano da Inconfidência Mineira no Brasil. Paralelamente, financiaram artistas, cientistas, filósofos, etc. para criar uma nova mentalidade de modo a destruir os três pilares da civilização ocidental - a filosofia grega, a moral judaico-cristã e o direito romano. Atribuem à maçonaria o financiamento de autores para a produção cultural de ideias como o socialismo, o comunismo e até uma determinada vertente de produção literária esotérica. Lançar tantas acusações, ao mínimo, requer estabelecer distinções, não cometer o erro de generalizações, que, via de regra, sempre são injustas. Eu sou católica e ficaria indignada se ouvisse alguém afirmar que todos os padres são pedófilos. Sabemos que não. No entanto, a instituição Igreja Católica, por acobertar tantos casos de pedofilia no mundo inteiro, acaba por tornar-se conivente e, se nada for alterado, corrompida. Então, como os maçons que eu conheço não me decepcionaram até hoje, é para mim irrelevante se eles são maçons. No entanto, se os maçons agirem com o mesmo acobertamento, serão responsabilizados de uma forma ou outra.

O que eu sei sobre a maçonaria ?

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Desde os tempos de faculdade, conheci alguns colegas que eram maçons porque ao final de suas assinaturas colocavam três pontinhos em forma de um triângulo. Um dia, perguntei o motivo para fazerem isso e então responderam que eram maçons. Desde então, conheci muitos outros maçons e TODOS com que me relacionei sempre foram pessoas muito educadas, "antenadas", tanto no sentido de conhecimento quanto de posicionamento firme em contraposição à indiferença. É também certo que o "meu" universo de amigos maçônicos restringe-se a São Paulo. Nunca conheci maçon de outros Estados. Não dei muita importância à maçonaria durante décadas do mesmo modo que nunca dei importância a outras sociedades "secretas" ou "discretas" ou "fraternidades" de qualquer natureza. E não dei importância a tais entidades porque, pessoalmente, sou avessa a reuniões de grupos fechados de pessoas que compartilham das mesmas opiniões e costumes. Por natureza, gosto da pluralidade, da diversidade, do debate e da publicidade ou transparência.O que eu soube da maçonaria por ouvir falar, por leituras e pela internet é que são machistas, as reuniões são só de membros homens e que eles usam um avental e outros símbolos que, com todo o respeito aos maços e também à liberdade de expressão, eu acho simplesmente ridículos. Do mesmo modo que eles têm todo o direito de expressar sua opinião e avaliar como ridícula qualquer roupa ou maquiagem que eu use.

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