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Agressão gratuita

Declarações sobre TJ-SP são "calúnias", diz Sartori

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, decidiu interpelar judicialmente o jornal O Estado de S. Paulo. Ele contesta afirmações feitas pelo sociólogo e articulista do jornal Aldo Fornazieri em entrevista ao repórter Roldão Arruda publicada pelo jornal no domingo (26/7) sobre a administração do TJ. Ao jornal, Fornazieri afirma que o tribunal “está envolvido em denúncias fortes”, “sobre o pagamento de benesses indevidas, com o desvio de milhões de reais”. Para Sartori, as alegações são “leviandade” e caracterizam “verdadeira agressão gratuita”.

Durante a entrevista, Fornazieri, diretor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, discute motivos para que o Judiciário tenha sido “poupado” das manifestações populares de junho. Para o sociólogo, a condenação dos réus da Ação Penal 470, o processo do mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal, gerou um “superávit de imagem positiva” perante o Judiciário.

Mas, para o professor e articulista do Estadão, tal imagem não procede, “porque o Judiciário é tão corrupto quanto os outro poderes”. Aí é que cita o TJ de São Paulo: “Se pegar o caso específico do Tribunal de Justiça de São Paulo verá que está envolvido com denúncias fortes, divulgadas na semana passada, sobre o pagamento de benesses indevidas, com o desvio de milhões de reais. Por outro lado, as tentativas de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça enfrentaram forte resistência em São Paulo. Não há, portanto, a menor dúvida de que o Judiciário se equipara aos demais poderes em termos de corrupção”.

Em nota enviada à revista Consultor Jurídico, Ivan Sartori contesta as informações contidas na declaração de Fornazieri. Para o desembargador, o sociólogo “faz afirmações difamatórias e caluniosas, reportando-se a ‘denúncias’ que, na realidade, nunca existiram, com o intuito claro de induzir o leitor a crer que o Tribunal de Justiça estaria envolvido em graves irregularidades”. 

Sartori comenta reportagem, também do Estadão, que acusa o TJ de ter pago R$ 213,3 milhões em “vantagens eventuais” aos juízes e desembargadores de São Paulo. O presidente do tribunal afirma que “a notícia a que alude o entrevistado apenas se refere a pagamentos de créditos devidos em atraso aos magistrados de São Paulo, inclusive, e principalmente, a servidores, conforme a lei e o que vem sendo praticado pelas Cortes Superiores”.

O presidente do TJ paulista se defende: “A administração do tribunal é limpa, honesta e transparente”. Acusa Fornazieri de ter sido leviano e o jornal, de ter sido conivente. “O mínimo que se exige de um jornal e de seus redatores é isenção e seriedade.”

Por telefone, Sartori informou a ConJur que vai interpelar o sociólogo, o jornal e sua direção judicialmente. Fornazieri será alvo de queixa-crime por calúnia. Estadão, Roldão Arruda e a direção serão intimados, também judicialmente, a se explicar.

Leia abaixo a nota do desembargador Ivan Sartori:

Estadão usa sociólogo para agredir, graciosamente, o TJ-SP

Na entrevista de ontem [domingo (29/7)] de O Estado de S.Paulo, (A8, Política), Aldo Fornazieri faz afirmações difamatórias e caluniosas, reportando-se a “denúncias” que, na realidade, nunca existiram, com o intuito claro de induzir o leitor a crer que o Tribunal de Justiça estaria envolvido em graves irregularidades. A fim de se restabelecer a verdade dos fatos, a notícia a que alude o entrevistado apenas se refere a pagamentos de créditos devidos em atraso aos magistrados de São Paulo, inclusive, e principalmente, a servidores, conforme a lei e o que vem sendo praticado pelas Cortes Superiores. A Administração do Tribunal de Justiça é limpa, honesta e transparente, não se admitindo leviandades dessa natureza, verdadeira agressão gratuita. Também não há qualquer resistência ao Conselho Nacional de Justiça, com o qual, muito ao contrário, vigora saudável e produtiva parceria. O mínimo que se exige de um jornal e de seus redatores é isenção e seriedade.

Ivan Sartori
Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo

Revista Consultor Jurídico, 29 de julho de 2013, 16h27

Comentários de leitores

28 comentários

Atitude correta.

Daniel André Köhler Berthold (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

A notícia fala em interpelação.
Interpelação não é propriamente um processo, mas um modo formal de pedir esclarecimentos.
De duas uma: ou o sociólogo sabe de casos específicos, e é bom que os diga, para que sejam devidamente apurados; ou não sabe.
Não se preocupem os que acham que juiz só serve para perseguir pobres inocentes! Ele não será preso em razão da interpelação.

E a isenção?

Robespierre (Outros)

Quem garantirá a isenção ao sociólogo? Não seria mais republicano o TJ dar explicações, em vez de procurar 'pelo em ovo'?

Rildo Matos Lorentz (Advogado Autônomo - Criminal)

Alan Shore (Advogado Autônomo)

Vá morar em Cuba, China ou Coreia do Norte. Vc vai ser feliz lá.

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