Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Opinião

Embora grave, droga é o menor dos problemas do sistema prisional

Por 

Me parece um erro gritante, que talvez não se possa admitir, o destaque que se deu a "festa com droga em presídio". Esta é a chamada principal hoje sobre a crise dos presídios. Todo mundo sabe que existe mas, sinceramente é inacreditável dizer que este é o problema do sistema carcerário. Meu Deus, este é o menor problema, embora grave.

As inúmeras mortes, a chacina, o levante, as decapitações, as fugas, nada disto foi pela festa com droga. Foi pelo estado humilhante do sistema penitenciário, pelo indecoroso excesso na população carcerária, por existir um número absurdo de presos. Por termos hoje 800 mil presos, oficialmente a terceira maior população carcerária do mundo. Mais de 50% de presos provisórios!! Um escândalo. Um escárnio.

Este é o resultado da política de encarceramento deste momento punitivo. O Supremo Tribunal Federal, em um movimento populista, suprimiu a presunção de inocência. Privilegiou mandar para a cadeia milhares de pessoas sem rosto, sem voz, sem defesa para dar uma satisfação a uma sociedade faminta de prisão e de repressão. Triste tempo. Tristes dias. E ainda suspendeu parte do indulto.

O que seria interessante era fazer um filme de 50 minutos das desgraças das prisões brasileiras. Mostrar o real. Celas com 50 vezes mais pessoas do que o possível. Mostrar a comida de esgoto. O estupro, real, diário. As pessoas se revezando para dormir, em pé. A falta absoluta de dignidade. O caos. A morte. É natural que todos nós fiquemos chocados com as imagens dos levantes, mas esta é a nossa cruel realidade.

Fica a proposta: o Conselho Nacional de Justiça convoca a TV e por 30 dias, em horário nobre, ao invés de passar a TV Justiça, onde os ministros se mostram garboso, vamos passar em tempo real, sem mascarar, os presídios brasileiros. No interior, nos grandes presídios. Mostrar os estupros. As agressões. A fome. As celas super lotadas. O frio. O calor extremo. A miséria humana. A degradação. A transformação em lixo do que ainda existe de homem, de humano, no preso. A falta de seriedade de cada um de nós com o enfrentamento do assunto. Vamos levar esta miséria para a TV Justiça. Ao vivo. Para o país ver a nossa realidade prisional. Vamos ver o que de humano ainda existe em nós, qual a nossa capacidade de indignação.

 é advogado criminalista

Revista Consultor Jurídico, 9 de janeiro de 2018, 15h47

Comentários de leitores

7 comentários

Preso da voto?

RODRIGO.ADV. (Advogado Assalariado - Civil)

É lamentável que a constatação levantada pelo Kakay não ganha voz no meio político, pois a dignidade da pessoa humana é literalmente afrontada e todos ignoram..., isso é Estado Democrático de Direito?

Barros

Guimarães Barros (Advogado Assalariado - Tributária)

Olá,
Demagogia pura...
Compete ao Poder Legislativo e Excutivo (Estadual e Federal) promover políticas públicas e responder às necessidades da população carceraria.
Os politicos eleitos deveriam cuidar, trabalhar e resolver as definicências, mas sabemos que não ocorre.
Verbas são desviadas até da alimentação aos presos por esses mesmos politicos.
Considerando que o autor do texto é defensor de vários desses politicos, sugiro a ele que comente o caso com seus constituintes. Estabeleça com esses politicos acusados de corrupção como eles e o autor poderiam ajudar essa população.
E pare com esse populismo rasteiro e demagógico.
Barros

Data Venia, um texto que, humildemente, deve ser melhorado

Joe Falador (Funcionário público)

O texto, embora muito louvável sob o aspecto para o qual se propõe, não se pode dissociar dos padrões da norma culta da língua portuguesa, inclusive, tratando-se de profissionais que trabalham, e muito, com textos. Em virtude disso, faz-se necessário um comentário a respeito das devidas correções:

I) "Me parece" (linha 1): o correto é "Parece-me", pois o pronome oblíquo não pode iniciar frase;

II) "o destaque que se deu a..." (linhas 1 e 2): a regência verbal exige, nesse caso, o uso de "à" (craseado);

III) "Todo mundo sabe que existe mas, sinceramente é..." (linhas 3 e 4): o correto é "Todo mundo sabe que existe; mas, sinceramente, é...", pois orações devem ser separadas por vírgulas e, se entre elas, for adicionadas um adjunto adverbial (como o caso acima - separado entre vírgulas), o verbo acompanhado desse adjunto precisa, então, ser precedido por "ponto-e-vírgula";

IV) "...e por 30 dias, ..." (linha 24): essa locução adverbial de tempo tem que estar entre vírgulas ("... e, por 30 dias, ..."), já que é um termo deslocado da frase (usa-se no final de frase, com uso facultativo de vírgulas; ou, de forma deslocada, com uso obrigatório);

V) "ao invés de" (linha 25): o termo correto é "em vez de", já que os sujeitos da frase apenas são diferentes entre si, e não contrários.

Obs: de modo algum a intenção desse comentário é causar embaraço ao autor / inferiorizar o conteúdo em si do texto. Apenas usei a minha referência, a qual é me permitir ser corrigido pelos outros, quando de forma educada e fundamentada. Isso porque prefiro ser corrigido por alguém o qual demonstra querer estritamente me corrigir (contribuir) a alguém que use esses desvios "como ponte" para tentar me inferiorizar.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 17/01/2018.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.