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Absolvido no mensalão, ex-tesoureiro do PP é denunciado na "lava jato"

Em nova denúncia da operação “lava jato”, o ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu foi acusado de ter recolhido percentual fixo de propina destinada ao partido em fraudes de contratos da Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal, Genu recebeu R$ 357,9 milhões entre 2007 e 2012 — valor equivalente a 1% dos contratos firmados entre a área de abastecimento da petrolífera e as empreiteiras Engevix, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Mendes Júnior e OAS.

Ex-tesoureiro do PP, João Claudio Genu foi acusado de ter recolhido percentual fixo de propina destinada ao partido.
Reprodução

Genu foi preso no fim de maio, em desdobramento da operação “lava jato”. Como aponta o MPF, ele foi réu na Ação Penal 470, o processo do mensalão, e chegou a ser condenado a quatro anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, por lavagem de dinheiro.

A denúncia relembra o caso e cita o acusado como “dos principais sacadores do mensalão”, mas esquece de apontar que a pena foi anulada em julgamento de embargos infringentes. Em 2014, os ministros avaliaram que o acusado era “mero intermediário” do ex-deputado José Janene, fazendo movimentações financeiras para cumprir ordem de autoridade superior.

Na “lava jato”, o MPF afirma existir provas de que Genu tinha função de gestão no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, como planilhas, depoimentos de delatores, e-mails e conversas pelo aplicativo WhatsApp. Também são apontados registros de que ele fez diversas visitas ao doleiro Alberto Youssef entre 2011 e 2014.

Youssef já foi condenado por ser um dos operadores que fazia o dinheiro chegar de uma ponta a outra: por meio de contratos fictícios com empresas de fachada, ele fazia saques em espécie ou operações de dólar-cabo para disponibilizar recursos aos beneficiários finais do esquema. Na nova denúncia, foram denunciados “emissários” do doleiro: Rafael Ângulo, Carlos Rocha e o ex-policial federal Jayme Alves, cujo esquema próprio de movimentação foi apelidado de “Transcareca”.

Joias
Também são acusados a mulher de Genu, Cláudia Contijo Genu, e um sócio dele, Lucas Amorin Alves. De acordo com a acusação, o casal tentou ocultar recursos ilícitos na compra de joias no valor de R$ 134 mil, em uma loja especializada em Brasília, entre 2013 e 2014. Os produtos não foram declarados pelo casal.

O MPF diz que a mulher do ex-tesoureiro participou da lavagem, pois deveria ter “aceito e levado a sério a possibilidade concreta de que seu marido estivesse envolvido no recebimento de recursos em espécie provenientes de crimes contra a administração pública”.

Clique aqui para ler a denúncia.

Revista Consultor Jurídico, 24 de junho de 2016, 17h01

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