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Caso Tayná

Presos dizem que confessaram crime sob tortura no PR

Os quatro homens presos sob a suspeita de violentar e assassinar a adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, no dia 25 de junho em Colombo (PR), afirmaram que confessaram os crimes sob tortura. Na sexta-feira (12/7), eles prestaram depoimento aos integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com o objetivo de relatar as agressões sofridas. As informações são do jornal Gazeta do Povo.

O promotor Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, revelou que as roupas utilizadas pelos quatro homens também serão periciadas. Os relatos apontam que as agressões ocorreram nas delegacias das cidades paranaenses de Araucária, Campo Largo e Alto Maracanã, além da Casa de Custódia de Curitiba, e incluíram sessões no pau de arara, choques elétricos e empalamento.

A seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil pedirá à Procuradoria-Geral da República que as investigações fiquem a cargo da Justiça Federal. O presidente da OAB-PR, Juliano Breda, afirma que os relatos são compatíveis com a tortura e que os quatro homens mostraram a alguns advogados as feridas causadas pelas agressões.

Na quarta-feira (10/7), três dos quatro homens foram ouvidos pela vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Paraná, Isabel Kügler Mendes, na Casa de Custódia de Curitiba. O quarto detento falou diretamente ao presidente da OAB-PR no Complexo Médico Penal, em Piraquara, para onde foi levado com sangramento intenso no ânus, que seria consequência da tortura.

Divulgado na semana passada, o exame de DNA feito a partir do sêmen encontrado na roupa de Tayná revela que o material não é de nenhum dos quatro suspeitos presos.

Revista Consultor Jurídico, 14 de julho de 2013, 16h37

Comentários de leitores

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Bellbird (Funcionário público)

MP-PR confirma que Gaeco investigará os próprios policiais
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) confirmou nesta sexta-feira (20), através da assessoria de imprensa, que os promotores do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) serão responsáveis pela investigação da denúncia de tortura contra dois homens e um adolescente detidos em Piraquara na última quarta-feira. A responsabilidade do caso é do grupo especial mesmo com a suspeita de que policiais militares e civis, integrantes do próprio Gaeco, tenham participado das agressões.
Em nota, o MP-PR afirmou que “o GAECO é o setor do Ministério Público do Paraná responsável pelo combate ao crime organizado e pelo controle externo da atividade policial. Portanto, é o mais indicado para conduzir esta ou qualquer outra investigação envolvendo policiais. O fato de os investigados integrarem o Grupo não muda, de forma alguma, a conduta na apuração do caso. Pelo contrário, reforça o rigor no esclarecimento dos fatos, já que a instituição é a maior interessada em possuir pessoas idôneas no desempenho de suas atividades.”
Também em nota, o procurador-geral de Justiça do Paraná, Gilberto Giacoia, determinou apuração rigorosa do caso. “O Ministério Público, com certeza, não pode conviver com agentes da lei que não tenham compromisso com seu integral cumprimento e com a preservação das garantias constitucionais de todos, as quais cumpre à própria instituição assegurar. Daí a recomendação de imediata e completa apuração da verdade para os devidos encaminhamentos.”

Os caras de pau

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

O colega Ademilson Pereira Diniz (Advogado Autônomo - Civil) tocou em um ponto importante. Enquanto o crime domina o funcionamento do Estado brasileiro, inclusive com a utilização permanente da tortura e outros métodos medievais de "investigação", alguns oportunistas, com o intuito único de conseguir notoriedade, ficam consumindo tempo e recursos discutindo crimes que ocorreram há meio século, mesmo sabendo que essa atividade não redundará em absolutamente nenhuma punição. Se a comunidade jurídica nacional tivesse de fato algum decência, certamente que haveria uma "comissão da verdade" ou coisa que o valha exigindo e implementando condições para uma investigação aprofundada e isenta do caso ora sob comento, coisa que infelizmente não acontecerá.

Período Medieval

B M (Advogado Autônomo - Civil)

Mas a satisfação da massa e da mídia foi vultosa. Imaginem se for abrandado o uso do Habeas Corpus, será o caos. Aliás, sob pressão da mesma massa e da mídia, o Judiciário vem restringindo o uso do H C e indeferindo liminares em percentuais mais elevados. Vale lembrar Montesquieu, "A injustiça que se faz a um é uma ameaça a todos"

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