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Batalhão paralelo

PMs do Bope são condenados por vazarem informações a traficantes

Quatro policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope), no Rio de Janeiro, foram condenados por terem vazado informações sobre operações da PM a traficantes do Comando Vermelho. Silvestre André da Silva Felizardo, considerado líder do grupo, teve pena fixada em 80 anos de prisão, enquanto os outros três foram condenados a 48 anos de reclusão.

Segundo a denúncia, eles recebiam entre R$ 2 mil e R$ 10 mil toda semana, por comunidade, para detalhar com antecedência quais operações ocorreriam. Assim, integrantes do tráfico tinham tempo para preparar a fuga e esconder armas e drogas. Um quinto réu foi absolvido por falta de provas.

A juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar do Rio, afirmou que as provas apresentadas pelo Ministério Público Militar, mesmo indiretas, demonstram que quatro policiais trocavam mensagens eletrônicas com traficantes das favelas do Antares e do Rodo, morros da Covanca, Jordão e Barão e complexos do Lins e do Chapadão, entre outras localidades.

Todos os acusados negaram os crimes e consideraram insuficientes os elementos apresentados. A juíza reconheceu que só foi identificada uma ligação telefônica entre um dos envolvidos, mas disse que os contatos e os acusados foram identificados a partir de relatório técnico que cruzou antenas e aparelhos de celular, “havendo verossimilhança de localização com os locais e dias de serviço, trajetos seguidos e residências”.

Ana Paula também considerou “nítido que esses vazamentos aconteciam, já que os policiais militares chegavam nas unidades deflagradas e simplesmente não encontravam nada”, o que “começou a despertar a atenção do próprio comando da unidade”.

“Com essa atitude os acusados contribuíram para a expansão e o fortalecimento das atividades criminosas desempenhadas pela facção, nas comunidades, pois além de possibilitar que os traficantes fugissem das ações policiais, fazia com que soubessem onde poderiam continuar a praticar seus crimes sem serem incomodados pela Polícia”, afirma a sentença, proferida na terça-feira (26/9) e divulgada nesta quinta (28/9).

Soma
As penas foram altas porque a denúncia citou várias ocorrências delitivas — cada semana de vazamento foi considerada um ato de corrupção.

A juíza também reconheceu crimes continuados e aumentou a pena-base dos réus por incentivarem o tráfico de drogas e “deturparem e exporem o Bope e seus colegas de farda, incrementando o risco vivenciado por estes e diminuindo o crédito social ostentado pela unidade”. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.

0237773-68.2015.8.19.0001

Revista Consultor Jurídico, 28 de setembro de 2017, 21h39

Comentários de leitores

1 comentário

"Pingos nos is"

pj.branco (Advogado Autônomo - Civil)

Como estarão aqueles que imitavam por aí os bordões dos filmes "Tropa de Elite" (1 ou 2, não importa, mas principalmente do 1º) e desdenhavam das unidades convencionais da PMERJ? "Enterraram a cabeça embaixo da terra" feito avestruzes?

Todos são "santinhos" nos setores comuns da PMERJ? Óbvio que não! Muitos -cumpre salientar o "muitos"- são verdadeiros bandidos travestidos de policiais e que só fazem besteiras.

Por outro lado, é completamente ocioso dizer que o BOPE é o "trigo" e a PM normal é o "joio".

Logo, resta imperiosa a lição de que em ambos os lados há os bons e os ruins. E isso funciona assim em todas as atividades. Inclusive na advocacia, na magistratura etc.

PS: não sou -também não posso, como prevê o art. 28, V, EOAB- e nunca fui policial, bem como não tenho parentes policiais. Mas tenho colegas e amigos nas polícias (PMERJ, PCERJ e PF). E em razão disso, sei muito bem o que acabei de escrever. Doa a quem doer!

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